23
Jul 10
CANTAR OS REIS Não nos dê água nem peixe, Que não queremos comer. Dê-nos carne com chouriço Ou dinheiro para beber. Nós somos de muito longe, Moramos à beira mar. Mande-nos abrir a porta, Que temos muito que andar ! Ó da casa nobre gente Escutai um bocadinho. Uma cantiga bonita Que se canta ao Deus Menino ! Nasceu o Deus Menino Com prazer e alegria Ficando resplandecente Sua Mãe, Virgem Maria ! O carvalho afarelhado Cai no chão, não dá bolota . Se nesta casa há criados, Mandem-nos abrir a porta ! Ó senhor patrão da casa, Dê volta à salgadeira . Mande-nos pelos seus criados, Um pedaço de orelheira ! Se ele não quiser ir, Dê-lhe porrada até cair ! Ó da casa nobre gente, Escutai e ouvireis, Uma cantiga formosa, Que se canta pelos Reis ! Viva o patrão desta casa, E também sua esposa, O que nos mais desejamos, É que nos mande alguma coisa ! Vimos dar as despedidas, Na hora de Deus, Amem. Adeus, senhores, adeus, Até ao ano que vem ! VERSOS DO ANO NOVO Vimos cantar o Janeiro Por ser dia primeiro ! Vimos dar as Boas Festas Que são Festas d’Alegria É nascido o Deus Menino Filho da Virgem Maria . Viva o patrão da casa Que é homem de respeito. Mande-nos dar a esmola Que seja coisa de jeito ! CANTIGAS DE EMBALAR Nana, nana meu menino Olha que vem o papão E o papão papa o menino, Se ele não dormir então ! Vai-te embora papão feio, De cima do meu telhado, Deixa dormir o menino Um soninho descansado ! Nana, nana meu menino, Que a mãezinha logo vem, Foi lavar os teus paninhos, Ao riinho de Belém! Nossa Senhora faz meia, Com fio feito de luz. O novelo é a Lua Cheia As meias são para Jesus! Quem é mãe, pode saber Se o meu cantar tem valor1 O fruto do primeiro amor Faz uma mãe padecer ! Mesmo quando é ao nascer, Sofre dores como ninguém. Só seu filho é seu bem; Só ele é o seu gosto, Sempre com lágrimas no rosto Quem tem o nome de mãe ! Nana, nana meu menino, Olha que vem o papão. E o papão papa o nininho Se ele não dormir então ! O menino vai dormir, Os anjinhos o vem cobrir O menino vai dormir, E os anjinhos a sorrir ! CANTIGAS A vida do marinheiro É uma vida triste e dura, Pois toda a vida trabalha Em cima da sepultura ! Ó minha caninha verde Verde cana de incurvar Pela boca morre o peixe Quem te manda a ti falar ! Não há pão como o pão branco Nem carne como o carneiro, Nem peixe com’á pescada. Nem amor com’ó primeiro ! Torradinhas com manteiga, Se as torrei foi a meu gosto. Mais vale ser torradinha, Do que ter sardas no rosto ! Pela Páscoa dão-se os ovos, Pelo Entrudo rojões, Pelo Santo André castanhas, Pelo Natal pinhões ! Maria, minha Maria, O Demónio t’atentou. Eras com’ó peixe na água, O mimo te desencantou ! Torradinhas com manteiga, Por cima café com leite. O homem mijou na cama, Não tenho onde me deite ! Torradinhas com manteiga, Torrei três, comi só uma. A mulher que vai p’rá venda, Não tem vergonha nenhuma ! No fundo do meu quintal, Eu vi as telhas cair. Também vi daquela casa, O meu amor a fugir ! Vamos ver a lancha nova, Que se vai deitar ao mar, Nosso Senhor vai dentro, Os anjinhos a remar ! A Senhora da Bonança, Tem uns sapatinhos brancos, Para passar na praia, Aos domingos e Dias Santos ! Maria, toma cuidado Vê não pises o limão Se dás um passo mal dado Pisas um coração ! Hei-de pegar na branqueta, Hei-de pisá-la aos pés. Primeiro que tu me logres. Hei-de saber quem tu és ! DANÇAS DO ANJO Pé, com pé, Dá-me uma rosa, Pé, com pé, Dá-me uma flor, Pé, com pé. Dá-me um beijinho, Para dar ao meu amor ! Um abraço, um abracinho Ora aperte amor aperta, Mas com geitinho ! Mas isto é que são as saias, São calças à brasileira ! São cantares, são bailares, É amor de toda a maneira ! Sarrasquinha, “assocode” a saia, Ò Matilde, “alevanta” o braço, Dá-me meu amor um beijo, Que te dou um abraço! Ó águas, ó águas, Ó águas da outra banda. O meu pai é brasileiro, Tem macacos à varanda !
publicado por Varziano às 16:39

TOADA DAS ALMA Pelo final do mês de Novembro, realiza-se sempre no pequeno templo de Santo André, no areal, nos confins de Aver o Mar ou já em Aguçadoura, uma romaria , talvez a ultima romaria do ano para a pescaria, onde as castanhas assadas são o principal presigo do dia. Nesta romaria há um costume muito antigo que é praticado pelas moças solteiras que atiram uma pequena pedra para o telhado da pequena ermida, dizendo : “ Vai pedrinha abençoada. Para eu para o ano vir casada !” Depois vem as toadas : Resgatai as almas, Ó Pastor do mundo. Daquele lugar, Junto ao profundo! Sede em meu favor, Salvador do Mundo; E das almas santas, Do largo profundo ! Resgatais as almas, Ó pastor eterno, Daquele lugar Junto ao Inferno ! Sede com mais fervor, Salvador do Mundo E das demais Senhor. Do largo profundo. Ó Pastor das almas, Pedi ao Senhor, Que nos dê sardidinha, Pelo seu amor! Como o caminho era mau, pelo lamacentos carreiros, seguiam junto à língua da maré, o que trazia algumas vantagens, pois podiam “ correr a praia “ e aproveitar alguma coisa que a maré arrojasse à língua da maré, e assim : Santo André Pela beira mar, Pela areia fina, É um regalo andar |
publicado por Varziano às 16:33

FOLCLORE PÓVEIRO Os poveiros pelo Natal e dias seguintes principiavam a correr as ruas batendo às portas com a pergunta. VAI, OU NUM VAI . Conforme e resposta que de dentro vinha de dentro da casa, principiavam as cantar as JANEIRAS. Se a resposta era de bom tom, isto é se a resposta era VAI, logo iniciavam uma “versalhejação” de agrado para quem a iria ouvir. Se a resposta era NÃO, imediatamente uns versos de chacota eram proferidos : Esta casa cheira a unto. Aqui mora algum defunto ! SANTO ANTÓNIO Quereis cantar raparigas Univos ao regimento, P’ra festejar Santo António, Não faltar ao divertimento ! Festejemos com alegria. Santo António neste dia ! SÃO JOÃO Donde vindes São João, Pela praia c’o engaço ? Venho de dizer adeus, Às cachopas do argaço . Arriba, arriba, cachopas do feno, Quem paga o vinho é o Zé Pequeno. D’ondes vindes São João Que vindes tão molhadinho? Venho da rua das Hortas, De regar o cebolinho. Arriba, arriba, cachopas, arriba ! Quem é pequeno não chega à medida. Ó que lindo baptizado, Que vai no rio Jordão! São João baptizou Cristo, E Cristo a São João ! VERSOS DE SÃO PEDRO Nas praias da Galileia Andava o Santo São Pedro Com sua rede ao mar Sem ter confusão nem medo ! Ora vede, raparigas vede, Como São Pedro lança a rede ! Andava o Santo São Pedro Com toda sua companhia Andava “ descursuado “ Pela pouca pescaria ! Descrevem a vida de São Pedro, a sua negação de Cristo, a sua ida para o deserto. Perdoa-lhe Cristo e São Pedro vai para Roma, e tantos milagres fazia que até Curava o mal da eresipela Sarava com toda a cautela. VIRA Ela: Se vires o mar vermelho, Não te assustes, que é sagrado ; São as lágrimas de sangue, Que por ti tenho chorado. Ele : Maria, minha Maria, O demónio te atentou ; Eras com’ó peixe na água O mimo te derrancou ! Ela: O rouxinol no loureiro, Tem cantar solitário, Nunca pode ter juízo, Quem toda a vida foi vário ! Ele: Pega nas tuas cantigas, Deita-as atrás duma caixa ; Que eu só cheiro ao ramalhete, E tu, só fedes a graxa ! Ela : Fiz a cama no sargaço, A cama no tojo, Se algum dia te quis, Agora me metes nojo ! CONFUSÕES A minha sogra é minha irmã e minha mãe. Os meus filhos são netos da minha sogra que é minha irmã e logo são sobrinhos da minha mãe que é minha irmã. O meu sogro é meu pai e avó dos meus filhos, e os meus filhos são sobrinhos do meu sogro que é meu cunhado. E eu sou portanto cunhado do meu sogro que é pai da minha mulher. Se ele tiver filhos, agora já não nem sei o que serão eles a mim ! TOADA DAS ALMA Pelo final do mês de Novembro, realiza-se sempre no pequeno templo de Santo André, no areal, nos confins de Aver o Mar ou já em Aguçadoura, uma romaria , talvez a ultima romaria do ano para a pescaria, onde as castanhas assadas são o principal presigo do dia. Nesta romaria há um costume muito antigo que é praticado pelas moças solteiras que atiram uma pequena pedra para o telhado da pequena ermida, dizendo : “ Vai pedrinha abençoada. Para eu para o ano vir casada !” Depois vem as toadas : Resgatai as almas, Ó Pastor do mundo. Daquele lugar, Junto ao profundo! Sede em meu favor, Salvador do Mundo; E das almas santas, Do largo profundo ! Resgatais as almas, Ó pastor eterno, Daquele lugar Junto ao Inferno ! Sede com mais fervor, Salvador do Mundo E das demais Senhor. Do largo profundo. Ó Pastor das almas, Pedi ao Senhor, Que nos dê sardidinha, Pelo seu amor! Como o caminho era mau, pelo lamacentos carreiros, seguiam junto à língua da maré, o que trazia algumas vantagens, pois podiam “ correr a praia “ e aproveitar alguma coisa que a maré arrojasse à língua da maré, e assim : Santo André Pela beira mar, Pela areia fina, É um regalo andar |
publicado por Varziano às 16:25

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Jul 10
HOR(A) OSCOPO (S) Ele andava mesmo em baixo de todo. Constantemente estava deprimido, aborrecido, era uma companhia indesejável e não era para menos, sempre a queixar--se da sua falta de sorte. Em tudo que se metia “ia por água abaixo”. Quando se via mais apertado, comprava uma cautela na esperança de um chorudo prémio. Jogava no totobola, no totoloto, e até no Euro-Milhões. Mas que raio, nunca acertava ou quando muito lá vinha o último prémio, dois três Euros ou na cautela a terminação. Se isso acontecia, raras vezes, podia considerar-se dia de festa. Dizia esta semana é que vai ser, vou jogar de borla, e assim se contentava. Certa vez a sorte quase o rondou. Viu o número da suada massa que tinha dispendido ser devolvido, com ganho e pensou a “mala pata” finalmente foi arredada. Jubiloso correu a ver a sua sorte e, na tabela lá estava o seu número, só que era mais pequenino, era o último. Remédio santo, na lotaria jamais jogou pensando que afinal a ter sorte, seria sempre uma pequenina e “ora bolas” para “pequeno remédio”, mais vale estar parado. Os amigos concordavam que era afinal um “gajo”, com pouca sorte. Poderia a tabela estar ter virado para cima e assim teria embolsado um chorudo dinheirinho. Um amigo de “Peniche”, aconselhou-o a consultar um vidente, cartomante e ele conhecia um que era infalível, tanto nas cartas, nas conchas ou na bola de cristal. Se quisesse arranjava-lhe uma consulta e com umas rezas e umas “mézinhas” a “mala pata” desaparecia, era certo, certíssimo, tão certo, como “dois e dois serem quatro”. Ele, apesar de queixa de má sorte, não era atreito a tais remédios, não acreditava, mas amigo tanto o cansou, tanto o insistiu com o conselho, que só para que não ficasse mal visto e mal agradecido, lá resolveu aceitar o jeito do amigo aceitando a recomendação, julgando que com ela, a consulta seria de borla. Lá foi procurar o feiticeiro, vidente e escamoteador de males de inveja e má sorte. Num primeiro andar de uma bela moradia, com o luxo de um consultório onde não faltavam estantes repletas de feitiços afastadores de “maus olhares” e quejandos males, como a falta de dinheiro, de amores mal compreendidos, e toda a caterva que doenças que afligem os habituais clientes que sustentam com os seus desembolsos, aquele “luxo a rico e à francesa”. Depois de uma desesperante espera, os lorpas eram muitos, e a sua vez chegou finalmente. Esperava-o uma intrigante figura de turbante, tipo oriental, e na mesa que se interponha entre o infeliz e o sortudo e bem inchado vidente e conselheiro, bem afanado e com uma proeminente barriga, comodamente instalado num sofá de boa pele de tigre, principiou com a sua lengalenga, estudada previamente, sobre o desventurado cliente. Escabichou a vida do infeliz que lhe caiu do céu, e pensou em o esfolar, até à medula, tendo em mente que teria de compensar o comissionista que o tinha indicado para dar a felicidade no amor, a riqueza e o bem estar daquele pobre diabo. Primeiro lançou as cartas sobre o tampo da mesa, delicadamente ilustrado com figuras mitológicas e arabescos. Alinhadas, mostrando a primeira ao cliente, afirmou, com o palavriado costumeiro, de que a sua vida estava de facto a correr mal, mas logo na seguinte, já vaticinava, dizia ele, a melhoraria. E a lengalenga ia correndo ao sabor das cartas, lengalenga que cada carta ia profetizando mudança na sua vida. Julgando ingenuidade do cliente, pergunta e mais pergunta, para se inteirar, por ele mesmo o que queria saber para depois desembuchar como, se de facto, por poderes mágicos o soubesse. Lança as conchas, reluzentes de madre pérola, e a magia iam seguindo. A coisa estava a melhorar, mas para isso era necessário que se concentrasse, respondendo mais sucintamente as suas perguntas. Sabendo já tudo, ou quase tudo, deixou a última pergunta: :- Qual o mês do seu nascimento ? :- Agosto ! :- Há! Muito bem ! É um mês propício à felicidade ! Você é VIRGEM ! :- Eu, VIRGEM? Pode lá ser ? TENHO QUINZE FILHOS ! Mais valia ter ido beber uns copos ao Zé das Letras!!!... Ficava mais animado e confortado!!!...
publicado por Varziano às 19:53

Á GOMES DE SÁ Nos meus tempos de estudante, tive um professor de português e francês, espirituoso, de piada pronta, oportuna, que deixou várias operetas que ficaram assinaladas como um grande comediógrafo. Certa vez, numa aula de francês, em que o tema do exercício seria a tradução de um texto para português, eu como os mais, não estando muito preparado, à cautela levei para a sala, escondido, um pequeno dicionário de bolso, pois o diabo podia tecê-las e esbarrar com termos que me deixariam à rasca. Cuidadosamente coloquei-o, discretamente ao meu lado no assento da carteira, uma daquelas que foram agora arredadas das salas e, que para os madraços era “ouro sobre azul”, pensando que assim levaria o professor. Mas ele, que certamente conhecia as manigâncias, talvez por experiência própria dos seus tempos escolares, desconfiou e veio espreitar e deu conta da minha esperteza saloia. Pega no dicionário e eu esperando um raspanete, ouvi apenas : :- Olha lá. Julgavas que comias com a burla. Certamente esqueceste-te, que eu sou GOMES DE SÁ, mas não sou BACALHAU !
publicado por Varziano às 19:46

. LENDA DOS NOMES DAS TERRAS E RIOS “…e chamou Deus ao elemento árido Terra e ao agregado das águas Mares” (Génesis – 10) …e depois viu que isto era bom e pensou em percorrer a terra e dar-lhes nomes. Acompanhado do querubim escriba, pôs-se a caminho. Atravessou continentes e chegou a este canto onde principiou a sua tarefa. Mencionava um nome e logo o escriba o assentava. Os passos seguiam--se e os nomes, surgiam ao gosto de Deus e o querubim ia assentando. Os relevos que eram parte integrante para a escolha e, assim, foram escolhidos os das localidades por onde iam passando. A azafama era grande, e o cansaço se fazia sentir nos caminhantes, mas teria que se aprontar e o esforço valia a pena – era bom ! Chegados a uma monte, onde a vista se alongava, o escriba queixou-se – Meu Deus, sinto uma grande dor na cabeça ! Que nome para esta terra ? Deus, preocupado com a dor do querubim, disse-lhe : - É dor de ouvidos ?! - “ÓBIDOS”, senhor ? e assentou “ Óbidos”. E caminhada continuava. Chegados a um ponto, Deus exclamou : - Daqui via todos os que criarei ! Sem mais, lá ficou o assento VIATODOS ! Passos andados, chegaram a um rio, que corria por entre gargantas cavadas. Qual o escolhido ? E Senhor disse, ele segue por lugar cavado e anjo escreveu Cávado. Já um pouco à frente, o escriba perguntou : - A este rio que nome se dará ? O senhor admirado respondeu : - Outro, homem ? o anjo escreveu “HOMEM”. Continuando na sua tarefa, o Senhor chegou perto do mar e, cansado descansou e adormeceu. Ao acordar disse ao querubim : -Em sonhos vi Ana! E logo ele assentou “VIANA”. E a missão ia-se cumprindo, os nome iam sendo assentes pelo escriba. -Qual Escolheis ? Senhor estou tão cansado ! -Não desfaleças, vai andando que estamos, por hoje a acabar. Depois descansarás. Caminha sempre! E o escriba, zás, assentou CAMINHA. Deixando o estuário do rio, passaram a outros lugares, Deparou-se-lhes um monte. Subindo-o com esforço, regalaram-se com o horizonte que dali se desfrutava. Num socalco descansaram e a pergunta sacramental : - Senhor, que nome dais ? E a resposta foi : - Dá-lhe lá um dos que já demos a outros . E anjo assentou “LAUNDOS”. Cansados pela dia tão afadigado o Senhor resolveu descansar por aquele dia e deixar para o seguinte a continuação da tarefa. E o querubim para acabar, pergunta : - E Senhor, por hoje o que faremos mais ? - Por hoje paramos, e amanhã recomeçaremos . E o escriba anotou “PARAMOS”. E assim terminou o dia
publicado por Varziano às 19:39

O B I S P O “Pelo São Martinho, abre a adega e prova o teu vinho” Mas como nós não tínhamos adega, e queríamos provar o da nova colheita, outro remédio não tínhamos do que o de recorrer ao “ZÉ DA MATA”, e porque não pode haver “São Martinho sem castanhas nem vinho”, lá nos preparamos para cumprir o ritual. E assim principia a história de hoje, mas para princípio temos de recorrer ao habitual início : Naquele tempo, ou melhor naquele ano ( há tantos que já nem sei quantos !... ), um grupo de “pagodeiros”, resolveu, como nos anos anteriores, festejar o dia das castanhas e vinho. Apesar de um sudoeste rijo ( o tal que esfola as redes e rasga as velas ) e uma chuva miudinha que encharcava os ossos ( a morrinha ), o temporal não nos desencorajou de o enfrentar e, pela avenida dos Banhos fora, lá fomos procurar o portão do Zé da Mata, onde iríamos encontrar um acolhedor, quentinho lugar, para saborear, por entre umas “canecadas” de um tinto de São Torcato, do que “pinta a malga”, umas estaladiças castanhas transmontanas, assadas no fogareiro e adubadas por uma camada de manteiga, quase de sabor caseiro e de lamber os beiços. Mas perguntarão, porque optávamos arrostar com o desabrido caminho da beira-mar, e não pela rua interior, mais abrigada do temporal ? Bem, nesse tempo a “bófia”, representada pelo polícia o Carcereiro, andava sempre de olho no horário do fecho dos “tascos” ou das vendas e, como o Zé da Mata era um dos locais preferidos pelos bons amantes da boa “pinga”, era um dos que da zona era vigiado. Como para enfrentar um temporal, numa noite de borrasca, a “bófia” não arriscava uma constipação a fazer vigilância por onde se ouvia o bramir do mar, e sentia os salpicos de salitre que o vento atirava para cima dos “canastros”, o caminho seguro, para a entrada do Zé, era o lado da praia. Construído o cenário do primeiro acto, vamos ao segundo. Entre a “malta”, malta no bom sentido, dos “pagodeiros”, encontrava-se um alegre companheiro, um pouco mais velho que os restantes, de seu nome Napoleão, que morava ali para a rua Almirante Reis. Dizia-se, e várias vezes, confidenciou entre risota, um facto que, constantemente, repetia. Trabalhava num escritório no Porto e todos os dias fazia o trajecto de comboio da Póvoa até à Boavista, estação onde terminava a linha da Póvoa. A casa do amigo Napoleão, era do lado nascente da referida rua e por conseguinte as traseiras com portão, davam para a linha do caminho de ferro. Prático, o Napoleão, não precisava de apanhar o comboio na estação. O maquinista fazia-lhe o favor de moderar a marcha e quase que parava para ele se meter na carruagem ! … Ora, Napoleão, era um dos comparsas da aventura das castanhas e do vinho na memorável véspera do dia de São Martinho. Lá nos encontramos todos no Zé da Mata. Nesta venda havia dois lugares distintos, um, frequentado pelos velhos e importantes e, o outro, pela rapaziada nova. Em banco corrido, tipo preguiceiro, era onde se sentavam os irreverentes moços aguardando a travessa das quentes e boas castanhas besuntadas da indispensável manteiga. E as canecas ou malgas (para saber bem o bom “verdasco” deve ser servido nestes recipientes), sempre cheias, iam afogando as castanhas. Um armário, impondo a sua presença à rapaziada, tinha numa das prateleiras e mesmo à mão de semear, uma e mais apetitosas malgas de marmelada e os olhinhos e a cobiça começaram a dardejar em toda malta. E se o desejo era grande, maior foi o arrojo. Um deles, num rápido ataque à fortaleza “armaria”, rapina uma malga e vai daí logo se pensou acabar aquela farra noutro sítio que não no Zé da Mata. E foram parar a outro da Mata, mas o Leonardo, então já no Largo do Castelo. Já bem bastantes “regados”, ali acabaram com o rico e doce pitéu. Assentaram, como “fim de festa”, já ultrapassada a meia noite, ser eleito o Bispo da noitada. Para isso todos os comparsas teriam que fazer um quatro, cruzando de pé as pernas e aquele que não aguentasse e mais depressa o desfizesse era então entronizado como BISPO. Todos se prontificaram a fazer a prova e o primeiro a quebrar o quatro foi precisamente o amigo Napoleão e assim, em resultado e por unanimidade, foi nomeado o BISPO DAQUELA NOITADA DE FESTA.
publicado por Varziano às 19:33

20
Jul 10
A HISTORIA QUE HOJE VOU CONTAR Naqueles tempos já tão recuados os cuidados sanitários de hoje, era uma utopia. A casinha ao fundo quintal, ao lado do poço e do tanque, servia às mil maravilhas, e era ao mesmo tempo uma fonte de receita, cobrada em canhotas. Ora numa determinada o ocasião o António, nome do dono do “comes e bebes”, teve necessidade de se servir da casinha, para aquelas necessidades imperiosas que são, afinal, de todos. Satisfeito e acabada a função procura no prego ao lado um papel para finada operação e, vai daí, aflito dá um grito e com as calças arriadas na mão, corre com tanta pressa como lhe permitia segurar as calças, e lança-se afoitamente ao tanque para refrescar de uma ardência e calor que sentia. Chafurdando no tanque vai de continuar a gritar: - Estafermo de mulher, vem cá depressa, que eu não posso mais. Sou capaz de morrer !... A mulher aflita, ocorre ao chamamento e com a pressa pega nas solipas na mão e vai atender o seu “home”. - Raio de mulher, que papel puseste no prego, que me está fazer tal mal - Oh, António, só se foi o papel da pimenta !....
publicado por Varziano às 17:12

Q U A T R O P É S Ele, um borrachão incorrigível e ela, não desfazendo, uma interessante e solicitada fêmea. Todas as noites, lá chegava ele pela madrugada, sempre como um cacho, um odre autêntico, a rodar, a rodar, sem se aguentar de pé. Enrodilhava-se no cobertor, e ressonava, ressonava, ressonava e ela lá ia pensando que aquilo não era vida, não atava nem desatava, até que um dia a roda desandou e vai daí, o que tinha de dar-se, deu. Um homem não é de ferro, e a mulher, bem a mulher, é uma mulher, sem tirar nem pôr, e o bichinho, lá fez das suas. Bem a necessidade a isso obriga, e o culpado foi ele e, as tentações aparecem e ele, como dizem, é sempre o último a saber. Certo dia, o bom “verdial” não tinha brotado tanto da torneira ou os cobres eram menos, foram menos as canecadas e nesse dia, estava bem mais sóbrio, julgava ele, e foi mais cedo para casa. Acertou facilmente com o buraco da fechadura, coisa que não era normal. Chegou ao quarto nupcial e conseguiu aninhar-se no vale de lençóis, devagarinho para não acordar a mulher mas, repara e ao fundo da cama, conta UM, DOIS, TRES, QUATRO, CINCO, SEIS PÉS. Como é isto ? Com um safanão acorda a mulher : - Zefa, como é isto SEIS PÉS NO FUNDO DA CAMA? - Ó “Home”, és sempre o mesmo, estás borracho. Levanta-te e vai contar!... ele cumpriu com o que a mulher disse e conta : - UM, DOIS, TRES, QUATRO !. Tens razão, mulher minha, SÃO OS NOSSOS QUATRO PÉS ! e voltando-se para o outro lado, entregou-se às asas de Morfeu, e adormeceu NA PAZ DOS ANJOS ! …
publicado por Varziano às 16:58

19
Jul 10
U M B E I J O “Beijo roubado não tem sabor por ser dado a correr, mas como coisa de valor trata de m’o devolver” Ele era um rapaz todo galante, conquistador e atrevido, um verdadeiro pinga amor e, as moças, todas se derretiam com as suas falécias. Onde aparecia, era um olhar de paixoneta que seduzia todo o elemento feminino. Sempre bem barbeado e penteado onde a brilhantina fazia reflexo nas suas melenas. Vestindo sempre apurado, o seu fato de boa fazenda, as calças bem vincadas. O casaco e a gravata sem sombras de nódoas, a gordura dos comestíveis ali não tinha lugar. Calçando verniz, com passadas bombeantes, todo ele respirava prazer. As moças o adoravam e a sua companhia era uma verdadeira disputa. De entre elas a Mica Cantadeira, um mimo de graça e bom humor, derretia-se quando ele, o Xico das Pingas ( Xico por ser Francisco e das Pingas, por elas sempre andarem atrás dele pingando carícias – inveja dos outros ). . . e quem disse que as cachopas gostam dos atrevidos ? Certamente foi no confessionário que se deu essa descoberta !... Toda chorosa, certo dia a Micas, foi à fala com a Zéfinha, a mãe do Xico : - Senhora Zéfinha, o seu filho é um maroto. -Que “t’aconteceu”rapariga, fez-te mal ? - Não Senhora, roubou-me um beijo,… de fugida ! - E “atão”, não gostaste, “num” é ? - Não sei !É que ele é um maroto, só me ROUBOU UM ! ! ! . . .
publicado por Varziano às 16:40

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