23
Fev 11
MOSTEIRO DE SANTA CLARA Vila do Conde Há dias li uma noticia sobre o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde que me deixou arrepiado não de frio, mas porque vim a saber que aquela mole imensa de pedraria, ex-libris de Vila do Conde, e monumento de grande valia estava, vai para quatro anos, completamente ao abandono, servindo actualmente para guarida de marginais e drogados que sem respeito pelo seu passado ali abusivamente se instalaram, sem os cuidados e respeito por aquelas venerandas pedras e só por acaso não foi danificado por incêndio. O Mosteiro de Santa Clara, desde a sua fundação nos recuados anos de 1318 serviu, como o seu nome indica, de refúgio e local de oração a monjas, até 1893, data da morte da última professa, em que passou definitivamente para a posse do Estado conforme o decreto da extinção das Ordens Religiosas de 1834. Depois durante alguns anos julgo que esteve encerrado até que em 1902, passou a ser utilizado pelo Estado, como Casa de Correcção de rapazes do Porto. Mais tarde foi Reformatório de Vila do Conde e Escola Profissional de Santa Clara acabando como Centro de Educação e tutela de menores, até quase aos nossos dias. Ali foram recolhidos muitos menores que precisavam de proteção e educação, menores, julgo principalmente da Região Nortenha. Conheci um pobre homem de Braga, de São Vicente – o Arantes – que por lá estagiou durante alguns anos. Já neste século XXI, em 2002, pensaram em aproveitar este grande monumento para uma pousada, tendo chegado a haver negociações, mas não passou da intenção. De novo, em 2008 firmou-se um contrato entre o Estado e Turismo de Portugal, para finalmente ser transformado numa moderna pousada, no sentido que norteou a utilização do Convento da Costa, em Guimarães mas, até ver nada ainda se concretizou. Ora os seus fundadores em 1318, - Dom Afonso Sanches e Dona Teresa Martins - jamais poderiam pensar que a sua obra que com carinho obraram, estaria hoje, decorridos quase setecentos anos, em risco para desaparecer, como a noticia que originou este meu desabafo originou, que nos deu a conhecer, um principio de incêndio provocado pelos marginais que ali se instalam. E não há ninguém que ponha cobro a isto, e depois da tragédia se “ponham a chorar pelo leite derramado” ? Olhar pelo que os antepassados nos deixaram, não é uma reminiscência das glórias do passado, mas sim uma obrigação de todos. Braga, 23 de Fevereiro de 2011 LUIS COSTA
publicado por Varziano às 16:35

30
Jul 10
PROFESSOR QUILORES Já em tempos fiz uma pequena crónica sobre o Mestre Quilores, crónica que nos veio revelar, por ter tido a audiência de uma pessoa, muito conceituada na Póvoa, onde foi reitor do Liceu, e que quase adoptou a ainda então como uma das principais vilas portuguesas como sua residência, onde mandou edificar uma casa e, depois da sua justa reforma, se fixou em Lisboa, onde na sua casa montou uma espécie de museu, tendo dedicado uma das salas, em homenagem ao seu, por certo, amigo Quilores. Era esse amigo que na sua longa vida nunca esqueceu a Póvinha do Mar, praia que visitava frequentemente, o Dr. Paulo de Cantos. Aproveitando o ensejo e entre parêntesis, tenho que fazer uma pequena referência a seus dois filhos com quem privei. São eles o João e o António que muito devem a seu pai. Foi uma revelação do Dr. Paulo de Cantos muito honrou os seus filhos, João, meu colega e muito amigo e também o exímio artista de talha António de quem recebi a inspiração para a minha descrição, no colóquio Santos Graça, realizado pelos anos de oitenta, dos jogos infantis poveiros e se prontificou a fazer os bonecos representando-os e que depois passaram a figurar no Museu. A António Quilores se deve, entre obras de talha para vários templos, a feitura de duas colunas de talha que figuram no altar-mor da Igreja Matriz. Inicialmente apenas tinha duas de cada banda da tribuna, e ao lado destas colunas, possivelmente para ser ocupado por imagens, um espaço, que veio a ser destinado às colunas que o António Quilores entalhou numa improvisada oficina nos baixos do Museu e que eu tive a oportunidade de o ver trabalhar nelas. Portanto são três colunas em cada lado, duas originais da construção do altar, e uma graças ao labor do Quilores. O João, seguindo as passadas do pai, tirou o Curso do Magistério Primário e foi colocado perto de Famalicão e por lá casou e se reformou. Mas a pequena crónica de hoje, é sobre o Pai Quilores, mestre de gerações poveiras, alguns dos quais chegaram a atingir lugares de relevo não só como exemplares comerciantes, hábeis artistas, profissionais da pescaria (talvez os seus principais alunos) mas também em lugares políticos e de destaque em altos cargos. Vários vezes assisti, sentado no banco de pedra que, em semi-círculo se situava na meia laranja à entrada do molhe norte, às conversas que o velho mestre estabelecia com os da sua igualha pois a ascendências de Mestre Quilores eram também da piscaria. Interessantes eram elas e eu, como sempre gostei de apreciar a maneira de falar, o sotaque, os termos usado na gíria dos poveiros, não me metendo nas conversas, bastava-me ouvir e assim fui aprendendo um vocabulário muito peculiar e decifrando termos só usados pela comunidade piscatória. Parece que ainda foi ontem, e já lá vão passados mais de sessenta anos tantos quantos os que deixei a Póvoa, por diversas razões aos quais não foi alheia a Segunda Grande Guerra, que me despachou para terras estranhas e, que nestes acalorados dias deste verão, me fazem lembrar as inóspitas e tórridas ilhas de Cabo Verde. Nesses recuados anos era sempre certo aos domingos de manhãs solarengas, o Mestre Quilores, dentro do seu carrinho, postado frente aos seus amigos, alguns deles (quem sabe ? talvez seus antigos alunos!...) sentados nos assentos e costas e pedra, na citada meia laranja, onde o paciente burrito, meio de locomoção para mover o transporte, dado que ainda não usava outro meio para a deslocação, por vezes zurrava, como que a preveni-lo de que já chegava de soalheira e que sede o apertava e a pança estava a pedir palha, lá estava o mestre e amigo entretido como se a dar uma lição, ou relatando factos ocorridos na sua já longa vida. Lembro que de certa vez veio à conversa, talvez devido ao zurrar da azémola, os tempos em que no verão, os carros americanos puxados por possantes mulas (os conhecidos mulétricos) estacionavam naquele local, e faziam a ligação entre a praia da Vila e a da Póvoa. Esta ligação merecia uma explicação e ele a deu no seu jeito brejeiro”não julguem que esta ligação era para beneficiar Vila do Conde mas só e apenas porque a mocidade banhista preferia a praia poveira” (aqui salienta-se a rivalidade que havia entre os vizinhos). De facto, Vila do Conde era uma praia frequentada mais pelas gentes conservadoras, e ali os papás e as mamãs tinham os seus rebentos sobre o olho, enquanto que, na nossa, a massa de veraneio era mais liberal e a juventude, a mocidade, estava mais livre da protecção paterna. Já em tempos publiquei um artiguelho relacionado com um respeitável senhor, que desde sempre e depois de casado vinha com a família passar o tempo de férias na Póvoa, até que um dia a esposa descobriu que ele era professor de natação mas só de meninas, e então, ala que se faz tarde, e no ano seguinte mudou a família, com armas e bagagens, para a elegante praia da Vila, artimanha que não resultou, porque o jóvem marido, com o mulétrico à porta, continuou com as lições na Póvoa. Hoje em dia, mudaram os tempos, mudaram as mentalidades e as praias vizinhas tem os seus fiéis habitués e os problemas de outros tempos desapareceram e, quanto a frequência não há distinção de classes e ainda bem. Para terminar esta mal digerida e longa refeição de recordações do HOMEM BOM da Póvoa do Mar, que foi o inesquecível MESTRE QUILORES, bom seria que pelo sua acção no ensino de tantos póveiros alguém tivesse o senso de prestar uma homenagem bem merecida à sua memória. Não sei se o seu nome figura já na toponímia poveira e, se o não figura, faça-se pelo menos essa honra. Agosto de 2010 LUIS COSTA
publicado por Varziano às 19:07

28
Jul 10
O NAUFRÁGIO DO VERONESE O HERÓI PATRÃO LAGOA VISTO POR UMA SUA BISNETA Uma feliz coincidência fez com que na passada primeira quinzena do passado mês de Julho, tivesse oportunidade de conhecer uma bisneta do herói poveiro Patrão Lagoa. Para me afastar por uns dias da tórrida temperatura de Braga, resolvi, ou por outra, duas das minhas filhas, aproveitando o resto dos seus dias de férias, resolveram proporcionar-me uns dias, poucos, para me refrescar nos ares marítimos e puros da nossa Póvoa do Mar, terra de boa gente, mimosa, agradável e onde tudo é bom, até a arreliante nortada, que podemos afiançar ser um benefício que vem confirmar os bons e lavados ares poveiros, pois que ela contribui, para afastar para bem longe os miasmas que, do pólo norte, terras de bruma, chegam até nós. Ao mesmo tempo também foi uma feliz oportunidade para chegar à fala com alguns dos poucos amigos que restam dos meus tempos da mocidade que por aí passei, recordando lugares desaparecidos ou de tal maneira transformados que para mim são irreconhecíveis. É o caso que me levou até ao Norte, zona desportiva que, praticamente, é totalmente moderna. Do velho estádio Gomes de Amorim, o tal velódromo, possivelmente o primeiro estádio digno desse nome, construído em Portugal, agora transformado ou adaptado a piscinas e outros lugares de lazer, pouco resta se é que ainda alguma coisa ficou. Ora foi ainda um pouco mais a norte desta zona, que encontrei a Praia da Nazaré – o nome nada tem a ver com a Nazaré, da costa centro oeste deste nosso País – mas sim com a concessionária de uma faixa de praia que quase a partir da pérgola que transformou o miradouro, para melhor, sobre parte da enseada denominada Praia da Lagoa, onde em tempos idos, principalmente em dias de grande borrasca, no inverno, se enchia de automóveis e de onde os seus ocupantes, durante horas assistiam ao espectáculo do mar revolto. Numa fila de barracas perpendiculares à língua da maré (nos anos trinta do século passado as barracas de descanso eram paralelas ao mar, coisa impensável nos dias de hoje que a manter-se esta disposição, certamente chegaria a fila a Cedovem e por aí além) apoiadas por um pequeno bar, após uma refrescante bebida, servida por uma graciosa “barman”, com a qual entramos em conversa amena, viemos a saber que se tratava de uma bisneta do Patrão Lagoa. A bisneta do Lagoa, logo se prontificou a apresentar-nos o marido, e na conversa metida, foi me indicado o seu nome – Dona Maria de Nazaré (razão do nome da concessão) Gomes Pereira de Castro. Entre outras lembranças veio à baila o nome de Lagoa. Procurei saber se era nome de família e logo me foi dito que o seu nome de baptismo era Manuel António Ferreira e o apelido de “Lagoa”, lhe veio desde criança. Morando com seus pais, gente da classe piscatória, vivia perto do mar e, como os pequenos futuros homens do mar de hoje, o seu entretimento de criança, era nas poças da penedia, ora lançando nos laguitos que a maré baixa forma, pequenitos barcos feito com a faca da cortiçada, tentando apanhar no anzol, iscado com a serradela, as pequenas marachombas, ou arriscando ir mais ao largo, nas gamelas do peixe, servindo-se de, como meio de locomoção, dos frágeis braços. O lugar predilecto da sua verdadeira aprendizagem para a aventura que se lhe adivinhava, era precisamente a enseada da Lagoa – já que a praia do Salgueiro, ficava a sul, e a da Forcada, em Abremar (Aver-o-mar) ou a do Quião, já em Aguçadoura, estavam fora de mão. Desta maneira, era certo e sabido, quando procuravam o miúdo, era com certeza na Praia da Lagoa, que se encontrava. Tanta vez foi repetida a procura que, dito e feito, ficou para sempre conhecido como o Lagoa. Mais tarde, já homem feito, dono de embarcação, reconhecido como homem de coragem e abnegação foi distinguido como Patrão do Salva-vidas, Cego do Maio, nome do maior herói poveiro. Podemos dizer que de Patrão Lagoa o maior acto de bravura, de destemor, de abnegação, de audácia, arriscando a sua vida quando ela dependia no salvamento do seu semelhante, ficou bem vincado e assinalado nos Anais dos heróis poveiros, foi a sua acção aquando do naufrágio do vapor Veronese nos baixios do mar de Leixões. Heroicidade reconhecida no País e internacionalmente, onde nos jornais da época em grandes títulos, mencionaram e relataram o destemor de um punhado de homens humildes, pescadores do “reino da Povinha do Mar”, não se intimidaram perante a fúria do velho Adamastor, salvando das suas garras mais de um centena de aflitos seres, que se viam já muito perto da morte. Apesar do reconhecimento, incondicional dos que na praia assistiram a esse gesto de bravura, fazendo jus ao velho aforismo “Depois do baptizado feito, não faltam padrinhos”, alguns quiseram tomar para eles, as honras desse destemor feito. Não teve sucesso essa tramóia dado que pelo Instituto de Socorros a Náufragos e outras entidades, foi aos humildes póveiros o sucesso do salvamento, tendo sido louvados e condecorados pela sua coragem, não só a tripulação do salva-vidas “Cego do Maio”, mas principalmente o seu principal elemento – o Patrão Lagoa – que desrespeitando a ordem do Capitão do Porto, de Matosinhos, para não se fazer ao alteroso mar, mesmo debaixo do termo de “Ordem de Prisão”, que recebeu não obstou que avançasse em direcção ao “Veronese” a reboque da “Bérrio”, condição imposta pelo Capitão, depois de várias intervenções de várias autoridades entre as quais se encontrava o Administrador do Concelho da Póvoa, Santos Graça. Mas demos a palavra à bisneta do Patrão Lagoa, já que quanto aos episódios decorridos para o salvamento, melhor que uma minha descrição, aconselho os possíveis “ledores” destas minhas mal alinhavadas letras, a consulta do Póvoa de Varzim, Boletim Cultural da Câmara Municipal, vol. 41. 2007, pag. 74. Maria de Nazaré, diz-nos que as únicas referências que tem aos seus avoengos, se referem apenas ao seu bisavô Lagoa, e que as recebeu do seu avô, um dos tripulantes, juntamente com mais dois ou três irmãos, do salva-vidas da epopeia que levou o nome da Póvoa e dos seus heróis aos confins do mundo. Diz que Patrão Lagoa, era um homem altruísta, de boa moral, um tanto do espírito aventureiro, propício a actos de coragem que tão bem incarna o pescador poveiro. Manifesta a sua admiração por este homem bom, que até transmitiu aos filhos a sua crença de que deviam estar sempre presente, quando o perigo rondava qualquer seu semelhante e, a prova, esteve quando na arrojada tripulação do salva-vidas figuraram três ou quatro filhos. Achava, como tal, que só uma coragem inaudita e uma certeza no seu comando, podia fazer aventurar os próprios filhos na tarefa gigantesca que ousou praticar. No momento de grande tensão, quando da machadada que cortou a amarra de reboque ao Bérrio gritou ele no seu, certamente, vozeirão, para a frente, para trás nem um palito. A sua ascendência paterna, diz, como já deve saber, é de origem piscatória enquanto da parte da minha mãe, era de artífices, dado que os meus ascendentes se dedicavam a fazer gigos (cestas de vime). Algumas pessoas, por esta minha ascendência materna me apelidam de “giguinha”, termo que não gosto e sempre reclamo que sou LAGOA, nome do meu bisavô, que eu com muita honra prefiro. Sinto-me orgulhosa dos seus feitos heróicos, e orgulho-me em usar esta alcunha de família poveira. Assim são os poveiros. Não arrenegam os seus antepassados que como Camões, afirma, por actos sublimes “da lei do morte se vão libertando”. E a conversa continuou até que, notando que estava a ocupar o tempo da gentil senhora, em prejuízo do seu negócio, terminei, prometendo não me esquecer da evocação do homem bom que foi o seu bisavô e, como tal o prometido é devido aqui estou a recordar, repito, um HOMEM BOM da Póvoa do Mar. A pouco mais de dois anos do centenário – 16 de Janeiro de 2013 – do encalhe do Veronese nas pedras da Lanha, no mar de Leixões, bom seria que as forças vivas da Póvoa do Mar, não esquecessem essa data, homenageando não só Patrão Lagoa, mas todos os heróis poveiros, desde os mais notáveis como Cego do Maio, Patrão Sérgio e outros mais obscuros de que não reza a história e que pela sua coragem figuram nos Anais Poveiros. Por certo já cá não estarei neste mundo, mas lá, no Além, ficaria contente por esta sugestão “não cair em saco roto”. Julho de 2010 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 21:13

24
Jul 10
QUE ATRAPALHAÇÃO ! Hoje vou contar um episódio dos princípios da minha vida de trabalho. Cedo principiei a “comer o pão que o diabo amassou”. Aí, com treze anos apenas, fui marçano, na Junqueira, no estabelecimento “Rosa de Ouro”, e é neste período que, certa manhã, me aconteceu uma peripécia que ainda hoje, decorridos tantos anos, me faz dores de barriga despertando gargalhadas quando a conto a alguém. No armazém, bastante escuro, onde se guardavam os sacos com os géneros de mercearia, massa, arroz, açúcar, amendoim e outros produtos, constantemente se deparava com os sacos, apresentando sinais de que por ali devia andar rataria. Era difícil, encontrá-los, pois quando se acendia a luz, eles, como por encanto, escapuliam-se. Para se averiguar, encarregaram-me de pôr à espreita na escuridão, e notando qualquer sintoma dos nojentos bichos, acender rapidamente a luz e ver por onde eles desapareciam. Dito e feito, lá me “pus à coca” e quando pressenti, dei ao interruptor e a luz brilhou. Então reparei que três ou quatro roedores fugiam e entravam por um pequeno buraco no chão, mesmo ao meu lado. Num acto irreflectido, dei uma “patada” sobre o buraco para impedir a fuga. Mas, julgava eu, que tinha conseguido impedir que o último “Mikey”, entrasse no buraco. Procuro, procuro e nada encontro, e “com os meus botões pensei” :foi mais ladino que eu! Entretanto, principiei a sentir na bochecha do rabo, uma arranhadela. “Boto” a mão às calças e senti um inchaço e ao apertar, ouvi um leve chiar. O raio do bichinho, não podendo entrar no buraco, resolveu a situação. Subiu pela perna das calças, e foi alojar-se no quentinho, pensando, se é que os ratos pensam, ESTOU A SALVO! Pois, meus amigos, nunca na minha longa vida me lembro de despir as calças tão depressa ! Luís Costa
publicado por Varziano às 19:11

UMA NOTA DE CINCO PAUS Estava-se na Semana Santa e ele, o pequeno rapazinho, sete ou oito anitos, tinha cumprido como mandava a Santa Igreja, pois tendo feito já a primeira Comunhão era sua obrigação ir à desobriga, mesmo teria que o fazer, para isso a tia, católica muito convicta e praticante lá, estaria para que o “rapazelo” não descurasse a obrigação. Era zeladora do altar da Senhora da Senhora das Dores, e sempre o obrigava a acompanhá-la quando ia tratar de alindar o templo da Senhora. Como era e é de tradição, na Quinta e Sexta Feira Santa, como representação das Estações de Roma, já não sei se são cinco ou sete, normalmente em cada terra, eram as igrejas estão desnudadas, dos altares desaparecem todas as representações e as imagens encobertas, igrejas que os devotos percorriam numa quase Via Sacra. Mas a meio da igreja, eram depositados o esquife do Senhor, e no caso da Capela das Dores, era a imagem da Mãe de Deus, com o seu melhor vestido e rico manto de veludo que ali era posta. Já se sabe, ele como rapaz, nesse dia não acompanhava a tia para ver vestir a Senhora, iria lá ter mais tarde. E assim foi. Nessa quinta feira, desabou um tremendo vendaval. Chuva e coriscos riscavam o Céu, mas ele não podia deixar de prestar a devoção. De repente uma rajada de vento mais forte, colocou a seus pés uma nota de cinco escudos - cinco mil reis ou cinco paus – escolham a melhor maneira de lhe chamar. Jubiloso, pensou lá para ele : é milagre da Senhora, pelo sacrifício de ir até ao Monte, arrostando com o temporal. Chegado ao templo, mostrou à tia a nota e como a tinha arranjado. A tia pressurosa, diz-lhe: - Menino a nota não é tua. Achaste-a, não sabes de quem é. Portanto, tens de metê-la na Caixa das Esmolas. Vai lá. O miúdo, não gostou do conselho e principiou a remoer. Então a nota veio do Céu e agora tenha que a meter na Caixa das Esmolas? Então, minha Nossa Senhora, mais valia não ma dares. Cinco paus um dinheirão para ele que lhe daria para comprar um data de rebuçados dos bichos, e fazer uma data de colecções, comprar uns carramilos de açúcar, uma zocha nova, porque a que tinha estava estragada com as nicas que tinha levado, quando lhe racharam o “pião das nicas” ! “Nã”, tinha de arranjar uma solução. Matutou, matutou e de repente a luz surgiu. Já sei, meto a nota na frincha da caixa até meio, tiro-a e viro-a ao contrário e meto a outra metade e assim a nota entra na Caixa das Esmolas, mas não fica lá e fica satisfeita a recomendação. Luís Costa
publicado por Varziano às 19:03

HÁ SESSENTA E NOVE ANOS ! …. 1 de Setembro de 1939. Parece que foi ontem ! Manhã brumosa. Na paria apenas e quase só os banhistas de todo o ano. Os de Agosto já tinham partido e os de Setembro estariam a chegar e a desfazer as malas. O mar, apesar do tempo enevoado, convidava a um mergulho. As ondas desfaziam-se, beijando a areia. O sinal sonoro – a Ronca da Póvoa – lá se fazia ouvir desde a Boa Nova até Esposende, prevenindo os mareantes contra os perigos, escondidos pelo nevoeiro - a Ladra, perto da barra da Póvoa, os escolhos desde Leixões até aos Cavalos de Fão, sinistra e constante a ameaça para os mais desprevenidos ou incautos marinheiros. O Modesto, na cabine de som instalada no areal, junto ao passeio da avenida dos Banhos, em frente do Passeio Alegre, ia entretendo com modinhas brasileiras, os poucos passeantes que naquela manhã nevoenta, numa espécie de tirar água à nora, se afoitavam a circular entre o espaço entre o toldo de zinco do Miguel Mouco e a Esplanada. Assim decorria aquela manhã de 1 de Setembro, dia de má memória. Como habitualmente pelo meio dia o falecido amigo interrompeu a sessão de música gravada, e desejando aos escutantes um bom almoço e informando que pelas 3 ou 4 horas da tarde, ali estaria esperando aqueles que quisessem dedicar um disquinho à sua bem amada, os aguardaria com as coqueluches de então, como “O PIRATA DA PERNA DE PAU, OLHO DE VIDRO, CARA DE MAU”. A rapaziada poveira, mesmo sem música, continuou a lançar-se às salsas ondas, num frenesim empolgante, desafiando as vagas que se iam enrolando na areia da praia, de mistura com os corpos amorenados do Sol de Agosto que se foi. E de repente, o som musical da Cabine e a voz do Modesto, volta a ouvir-se. Qual a razão para este recomeço de transmissão ? Todos se interrogavam e, nesse momento, o Modesto voltou aos microfones, chamando a atenção para uma notícia de última hora: “-A Cabine de Som, cumprindo com a sua obrigação de não dar só música aos veraneantes da Póvoa e prestar-lhes outros serviços, quer também dar-lhes um eficiente serviço de informação. E assim, com mágoa, dá a conhecer que na madrugada de hoje as tropas nazis, invadiram o corredor de Dantzig, cortando as ligações da Polónia com o Mar Báltico. A aviação alemã bombardeou já algumas povoações polacas. Os governos Francês e Inglês, convocaram uma reunião ministerial para analisar o insólito problema. Parece que vão estudar um ultimatum dirigido ao governo alemão, para que se retire, imediatamente, de Dantzig.” Com uma notícia assim de chofre, os poucos banhistas que estavam na língua da maré, rapidamente deixaram o banho e correram, pode dizer-se, para o Universal, o único café então da Póvoa que se dava ao luxo de ter um aparelho de rádio, para ouvirem o noticiário da uma hora da tarde, da Emissora Nacional e saberem mais pormenores. Para as gentes de hoje, talvez possa parecer impossível, a corrida que se gerou para o Universal, dado que hoje qualquer bicho careta tem acesso aos transístores, pequenos rádios portáteis, telemóveis com televisão e, nas nossas casas, naquele ano de 39, os modernos meios de informação e divertimento era um sonho irrealizável – televisão, nem sequer se pensava ainda e, os rádios, só os endireinhados os possuíam. E foi assim que tomamos conhecimento do que seria a causa da grande hecatombe que assolou a Europa, primeiro e, depois o mundo durante mais de seis anos, com as consequências terríveis de uma guerra - fome, mortandade, holocausto, destruição, em suma, miséria – e nós por cá sentimos e bem o que foram esses seis anos - racionamento com alimentos às pingas, faltou tudo o que era de primeira necessidade e não só. Principiaram por cá as mobilizações e a nossa juventude lá partiu para a Madeira e Açores e para o Ultramar, como então chamavam a Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique, Índia Macau e Timor. Foram tempos difíceis que esperamos não se voltem a repetir. Braga, 12 de Agosto de 2008 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 18:54

23
Jul 10
TRES FIGURAS POPULARES POVEIRAS Manel Ceguinho, Miséria e Macário Trago hoje aqui três figuras populares poveiras que, pelos anos quarenta do findo século XX, palmilhavam a Póvoa do Mar e que, apesar dos anos que já passaram, ainda retenho na minha mente. “MANEL CÉGUINHO”, como ficou por todos os poveiros conhecido, e como o indica a palavra que segue ao seu nome de baptismo, era um invisual. Morava com sua família ali, na rua Tenente Valadim, numa casa fronteira as traseiras do jardim do Casino. Quase todos os dias via o “Manel”, calcorrear o passeio poente da rua Santos Minho, carregando sobre os ombros um cântaro de água, que ele ia encher na rua das Lavadeiras, hoje Joaquim Martins da Costa, no cano de água que ali existia, e que até deu o apelido do comerciante que deu o nome à rua – Quim do Cano. Sempre bem disposto, e sempre respeitado pelo rapazio, o que é notável, o Manel Ceguinho, lá seguia rua fora, com o matraquear de um pau que lhe servia de bengala, cantando uma lenga-lenga, parecendo que não o incomodava a carga que levava sobre os ombros. Nunca cheguei a perceber porque ia a tão longe da sua casa procurar e carregar com o cântaro. MISÉRIA , era um pobre, meio demente talvez, que passava o dia, praticamente encostado à parede, a meio da Junqueira, mais ou menos por perto da casa de chapelaria feminina Umbelina Bastos, quase junto da farmácia, creio que “Moderna”, onde pontificava o farmacêutico Lemos, com a sua imponente e retorcida bigodaça, pessoa influente na vida social poveira. Podemos dizer, que ali era um local estratégico onde o Miséria se postava na mira de arranjar uns tostões, pelo menos para sustentar o vício do cigarrinho. Era certo e sabido que ao passar pelo seu quartel general, não se ficasse surpreendido com o pedido: “Menino, dá-me um cigarrinho”. Dizem (vendo a informação pelo preço que a comprei), que o Miséria (o seu nome verdadeiro nunca o soube ), quando adoeceu, levaram-no para o Hospital, e para ele água por certo era um veneno, quando lhe deram um banho, “esfaleceu e bateu a bota”. Por fim temos o MACÁRIO SOROMENHO, velho pescador, inválido por cegueira e também de uma mão, acidente que foi o resultado do rebentamento de uma vela de dinamite, meio então muito usado na pesca da sardinha. Este método acabou e muito bem por ser proibido na pesca. Macário, apesar da sua diminuição física, parece que sempre a considerou como um mal menor. Filósofo doutrinário, poeta e político avançado, Macário Soromenho, ainda se fazia ouvir nas suas diatribes, por vezes bastante cáusticas. Jamais posso esquecer uma delas quando um sem homónimo publicou uma opinião em verso, ao qual resolveu criticar acabando pela frase : “que te valha o santo do nosso nome, já que eu te não posso valer”. Macário Soromenho versejador repentino, ainda teve a honra de ver alguma das suas poesias em letra de forma, através de um ou outro jornal. Morava na avenida Mousinho, no gaveto formado pela rua de São Sebastião. Não sei qual o seu final de vida. Sei e apenas, que ainda o conheci quando para angariar algum, era comissionista de um fábrica de massas alimentícias do Porto. Eis três figuras poveiras das quais muito poucos se devem lembrar, a não ser qualquer velho rezingão como eu. Braga, 1 de Agosto de 2008 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 19:47

RECORDAÇÕES DA PÓVOA Luís Costa Numa das minhas passagens esporádicas pela Póvoa, onde já tenho levado muitos dos alunos que, em Braga, frequentam as Escolas de Terceira Idade ( vulgo Universidades de Terceira Idade ), tive que deambular por aquela nossa cidade, que para muitos, é(ra) só o areal, a praia de banhos. Necessariamente, aos revelar-lhes uma Póvoa diferente daquela que eles conheciam tive que lhes mostrar, graças ao Amigo Ferreira Lopes, o museu, a biblioteca, o castelo de Nossa Senhora da Conceição, a Matriz, a Capela da Senhora das Dores, entre outras muitas coisas, que para esses estudantes era uma Póvoa desconhecida. Entrei por Aver-o-Mar, ( para mim sempre gostei do seu popular nome ABREMAR ) e deparei com uma terra para mim desconhecida. Julguei estar num País, em qualquer parte do mundo, menos às portas da Póvinha ( sinal da era ! ). Em tempos idos que jamais voltam. passei por ali muitas tardes de verão, num sossego absoluto, sem o trepidar dos meios de comunicação que não só atroam os ares, como num enchem de poluição, no primeiro caso sonora e no segundo nos envenenam os pulmões e o sangue. Hoje, a onda do progresso que assaltou esta ridente freguesia, não nos torna possível desfrutar o bem estar de outro tempos. As construções habitacionais, surgiram por aquelas bandas, como cogumelos em pinhal derrubado e abandonado que, quanto a mim ( podem discordar à vontade ), descaracterizaram uma aldeia tipicamente piscatória. Como acima disse, podem discordar, achando que sou " bota de elástico ", mas gosto do sossego e por isso era o meu local escolhido para passar as férias de Verão. Barulho, empurrões, bichas, bastam as dos meses restantes do ano, quando os temos de suportar no dia a dia do trabalho. Hoje o bulício da Póvoa no Verão, se para muitos ( e que o são ) é agradável, para mim que já vou a caminho " dois carros " , isso é insuportável. Ele extravasou os limites da velha vila da Póvinha do Mar, deu-lhe com razão os foros de uma cidade moderna, ultrapassou a faixa marítima de Beiriz sem ligar ao "Juiz do Sub-Sino " e entrou, sem cerimónias pelo antigo lugar de Amorim, (ABONEMAR - Liber Fidei, doc.150, pag, 176 - Tomo I. - Prof. Dr. Avelino de Jesus Costa) . Passando pela deslumbrante orla marítima, onde se nos deparam os caprichosos arranjos dos montes de sargaço e que ao longe nos dão a ilusão de estarmos em pleno sertão africano com as suas palhotas, encontramo-nos na praia do pescado daquela freguesia - a praia e portinho da Forcada. Seguindo em direcção à Póvoa, tive o desgosto de ter de deixar de continuar a ver as salsas ondas correndo e beijando as areias da praia da Lagoa, agora vedada pelo Vermar e ter de me sujeitar a dar a volta ao hotel até chegar ao local onde se acha instalado o monumento à Póvoa, às suas gentes, à vida dos povos da beira-mar e do interior do concelho, e só depois poder desfrutar a vista do nosso mar pela moderna e muito modificada Avenida dos Banhos. No Monumento, cuja concepção, quanto à beleza artística, nada se pode apresentar de mal, é até um bom e bonito exemplar que dignifica o escultor que o concebeu, está destacada toda a actividade das gentes do concelho, desde aquela que deu também a esta terra fama - a agricultura - as novidades que dos Campos Masseira vão até aos mercados de todo o Norte como os saborosos coivões e batatas da areia, tão apreciados nas Ceias de Natal, até aquela que deu fama e nome que ultrapassou as fronteiras da região - a vida do mar - o mar em si, a bravura dos pescadores que dia a dia arriscam a sua vida, procurando meios de subsistência que só no mar sabem achar. São os descendentes desses homens que no já longínquo ano do século passado responderam ao Rei Dom Luís, ao vê-los numa frágil casca de noz , longe. a muitas milhas distantes da orla marítima, se eram portugueses, responderam, humildemente : " somos, pela graça de Deus, da Póvinha do mar " Ora a Póvoa sempre viveu do mar. Foi, principalmente, o mar que a projectou desde tempos imemoriais. Logo os pescadores tem lugar de destaque no monumento. Mas vale a pena procurar um pouco da história da Póvoa. Para isso socorri-me de algumas obras que falam desta terra de pescadores, como o dicionário " Portugal Antigo e Moderno " ,de Pinho Leal, Vol. I I , pag. 618, 2ª edição, Braga. 1860, que diz : " Póvoa de Varzim " - Villa, Douro, cabeça de concelho e da comarca de seu nome ( roda-pé, informa que " era apenas cabeça de concelho, da comarca de Villa do Conde, que lhe fica a 4 kilómetros ao S. ; mas, em Junho de 1875, for criada a comarca da Póvoa de Varzim, separando-se o seu julgado da comarca de Villa do Conde ), 37 kilómetros a O. de Braga, 33 ao N. do Porto, 43 a O. de Guimarães, 40 ao S. de Viana do Lima, 338 ao N. de Lisboa, 3.500 fogos - em 1757, tinha 545 - Orago, Nossa Senhora da Conceição, Arcebispado de Braga, distrito administrativo do Porto. O Cabido da Sé de Braga apresentava o reitor, que tinha 360$000 reis e pé de altar. O concelho da Póvoa de Varzim, é formado pelas 10 freguesias seguintes : - Amorim, Argivai, Balazar, Beiriz, Estella, Laúndos, Nabais ( ou Navais ), Póvoa de Varzim, Rates e Terroso, todas com 5.600 fogos. . . . Fica na costa do Oceano Atlântico, em 41 º 22 ' de latitude, e 13 ' de long. ocid. " Logo, por uma pequena análise se nota que, dessas 10 freguesias, pelos menos 5 tinham confrontação directa com o mar - Amorim ( que não tinha desmembrado ainda Aver-o-Mar ), Beiriz ( a qual possui uma faixa até á praia fronteira ao Vermar - entre a zona desportiva e Aver-o-mar ), Estela, Aguçadoura e Póvoa. Das restantes - uma há que parece ter sido o núcleo que deu origem à Póvoa de hoje - Argivai - como adiante veremos. Quanto à freguesia Navais, esta está tão perto da costa que dificilmente poderemos dizer que não é uma localidade costeira. Restam-nos as do interior do concelho Laúndos, Terroso, Rates e Balazar. De facto estas não se podem considerar costeiras mas a influência do mar, dos seus produtos de fertilização da agricultura não era do que os pescadores e homens e mulheres da língua de maré o extraiam e o colocavam à disposição dos lavradores - Pilado e sargaço, quando não até, muitas vezes, a sardinha miúda quando a abundância era demasiada ? Portanto a Póvoa sempre viveu com o mar e o seu desenvolvimento está directamente ligado a ele. Mas continuemos com Pinho Leal. " . . . Tem um porto e enseada, onde antigamente entravam navios de todos os lotes, mas que há muitos annos se acha obstruído pelas areias, dando apenas entrada a embarcações miúdas. Uma grande parte da população se emprega na indústria de pesca, do que vivem exclusivamente : sendo os pescadores d'aqui, os mais audazes do norte, e tão corajosos como os de Olhão, no Algarve. " Mas nem só a arte da pesca trouxe a prosperidade a esta pequena terra . Vejamos o que diz ainda Pinho Leal : ". . . Posto ser uma povoação muito antiga, era pobre e insignificante, composta, na sua maior parte, por barracas e pequenas casas térreas, de pescadores. A vulgarização da moda dos banhos de mar, tem feito prosperar quase rapidamente esta povoação, que está sendo uma das mais belas do litoral português. Tem boas hospedarias, cafés, ( superiores em magnificência, a muitos de Lisboa e Porto ) óptimos edifícios particulares e bonitos passeios. " Não podemos esquecer que a fama dos banhos de mar, na Póvoa vem de longe. Podemos dizer que então a época dos banhos de mar, tinha outra concepção . Eram eles como um curativo, como uma saudável maneira de proporcionar aos que até aqui vinham uma possível estadia nas suas terras de origem durante o inclemente Inverno, porque o Mar da Póvoa lhes tinha retemperado o corpo para enfrentar as rudes invernias. Não procuravam, como hoje o bronzear a pele. Nesses tempos era de bom tom, a brancura da epiderme. Também a época de veraneio, não tinha o seu inicio como agora, no mes de Julho. Então a época principiava por meados de Agosto e prolongava-se até Novembro. A explicação era a de que então quem frequentava a praia era, em Agosto e Setembro a Nobreza da Província que deixando as suas quintas com as colheitas já quase prontas, vinham de abalada até ao mar e, só depois do seu regresso, é que os caseiros, os vinham substituir e até era, então conhecidos como o apelativo de ceboleiros, gente honrada e humilde que só abandonava os seus trabalhos de lavoura depois da vindima e da colheita do milho. Esta gente mantinha a Póvoa animada por Novembro dentro. O Livro de Actas da Câmara de Braga. anos de 1837 - 1839, dá-nos um a referência interessante que nos prova o que acima dizemos. Assim a fol. 132 v. - 29/ 08/ 1838, vemos que : " O Presidente da Câmara ( Bacharel Francisco Xavier de Sousa Torres e Almeida, requereu : " ... que tendo com a sua família no dia primeiro do futuro mês de retirar-se para uso de Banhos de Mar segundo lhe foi indicado pelos facultativos, se convocasse o substituto ... ". (segue) pag.4 Mas nem só os lavradores se mantinham por este mês, e até ao São Martinho. Também outras classes neste mês na Póvoa estanciavam. Sabemos, que, através da publicação " O CABIDO DE BRAGA ", de A. Luís Vaz, um Deão da Sé de Braga, aqui faleceu em Novembro de 1861 : "D. Guilherme Jerónimo da Cunha Reis, ...Deão, Deputado da Nação, nasceu a 15- 04 - 1795 e faleceu na PÓVOA DE VARZIM. ONDE ESTAVA A BANHOS A 14 - 11 - 1861" Um livro publicado em Chaves, fala dos banhistas, ao referir-se ao famoso GRITO, isto é ao relatar factos dos tempos das lutas liberais, diz que um carreteiro ou almocreve, que fazia o transporte de passageiros banhistas que para aqui vinham a banhos oriundos de Chaves e todo a região de Trás os Montes, ao passar no alto do Marão, pedia aos seus clientes que alto e em bom som gritassem VIVA O SENHOR REI DOM MIGUEL, grito que era depois compensado na Lixa, com uma boa arrozada de frango, por sua conta. E acabamos também de recolher uma outra informação sobre o benefícios dos banhos de mar e que remetem o seu uso para 1823 . No Livro "RAIZES DA LIBERDADE ", de João de Sousa da Câmara, edição de Braga, 1995, encontramos uma referência a um conselho médico para a toma de banhos de mar. Trata-se do conselho dado pelo facultativo para que Francisco Pereira de Sousa Meneses e sua esposa Dona Inácia Xavier Caitana de Aragão e Castro, ele da família Biscainhos, para frequentarem assiduamente os banhos de mar. Não indica a Póvoa, mas isto só vem provar que os benéficos banhos nas salsas ondas eram, já há muitos anos, aconselhados. Mas passemos a transcrever esse parágrafo do acima citado livro : " . . .Deverá dizer-se que o casal, por recomendação dos médicos, passa a frequentar assiduamente os banhos de mar em Pedrouços . . . " E de novo Pinho Leal nos informa : " A concorrência de banhistas, é aqui espantosa, vindo famílias de muitas léguas de distância. A indústria piscatória também nestes últimos tempos se tem desenvolvido prodigiosamente. " A moda dos banhos do mar, se pode mesmo então ser considerada moda, tinha a sua componência de ter ou de proporcionar remédio para alguns males, principalmente se o doente era reumático ou se tinha necessidade de fortalecer o seu organismo, procurando nos banhos de mar, tomados directamente na língua da maré, ou nos benéficos banhos quentes de água salgada, tomados em quatro ou cinco estabelecimentos balneares que os havia na Póvoa. Parece que o entusiasmo pelos benéficos banhos de mar, remonta aos princípios do século X I X. Assim nos informa Raúl Brandão, no seu livro " EL --REI JUNOT ", reedição da Biblioteca Autores Portugueses - Imprensa Nacional - Casa da Moeda, que a páginas 136, diz que em 1805, citando Machado de Castro, Ms. : " Tomavam-se banhos de mar em Caxias onde iam vários criados do Paço tomá-los " Consultando o jornal " A P R A I A ", vemos que muitas das melhores famílias de Braga , Guimarães e outras mais distantes terras do Pais procuravam o benefício de uma férias na Póvoa, para apenas descanso ou até, como acima se diz, para benefícios da sua saúde. Assim vemos que no numero publicado em 10 de Agosto de 1899, menciona além de pessoas e famílias bracarenses, que vieram estanciar à Póvoa, como o Visconde de Sinde, o comendador Guimarães e família, o Dr. Manuel Joaquim Peixoto do Rego e Amorim o comendador Alberto Matos, cujo filho ainda hoje frequenta a Póvoa, a família Américo Barbosa, a família Mota Belo, cujos descendentes continuam arreigados às férias poveiras, e muitos mais que da cidade dos Arcebispos desciam até à língua do mar poveiro, a esta praia. Mas também se dava o mesmo com as famílias de Guimarães, cidade que ainda hoje dá um forte contingente de pessoas , no verão e nos dias calmosos á Póvoa. Muitos deles aqui mandaram construir as suas casas de veraneio. Dos que no final do século, e da cidade berço, vinham até às salsas ondas da Póvinha do Mar, podemos destacar, entre outros os nomes da Marquesa de Lindoso e família, Visconde de Viamonte e família, Comendador Luís Fernandes, João Abreu e família, Dona Ana Mendes Ribeiro, Domingos Martins ( Aldão ) e muitos outros vimaranenses Nesta lista de pessoas gradas do Norte, fazem parte numerosos banhistas do Porto e de toda região duriense, e ainda de Lisboa, de Santarém, de Fafe, de Cabeceiras de Basto, de Lamego, de Vila Flor, do Brasil, do Pará, numa profusão de nomes dos mais ilustrados e nobres de toda a região, mostrando que a Praia da Póvoa , era então, como hoje, uma estância verdadeiramente cosmopolita. Pelo mesmo jornal, ficamos a saber que os banhistas, não se ficavam só pelos benéficos banhos de mar. Também procuravam outros divertimentos, não só à noite, nos cafés. sempre com variedades, aos quais não faltavam as bailarinas, quase sempre espanholas, mas, durante o dia, procuravam outras distracções, alheias à habitual estadia nos toldos de zinco, onde passavam muitas tardes ao abrigo das fustigantes nortadas, como nos relata quase em roda-pé o referido jornal da " PRAIA " . RECORDAÇÕES 2 (Segue) pag. 5 P I C - N I C " Digam lá que há falta de divertimentos na Póvoa. Para complemento do tempo ruidoso e alegre que aqui se passa , vai realizar-se no próximo sábado, um brilhante " pic-nic ", para o qual estão já inscritas mais de cem pessoas. A Comissão promotora desta festa tem-se esforçado por lhe dar todo o brilho e a maneira como este ideia foi recebida pela nossa distinta colónia balnear e pelos habitantes desta villa leva-nos a crer que será um dia admiravelmente passado. O lugar escolhido para o almoço foi a Espinheira. Pede-nos a comissão para noticiarmos que, a pedido de algumas famílias, a saída efectuar-se-há do Café Chinês às 12 horas e não às 9 1/2 horas da manhã como estava anunciado ." Mas outros divertimentos dava a Póvoa aos seus habituais frequentadores, num desejo de sempre proporcionar aos banhistas uma agradável estadia de férias. Assim temos que não podiam faltar as touradas, espectáculo sempre desejado, não só por aqueles que aqui vinham " balnear", com até aqueles amantes da tauromaquia, desta região nortenha, aproveitavam e vinham passar um dia à beira-mar, e satisfaziam a sua paixão por este espectáculo . No jornal a que me venho reportando, lá está a notícia de uma tourada : T O U R O S " Fez-se a primeira corrida no último domingo, inauguração da época nesta praia. O gado saiu bravo e cumpriu bem. Do trabalho dos artistas há a notar o de Tomaz Abreu ( Mazantinito ), que se apresentou muito prometedor. Agradou em todas as lides e foi muito aplaudido. Nas pegas - especialmente nas do segundo cornupeto - os moços de forcado foram violentamente enxovalhados. O criador, Maurício de Carvalho, foi chamado à praça e vitoriado. " Chegada a noite não acabavam os divertimentos proporcionados aos banhistas. Voltando ao jornal " A PRAIA ", vemos que a animação nocturna estava confiada aos cafés, nos quais uns grupos de bailarinas, quase sempre espanholas, acompanhadas de grupos musicais, entretinham a sociedade que não tinha no jogo o seu passatempo. Assim respigando desse jornal da época vamos transcrever alguma coisa que nos interessa para avaliarmos o que erra essa tal animação nocturna : P E L O S C A F É S " Concentrou-se ali toda a animação da praia, todo esse viver pelo diletantismo sem o qual não se compreende a vilegiatura entre nós. Se, na realidade. os banhistas pretendem curar-se de qualquer moléstia verdadeira ou imaginária, quer do coração, quer dos nervos cá estamos no encalço da descoberta da receita para o tratamento : banhos de mar e musica, partes eguais. Ora como esta receita é de resultados eficazes, calcule-se lá o numero dos que procuram ansiosamente a cura dos seus males, saindo do banho e correndo para os cafés, só com o descanso indispensável para que o efeito da primeira dose predisponha bem para a aplicação da segunda ! E, ao que vemos, é fora de dúvida que as virtudes da musica, sobrelevam, sob o ponto de vista terapêutico, as da água salgada . . . Percorramos ,então, os cafés, esses sanatórios da beira mar, onde vae em busca da alegria e bons humores para complemento do bem estar que ao corpo proporciona o oceano. " Lembra, então, com saudade o antigo Café David, já na altura apenas uma recordação, para logo passar para O SUISSO, o café da moda. Neste tinham lugar bons concertos, bailados e por, vezes até "matinées". Diz que ali bem cabidas as preferências dos veraneantes, que se deleitavam com boa musica, a que então havia de melhor e mais em voga. Por aquele palco passou a "VIRTUOSE" Guilhermina Suggia, um tal violinista Pastor. Boa musica, esplêndida música, que por aquela sala passava, sublime nas execuções, que fazia consubstanciar em " em nossa alma fremente de entusiasmo" aos acordes de uma tarantela de Poper ou aos trechos da "Cavalara Rusticana" A vida nocturna era o complemento, indispensável , a umas férias à beira mar, fossem elas para curar males de nervos ou de . . . coração. Como vemos a época de banhos tinha muitos atractivos, mas a razão principal da vinda de tanta gente à Póvoa era o seu mar. Era o atractivo, de resto como ainda hoje o é. Molhar os pés na água salgada, retemperar o organismo com o cheiro da maresia, "cachafundar" nas ondas e descansar amarrado à corda era um prazer que seria lembrado ao rodar dos meses do ano, suspirando por uma nova época. Se é muito difícil saber, quantos, pelo menos os mais abastados que procuravam os banhos de mar , se o vinham por receituário do facultativo, ou pelo menos para gozar uns dias de descanso, há pelos menos uma fonte pela qual ficamos a saber, com segurança, que muitos vinham a banhos procurar melhorar a sua saúde e a conselho dos facultativos. As notícias dos jornais apenas referem que fulano e sua família saíram na época calmosa para banhos, sem qualquer referência se o faziam por conselho médico se vinham para descansar e, muitas vezes, folgar. Mas, como disse acima há uma fonte segura, de onde podemos dizer que vinham a banhos por conselho do facultativo. Nos Livros de Actas da Câmara de Braga, entre referências de que alguns funcionários pediam licença para se ausentarem para "irem a banhos de mar", há outras referências, estas em " Livros de Correspondência Expedida " que indicam que, não funcionários mas " expostos ", vinham a banhos por conselho médico. Assim vamos dar, pelo menos para servirem de exemplo, a extracção de notas de um desses livros que se encontram à guarda do Arquivo da Câmara Municipal de Braga, e referentes a meados do século passado : Admºr do Con.ce da Póvoa de Varzim " Nota nº 205 - Setembro 7 - Por acórdão da Câmara Municipal a que presido vai para essa praia nesta data afim daí fazer uso de banhos de mar por tempo de quinze dias úteis, o exposto deste hospício chamado Eduardo nº 24 do ano de 1888, acompanhado pela ama respectiva Rosa Vieira, casada, da freguesia de S. Vicente de Penço, deste concelho . E em nome da caridade, rogo a V.Exª, segundo o estilo para que digne mandar ministrar os banhos ao mencionado exposto gratuitamente, bem como prestar-lhe os socorros de que ele carecer, durante a sua estabilidade na mesma pensão ( ? ) ; outro sim rogo a V. Exª para regularidade de serviço me informe se a referida ama ai esteve os quinze dias que por esta Câmara lhe foram abonados. Deus Guarde. O Presidente da Câmara -- João Carlos Pereira Lobato d'Azevedo. E com a nota " nº 206 - Idêntico ao nº 205, concedendo 28 dias ao exposto Martinho da Apresentação nº 47, ao cuidado da ama Mª Glr, da freguesia de Seramil, concelho de Amares." E ainda mais outro exemplo : Nota nº 209 - Setembro, 11 - Por acórdão da Câmara Municipal a que presido vai para essa praia nesta data afim de fazer uso de banhos de mar por tempo de 28 dias úteis, a exposta deste Hospício chamada Graciana nº 252 do ano de 1884, acompanhada pela ama respectiva, Maria Francisca, casada, residente nesta cidade. Rogo a V.Exª, segundo o estilo, para que se digne mandar ministrar os banhos à mencionada exposta gratuitamente, bem como prestar-lhe os socorros de que ela carecer, somente na sua estabilidade nessa praia. Outro sim rogo a V.Exª. para regularidade do serviço me informe se a referida ama ai esteve os 28 dias que por esta Câmara lhe foram abonados. Deus Guarde. O Presidente João Carlos Pereira Lobato d'Azevedo. RECORDAÇÕES 3(segue) pag.8 Antes do regresso do exposto e da sua ama à terra de origem, havia, como acima se vê, de junto da Administração do Concelho procurar uma prova de que tinam estado a banhos o exposto, sempre acompanhado pela ama, e até, por vezes, teria que ser mencionado nesse documento passado pela autoridade, o número de banhos que o doente tomou. Assim notamos que a fama do Mar da Póvoa se espalhou como remédio e retemperança de um corpo necessitado de sol, ar do mar, cheiro da maresia, pronto a enfrentar um novo ano de inverno e trabalho. Mas já no principio do século X V I I , ( 1706 - 1712 ), o Padre Carvalho da Costa na sua Corografia Portuguesa, se referia à Póvoa, nos seguintes termos : "DA VILLA DA PÓVOA DE VARZIM" . Hé povoaçam antiga com um porto de enseada, em que antigamente entravão, & sahiaõ navios, da qual foy senhor Dom Goterres tronco dos Cunhas, que sendo francez natural da Gascunha, Província de França visinha da Espanha ao pé dos Pirineos, veyo para este Reyno com o Conde Dom Henrique, que lhe fez mercê desta terra, & de outras em Braga, & Guimaraens. ElRey Dom Diniz lhe deu foral, & a doou a seu filho Affonso Sanches, & entrou no Mosteiro de Villa do Conde por doaçam destes Infantes seus fundadores, até que ultimamente tornou à Coroa, em que está com tributo annual às Freyras de quatro mil reis, & o solho, que ali morre em memória do senhorio. que tiveram. Governa-se por Juiz Ordinário, Vereadores & Procurador do Concelho, feitos por eleiçam trienal do povo, & Pelouro, a que preside o Corregedor do Porto. Vem escrever-lhe por distribuiçam hum dos Escrivaens de Villa do Conde, de que dista hum quarto de légoa. Tem huma Freguesia da invocaçam de Santa Maria, Vigairaria do Cabido, & Mitra de Braga com dez mil reis, ao todo sessenta mil reis, & para a massa do Cabido quinhentos & cincoenta mil reis com a da Urgevay, & dizima do peixe : e tem cem visinhos, de que trinta saõ Couto do dito Cabido." Voltando a Pinho Leal, diz êste autor na obra citada : " Ignora-se a etymologia do sobre-nome d'esta povoação. Querem uns que seja corrupção de Varzinha , pois que está edificada em uma pequena varzea. Outros, julgando que com sonhadas origens nobilitavam a villa, dizem que lhe provém de Cayo Varizino, consul romano, ao qual atribuem a sua fundação. É certo que o primeiro assento da igreja de Argivai, foi no lugar da Varzinha, e que à Póvoa se deu antigamente o nome de Varazim de Jusão ( Varazim de Baixo ). Também se ignora a época em que principiou a dar-se-lhe o nome actual. Vemos que em 1305 se chamava Varazim de Jusão ; mas, o Conde D. Pedro, no seu Nobiliário, dá-lhe o nome de Porto de Varazim." Diz, finalmente, que tudo são opiniões e ele próprio aventa até uma hipótese, na sua " humilíssima opinião " ( sic ) que a origem etimológica, pode estar na origem germânica. Um pouco mais à frente, Pinho Leal, informa que : "Franklim, no seu livro de forais, fez da Póvoa de Varzim, e de Varzim de Jusão ( ou Varazim de Jusão , pois de ambos os modos se escrevia antigamente ) duas povoações diversas, pois dizendo a pag. 154, que o Rei Dom Manuel deu, em Lisboa, foral à Póvoa, a 25 de Novembro de 1514 ( Livro de forais novos do Minho, fl. 55 verso, col. 1ª ) - a pag. 292, e incluído nas terras que não obtiveram foral novo, traz o foral velho de Varazim de Jusão , dado pelo rei Dom Diniz, em Santarém , a 9 de Março de 1308 ( 1288 segundo Carvalho da Costa ) . (segue) pag.9 Povoação que foi aldeia de Argivai, da qual, se desmembrou em 1625, por mérito próprio e dos seus naturais que por certo tiveram na arte da pesca o seu desenvolvimento, a ponto de se separarem do seu primeiro núcleo, tornando-se paroquia independente. Parece que as armas da Póvoa não constavam ao tempo de Pinho Leal na Torre do Tombo. Alguns escritores julgavam que elas eram as antigas armas de Vila do Conde ( reportamo-nos ao que diz o autor citado ) De facto, se repararmos bem na portada principal gótica - manuelina, da Igreja Matriz de Vila do Conde, notamos que lá estão representadas, entre outras, as actuais armas da Póvoa. Qual a razão ? Desconhecemos, mas será esta a da opinião de que se trata das antigas armas de Vila do Conde ? ou seria porque a velha Varazim, povoação que pertencia aquela vizinha cidade de hoje, já então se ufanava de ter a sua MARCA PRÓPRIA ? E continuando com as informações obtidas através do Dicionário Portugal Antigo e Moderno , vemos que o mar e a pesca foi sempre o principal desenvolvimento da importante cidade de hoje. Assim por ele achamos a informação de que na época em que foram recolhidas , já então se dizia que o que a mais tem feito prosperar - além dos banhos - era a pesca, que se faz em grande escala, peixe que se exportava não só para o Porto mas também para as províncias nortenhas e até para a vizinha Galiza. Faz de seguida um balanço da actividade dessa gente honrada e heróica, dos seus apetrechos marítimos, dando a informação que então havia cerca de 400 embarcações empregues na pesca, entre lanchas do alto, lanchões, e outras pequenas embarcações como o batel, a catraia grande, a catraia pequena e o caíque, estes destinados à pesca não muito longínqua. Também Vasques Calafate, poveiro de quatro costados, sempre pronto a defender a sua menina dos olhos - a Póvoa - as suas gentes, as suas gestas heróicas, afirmava num desdobrável, nº 184, publicado por volta dos anos de trinta, o seguinte : " Hoje, a Póvoa vive do turismo e da laboração das suas fábricas de conserva de peixe . . . Embora notável a receita da chamada época balnear, ela não compensa a que provinha do exercício da pesca, base importantíssima da economia local, e a que se deve a transformação do antigo e reduzido núcleo de pescadores na grande vila da Póvoa de Varzim" . Como vemos era como é hoje o mar que deu vida à Póvoa, a principio pela aventura do mar de onde extraiam o seu ganha pão pela pesca, como mais tarde, como estância turística e de veraneio que veio completar e aumentar o seu desenvolvimento. Posto isto e como o nosso reparo está justificado, quanto ao possante boi que sobressaí no monumento, passemos a analisar o barco e a sua vela. Todos sabemos, os da Póvoa ou os que há longos anos por aqui assentaram arraiais e a tomaram como sua terra, que a vela do Barco Poveiro, era uma vela triangular, VELA LATINA, própria para navegar no "nosso mar ", á bolina, porque não estando o vento de feição, com a sua manobra de bolinar, vinha a porto de salvamento, indo por vezes, lá bem dentro do mar e depois, aproveitando o vento, chegavam à Praia. Só quem não se lembra de presenciar a chegada à barra dos barcos, engalanados com a sua altiva vela, onde por vezes se assinalava o lenço de cabeça de uma mulher, sinal evidente de que por ali, andava alguém com casamento prometido, ou então de cimo do velhinho cais de Dom Luís, hoje soterrado debaixo de toneladas de areia, ver deslizar, barra fora, aquelas embarcações, que mais pareciam gaivotas à flor da água, e apurando o ouvido ouvir as orações do mestre, depois de por o barrete ao ombro " um Padre Nosso e uma Avé Maria, pelos nossos irmãos que aqui morreram " , pode concordar com a representação de uma vela que não latina. Vela latina foi o que sempre se viu no mar da Póvoa, em embarcações tripuladas por póveiros. Mas continuemos a falar da Póvoa, dos seus heróis anónimos, bem representados no monumento, os dos seus Cego do Maio, Patrão Lagoa, Patrão Sérgio , ou dos sacrificados como o velho Lira, sempre na minha memória desde que ouvia a sua odisseia e sacrifício quando a seu barco naufragou na barra e ele, depois de um esforço hercúleo, trouxe até à língua da maré, salvando à força dos seus potentes braços alguns dos seus companheiros, até que por fim lá ficou entre as ondas revoltas, que por certo não admitiram que um pobre homem da Póvoa as tivesse desafiado Continuando a falar da faina, já que falar da Póvoa e dos seus heróis me fazem perder quase o fio à meada, e como tal o principio é por vezes prejudicado pelo entusiasmo. relato agora - sempre o mar - a chegada dos barcos à praia. Era aqui, na borda da língua da maré que se apresentava um dos espectáculos mais garridos e barulhentos das gentes do mar. Principiava para as mulheres o seu trabalho que iria completar o dos homens. Depois dos rapazes da obrigação, filhos dos pescadores da companha, um por cada barco, ter avisado, de que estava " á bica " um barco da companha, numa correria louca, atravessava os bairros piscatórios a chamar as mulheres da companha, para o " Ala - Arriba ". e de tal maneira cumpriam a sua obrigação, tão lestos eram, que a mor parte das vezes o barco ainda não tinha abicado à barra e já as mulheres e os filhos estavam, pés na água, saia arregaçada, presa pelo " LISTRÃO " ( Era obrigatório ao moço - noivo, quando tivesse de fazer uma arribada a qualquer praia espanhola, trazer à sua noiva um listrão - cordão grosso, em cores, com borlas na ponta, que servia de faixa para arregaçar as saias. Mal o barco abicava, o noivo saltava fora, e ali mesmo, na praia, e na presença de todos fazia a oferta . Santos Graça - O Poveiro - Casamento, nota nº 1, folha 178 ) á espera da chegada. Mal tocava na areia, já os troncos roliços de madeira, devidamente ensebados por onde correria a quilha, estavam a postos.. Depois principiava a algazarra de levar o barco até seco, que terminaria quando os homens - pescadores que estavam quase a terminar o seu trabalho e que findaria logo que o barco estivesse em seco e eles distribuíssem o peixe. Era a cena do Ala-Arriba, grito de esforço que se tornou num quase grito de euforia quando se quer exaltar alguém ou facto : Ala-Arriba , pela Póvoa !, por exemplo. Vestidos com a roupa polé ( béstias ) - casacos impermeabilizados pelo óleo de peixe e que os protegia dos salpicos do mar - pés fincados na areia, possantes ombros encostados ao costado do barco, impedindo que se desequilibrassem ao mesmo tempo que o empuravam dando auxilio ao ALA-ARRIBA, sem ajuda de mais nada que os braços daqueles que amarrados à corda, pretendiam por o barco em seco, fora da língua da maré, com os rapazes, solícitos e prontos a colocar os rolos da madeira, ensebada, junto à quilha, facilitando assim o esforço, e assim chegavam a seco e logo que a embarcação estabilizasse, saltavam os da companha de novo para dentro do barco e iam lançando para as pescadeiras o produto do pescado que havia sido marcado como pertença a cada caça. Essa marcação era feita no mar, aquando da recolha da caça, das redes. Curiosa como ela era feita,. Cada pescador tinha a sua marca especial, e assim ao recolher o peixe os palavras chaves da marcação surgiam, como por exemplo : " cruz no rabo ", " pique na badana " , " corte no olho " e o pai de rapaz ( essa era uma das suas obrigações ), com faca da cortiçada ia marcando o peixe que lhe chegava à mão. E era desta mesma maneira, chegados à praia, que era lançado o peixe que cada mulher recolhia por ser a marca das suas redes. Esvaziado o barco da sua carga de peixe fresco, era levado em masseiras para lota, ou se era de grandes proporções - pescadas, congros, safios - era enganchado pela guelra e de rasto pela areia fora, levado até ao lugar da venda - a lota, outro dos espectáculos mais garridos da venda do peixe na Póvoa. Segurando o peixe com a mão direita pela guelra, elevando-o bem alto , para que todos pudessem ver a frescura - SANGUE NA GUELRA - procediam aos lanços : " quatro, quatro, quatro e meio, quatro e meio, cinco, cinco e meio " e assim por aí fora, conforme os aumentos que iam surgindo entre os compradores e que elas, olhos de lince, notavam com facilidade o último, o de mais elevado lanço. Nunca cheguei a perceber como o conseguiam, mas o que é certo é que nunca perdiam a pessoa que fez o último lanço. Sempre pela guelra, apresentavam o peixe, pois era por ali que se conhecia da sua frescura. Quando por vezes, se tratava de um avantajado espécimen, então com a mão direita elevavam o peixe, sempre pela guelra, e a meio era seguro pela outra, mas nunca pela rabo. E era assim a vida das gentes laboriosas da Póvoa, trabalhando no mar os pescadores, ou trabalhando na terra os lavradores ou os pescadores seareiros da orla marítima do Norte - Abremar, Aguçadoura, Estela, Navais. Segundo informação, foi a faina das gentes de então da Póvoa, a Póvoa em si, que se homenageou tanto no monumento colocado na Avenida que da estrada de Viana ao Porto dá acesso à praia de banhos, como no monumento à pescadeira da lota. Braga, JANEIRO DE 1998 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 18:47

BOTAR OS NERVOS P'R'AS PERNAS Famosos foram os banheiros da Póvoa. Se bem me lembro foi essa estirpe de homens bons, homens de uma seriedade a toda a prova, e que hoje é, felizmente, ainda seguida pelos seus sucessores, que contribuiram para que o nome da praia da Póvoa extravasasse as fronteiras do seu pequeno concelho e se espalhasse por todo o Norte do País, desde a raia minhota e transmontana até ao Douro Litoral. Os Tambucos, os da Hora, os Canetas, os Moucos, os Sérgios eram conhecidos em todo o Norte de Portugal. A Póvoa, eram então há sessenta anos, tal como hoje a praia por excelência de todo o Norte. Braga, Guimarães, Famalicão, Vieira, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Chaves, Vila Real ( que sei eu de outras terras ! ), ontem como hoje, aqui vem desaguar nos meses calmosos de verão. Mas até há uns bons sessenta anos ( quando da minha mocidade passada nesta terra de maravilha ), a época mais procurada, a chamada época cheia, decorria entre o mês de Agosto e Setembro, prolongando-se, por vezes, por Outubro fora, quando os chamados ceboleiros, gente do campo que vinha fazer a sua cura contra o reumático nos milagrosos banhos quentes de água salgada, que quatro ou cinco estabelecimentos termais, espalhados por casas do Passeio Alegre e Avenida dos Banhos, se dedicavam a proporcionar aos doentes um remédio bom e barato e que se não fizessem bem a todos, mal também não lhes fazia. Mas como disse, a época balnear não se confinava só aos meses citados acima. Quando o tempo o permitia, prolongava-se a época por parte do mês de Novembro. No final das colheitas e vindimas, por Outubro, desciam dos campos até ao mar da Póvoa, os chamados ceboleiros, epigrama que nada tinha de desprestigioso para com a gente do campo, que só depois dos seus trabalhos agrícolas completados podiam procurar cumprir com o receituado pelos seus facultativos, que lhe indicavam qual o numero de cachafundas ( banhos de mar ) que tinham de tomar ou os banhos quentes a que se deviam sujeitar. Era então vulgar verem-se grupos de banhistas ,mal o Sol despontava, dirigirem-se para o mar para tomar o seu primeiro banho, que horas depois se repetia, pois se o fizessem duas ou três vezes por dia, mais depressa acabavam com o receituado. Alguns desses banhistas serôdios, prolongavam a sua estadia e muitas vezes, o São Martinho era festejado na praia. Procuravam estas curas não só a gente do Campo, mas também os senhores, os citadinos, que nestes banhos viam o alívio dos seus males que os afligiam, principalmente, durante o Inverno. Estou a lembrar-me de um bracarense, brasileiro de torna viagem, que depois de ter sido atingido pelo reumático nas plagas húmidas do sertão, regressou à terra Pátria e procurou, em quase todas as termas do País alívio para o seu mal sem nunca surtir efeito. Um dia falaram-lhe nas curas maravilhosas dos banhos quentes da água salgada da Póvinha do Mar, e então aqui procurou remédio para a doença que o afligia, principalmente no Inverno, época em que mais se faz sentir o mal. Tão bem se deu, que na Póvoa assentou arraiais e por cá ficou e até, talvez, em agradecimento pela sua cura ou alívio, se tornou um dos beneméritos da então vila da Póvoa, que lhe agradeceu, não só construindo um mausoléu para os seus restos mortais, mas até atribuiu o seu nome honrado a uma artéria principal da vila. Refiro-me a Santos Minho, rua onde morei por perto de vinte anos. Mas o escrito não era com o fim que venho expondo, como se depreende pelo titulo, mas sim outro. A disposição das barracas, tal como hoje se vem, para os veranistas desfrutarem a beleza do mar, a sua frescura, não era esta. Pode dizer-se que elas nem existiam. Existia sim um toldo. coberto a lona, e com bancos de jardim, onde os papás e as mamãs assistiam, da parte da manhã, ás cachafundas da praxe, da sua prole. De tarde o entretenimento, era passado debaixo dos toldos de zinco ( quantos casamentos ali tiveram a sua origem ! ), onde os jogos dos mais novos se desenrolavam, passando as quentes tardes abrigados das fustigantes nortadas, com por exemplo o jogo anelzinho ( babona, que estás no meio, babona, estás vendo o anel passar, sem nunca o poderes agarrar ! ) ocasião propicia para que as mãos dos namorados se pudessem tocar, prazer único, quase só consentido debaixo dos olhares dos progenitores. Mas lá estou a desviar-me quase perdendo o fio à meada. Ora, nesse já recuado tempo, os fatos de banho, principalmente os das moças, era quase como o hoje pijama. Do corpo, praticamente, só os pés, a cara e as mãos ficavam a descoberto. Não estava ainda em moda o corpo bronzeado. As fogosas banhistas e os banhistas tinham barracas, propriedade do concessionário da zona, disposta em linha, perpendiculares, à linha da maré, que as alugavam para que dentro e a bom recato, vestissem o seu pudico fato de banho, muitas vezes alugado ao banheiro. Fora encontrava-se uma bacia com água salgada que tinha por função, quando prontos para o banho, entrar em contacto com a água fria do mar. Dizia-se então que era para BOTAR OS NERVOS P'R'ÁS PERNAS. Outro fim tinha também essa bacia que era o de, depois de vestidos, limparem a areia dos pés. No entanto, algumas vezes servia para outra coisa. Servia para um banho forçado. Eu explico. As barracas para se preparem para o banho nem sempre estavam em boas condições e algumas tinham até uns buraquitos que serviam para os marotos espreitarem os belos corpos que a vestimenta do banho encobria. As banheiras sempre à espreita ( os homens tinham outra função qual era a de nos seus braços possantes darem as cachafundas necessárias aos que delas precisassem, que no final tinham ainda o prazer de se amarrarem à corda ), quando nos viam, os marotos ( ia-me a fugir a boca para a mentira ) a espreitar, vai de bacia pelo ar, e encharcava o curioso, que tinha de dar às de vila Diogo , se não a coisa não ficava por ali. Ai, como é bom recordar as brincadeiras e as malandrices da mocidade ! Braga, Julho de 1977 LUIS COSTA
publicado por Varziano às 17:10

PARA O BAÚ DO LEAL Os escritos do amigo Luís Leal, trouxeram-me à recordação alguns acontecimentos relacionados com a história da Póvoa e que ele, por ser bastante mais novo que eu ( já quase estou a atingir os dois carros ), não poderia mencionar. Estou a referir-me ao velho Estádio Gomes de Amorim, que foi então, na época em que foi construído, como um dos melhores recintos desportivos do País. No Porto, não sei se existia já o Estádio do Lima, estádio que serviu para jogos internacionais de futebol ( e também foi utilizado no filme "Trevo de Quatro Folhas, no qual ficou celebrizada a canção " Se a selecção trabalha como eu quero. agora é que não falha NOVE A ZERO " ), mas que quanto a mim muito ficava a dever ao estádio poveiro. Ora do Gomes de Amorim, veio-me à "alembrança" episódios que marcaram a minha mente e para sempre serão recordados enquanto Deus consentir em que "ande por êste vale de lágrimas". Mas vamos lá à descrição dessas recordações. Por volta da última década de Vinte, encheram-se parte da bancada e camarotes do estádio com uma animada mole de gente, disposta a ver um fenómeno extraordinário, Nada mais nada menos do que um forte e colossal "homenzarrão" que era capaz de enfrentar duas juntas de bois. puxando uma grossa corrente amarrada aos seus braços, um para cada lado e ele no meio, sustendo os bois que não foram capazes de o demover. Isto foi uma manifestação de força muscular que fez levantar o público numa estrondosa salva de palmas. No entanto não se ficou por aqui, o fenómeno, No recinto onde foi feita esta prova descomunal de força, abriu-se uma grande cova, onde dentro de uma urna foi depositado o ultra-fenómeno. Colocada na fundo da cova. foi enterrado vivo o artista, com o caixão recoberto de areia, do qual saiu passadas algumas horas, creio que duas, de completa saúde a respirando por todos os poros as suas aventuras. De novo as gentes lhe retribuíram a sua ousadia, com nova e barulhenta salva de palmas. Não sei se entre uma e outra façanha houve algum entretêm. Outra recordação que o amigo Leal me fez avivar. foi a vinda à Póvoa do Clube de Regatas Vasco da Gama, associação desportiva brasileira julgo que fundada por um poveiro - Raúl Campos . Acompanhava essa embaixada desportiva a sua equipa de futebol, da qual recordo o nome do guarda redes ,e penso que o seu nome era o de JACARÉ. Defrontou no velho estádio poveiro uma selecção, julgo que poveira, ou até apenas do Sporting Clube da Póvoa. Recordo que defendia a baliza poveira o João Laranja. E digo que possivelmente seria uma selecção da Póvoa, porque o Varzim. o velho rival do Sporting, praticava o futebol, num campo para os lados da Igreja do Coração da Jesus, mais ou menos onde hoje se encontra uma bomba de gasolina e a Fábrica Quintas ( quem se recorda do Faísca entre os paus das balizas ? ), e os póveiros quando se trata de honrar o nome da sua terra não tem rivalidades. Não posso recordar qual o resultado desse embate futebolístico ( foi-o nos princípios da década de 30, já lá vão uns bons pares de anos ) e portanto o computador da cabeça já não dá para tanto. Foi neste campo desportivo a que assisti, pelos princípios dos anos de 30 a um desafio-apresentação do Basquete e lembro que um dos jogadores era um irmão do João Laranja, que mais tarde teve uma alfaiataria na rua do Almada, creio que hoje é a rua Paulo Barreto., e o seu nome parece-me que era José. Mas ainda recordo outro facto e que amigo Leal também recordou. Foi a utilização do Estádio Gomes de Amorim como recinto de tourada e quanto a mim posso precisar uma data - 1934 . Estava então no Porto, no recinto do velho Palácio de Cristal, a Exposição Colonial Portuguesa. As gentes da Póvoa também quiseram assinalar êste evento e para tal, organizaram uma tourada no Velódromo. como por vezes era conhecido o estádio, como de resto o Luís Leal o assinalou. Tinha sido construído no topo norte do estádio, e da parte sul e poente do recinto uma bancada de madeira e o respectivo redondel. Utilizou-se a parte nascente e norte a parte do meio da bancada e camarotes que existiam e construídos em cimento. Para ali se anunciou, como de resto era o local da tourada na Póvoa, a tourada de homenagem à Exposição do Porto. Possivelmente foi no mês de Agosto, num domingo ( que por sinal se apresentou chuvoso ) ,e atracção principal não era como habitual o cartel dos cavaleiros, dos bandarilheiros ou dos forcados. Era, ( imagem o quê ? ) , uma formosa pretinha de pele acetinada e brilhante que tinha por nome ROSALITA. Tod'à minha gente queria ver essa peça humana de ébano e quem não foi à Exposição tinha, na Póvoa à " mão de semear " a possibilidade de ver esse encanto africano da natureza. Pena foi que o " São Pedro " não tivesse colaborado, mas enfim sempre houve a possibilidade de alguns admirarem a peça de ébano. E para terminar. lembro que a pele da ROSITA era tão brilhante que o seu nome foi aproveitado para uma marca de pomada preta para engraxar os sapatos. E aqui tem, amigo Luís Leal, mais uma série de recordações para " BOTAR NO SEU BAÚ " Braga, Setembro de 1999 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 16:59

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