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UM CONCURSO INTESSANTE PROJECTOS DE CONSTRUÇÕES ECONÓMICAS Continuando na busca de papeis velhos encontrei mais dois projectos de Moura Coutinho e relativos a iniciativas que, na segunda dezena do século XX, estiveram para se fazer na zona da avenida dos Banhos e no Passeio Alegre, na Póvoa, um a pedido da Câmara Municipal e outro por um particular, neste caso o Dr. Caetano de Oliveira. Debrucemo-nos no concurso aberto pela Câmara, e para isso vamos recorrer à já citada revista “Arquitectura Portuguesa” e ao seu número 6, com data de Junho de 1916. Assim, como início do artigo em que está citado este concurso, diz a revista: “Salvo erro, é a primeira vez que uma câmara municipal do nosso país, ousa sair do dulce far niente, do quotidiano expediente, para se abalançar a tomar a iniciativa do género que hoje vamos tratar. Cabe essa glória à ilustrada vereação da Póvoa de Varzim, à qual desde já felicitamos pela sua feliz inspiração e audaciosa iniciativa, digna de ser imitada, como estamos certos, o será por outras corporações administrativas suas congéneres”. Logo a seguir informa que obteve o prémio instituído pela câmara municipal, o desenho do projecto Camarão, classificado em primeiro lugar, do distinto arquitecto João de Moura Coutinho, já conhecido por trabalhos como o belo Teatro Circo, e o Asilo Conde de Agrolongo, em Braga, o projecto do Teatro São João, no Porto, em que foi também premiado e outros mais. Tendo sido pela câmara escolhido como perito para analisar os projectos apresentados o arquitecto do Ministério do Fomento, Rozendo Carvalheira, prontificou-se este a resumir os seus trabalho num breve relatório, relatório que pela sua pertinência actual, apesar de decorridos quase cem anos, não nos escusamos de, em parte, o transcrever: “…quando dessa apreciação e desse trabalho, depende em grande parte, a valorização estética de uma povoação importante e privilegiada situada, como é a da Póvoa de Varzim. Antes, porém, de me referir propriamente à apreciação desses projectos, cumpre-me congratular-me com a bela resolução da ilustre câmara municipal dessa próspera e linda terra, pela feliz iniciativa que tomou, de preparar um futuro estético e disciplinado para o âmbito da sua jurisdição municipal. Quantas lindas e pitorescas povoações portuguesas se não estragam pelo tumultuário agrupamento das suas edificações inestéticas, pretensiosamente ostentosas, umas vezes; outras deploravelmente ridículas, e quase sempre incaracterísticas e banais ? Abastardou-se o tipo regional, e quase que ostensivamente se puserem de parte, na moderna febre evolutiva da construção, alguns dos mais belos e característicos temas da tradicional edificação portuguesa…Deplorável erro, péssima orientação…”. E muito mais desabafa o articulista de “Arquitectura Portuguesa”. E isto em 1916, e o que ele diria nos tempos de hoje em que não há o mínimo respeito pelo nos deixaram os nossos antepassados !!! Mas deixemo-nos de lamentações já que agora não há remédio para as devastações passadas, pensemos preservar o que ainda o camartelo do PROGRESSO não destruiu !!! Voltemos ao boneco que ilustra esta pobre crónica. Tenho ideia, no que posso estar enganado, que o desenho do projecto do Moura Coutinho, foi aproveitado para uma que outra edificação do Passeio Alegre. Duas estão sensivelmente esfumadas na minha memória. Uma me parece que era a casa do ilustre médico poveiro Dr. Joaquim Graça e, a outra, tenho ideia do edifício da antiga loja do Cândido, casa especializada em azeite e mercearia fina. Estarei enganado ? A propósito da Loja do Cândido, ressalta na minha mente um facto de que ainda se devem lembrar muitos dos póveiros. As ligações entre a Póvoa dos anos de 30 e Braga eram muito deficientes. Por caminho de ferro tinha que, saindo da estação bracarense, em horários nem sempre convenientes, tomar a linha de Famalicão. Perante este transtorno, mudar de comboio, duas empresas bracarenses de transportes rodoviários resolveram estabelecer carreiras de caminhetas entre a capital do Minho e a ridente e rainha das praias portuguesas – a Povinha do Mar. Nesse tempo ainda a peste dos tempos modernos, que hoje nos aflige com a poluição – automóvel particular - era muito reduzida e a maneira mais prática e até económica para procurar o bom e sadio ar poveiro, era utilizar os serviços das carreiras rodoviárias. Eram elas a empresa do Quintela, com saídas e chegadas junto ao Café Ribeiro, ou como era mais conhecido na gíria poveira, o Café da Libânia, e a outra era a Auto-Motora, que tinha o seu escritório na Loja do Cândido. Eram estas a transportadoras dos veraneantes bracarenses e não só, mas também da parte do Minho que procuravam as salsas ondas do nosso mar. Mais tarde o Marinho – Viação Auto Motora – tomou de trespasse a concessão do Quintela e, a carreira de Braga, continua hoje, cómoda e rapidamente – para quem não usa ou não tem auto próprio – a fazer-se pelas caminhetas, termo português utilizado ainda pela nossa boa gente do campo. Braga, 25 de Dezembro de 2007 LUÍS COSTA www: bragamonumental.blogs.sapo.pt Email: luisdiascosta@sapo.pt Email: luisdiasdacosta@clix.pt.
publicado por Varziano às 15:18

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