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Mai 13

 

                 FIM DE  TARDE  CULTURAL

 

                    

      No passado sábado, ao fim da tarde, quando me dispunha a ir assistir a um recital de musica de cordas do período barroco, comemorativo do XVII aniversário de abertura ao público do Museu dos Biscainhos, fiquei deveras surpreendido, pois esperando ir  encontrar um conjunto de conspícuos executantes, deparei com um grupo de jovens músicos que constituíam a Orquestra de Câmara e o Quarteto de Cordas Artave.

 

      Francamente fiquei deveras surpreso e mais o fiquei depois de ver a mestria com que estes jovens, por certo alguns deles saídos do mundo rural, tomavam conta dos seus instrumentos, executando cuidadosamente a difícil tarefa de nos proporcionar um concerto de música barroca que deslumbrou a vasta assistência que encheu por completo o belo Salão Nobre daquela senhorial casa.

 

      De facto tudo ali se conjugou para nos dar a ilusão de que, recuando anos, estávamos em pleno século XVIII. Naquele salão nobre, respirou-se o século do esplendor, lembrando os tempos áureos em que o Senhor da Casa, punha à disposição da Sociedade de então a sua casa para ali, em reuniões, fazer roçar os vestidos   de seda de gentis damas, as casacas enfatuadas dos cavalheiros que então a frequentavam em serões memoráveis, os pares dançando ao som das valsas de Strauss, ou deliciando-se com composições de Amadeus Mozart, ou no piano da sala, num silêncio só perturbado pelo abanar dos confidentes leques, as melodias de Chopin. No ambiente, como disse, respirou-se naquele salão o século em que foi feito. É o tecto barroco pintado, é o lambri em azulejo a sugerir-nos esses tempos. Em nenhum outro lugar se poderia, com efeito, apresentar com mais realidade, um recital como nos foi proporcionado. E o público correspondeu vindo assim provar que apesar de toda a fricção e exaltamento dos tempos modernos ainda há muito boa gente que aprecia espectáculos como este que o Museu do Biscainhos e a Orquestra de Camara e o Quarteto de Cordas nos proporcionou.

 

      Que poderemos salientar neste memorável fim de tarde ?  Tudo !  desde o quarteto de Mozart, passando pelos concertos de Corelli e Vivaldi.

 

      Eu que de música nada percebo, mas que no entanto gosto de ouvir a boa, saí daquele Salão Nobre e daquela Casa, contente por apesar da impertinente chuva que caiu à saída em nada esfriar o meu contentamento por aquelas horas bem passadas a ouvir uma camada de jovens que são um prometedor futuro para a continuação dos cultores de boa música.

 

      Parabéns ao Museu dos Biscainhos que assim assinalou o seu Aniversário. Parabéns à sua Directora Exmª Senhora Drª. Teresa Almeida Eça, parabéns enfim à Artave, pelo que nos proporcionou e pelo que está a trabalhar para que não se perca o excelente grupo de executantes formados nas suas escolas. Não posso deixar de destacar também aqui o primeiro violino que nos parece irá ter um promissor futuro. Mas este destaque merecem-no também todos os restantes membros da Orquestra de Câmara e o Quarteto de Cordas.

 

      E para terminar, um recado e um pedido : Drª. Teresa, traga-nos mais, e mais, que o público de Braga responderá como respondeu no passado sábado.

 

Braga, 13 de Fevereiro de 1995 

                                         LUÍS COSTA

 

 

      UM PEDIDO : NÃO SERÁ POSSÍVEL, APROVEITAR A LIÇÃO DADA HÁ QUASE 20 ANOS, E CONTINUÁ-LA ?

publicado por Varziano às 14:33

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