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Mai 13

 

 

                             DUAS  EFEMÉRIDES  ASSINALAVEIS

                                         DECORREM ESTE MES

 

     

      No dia 30 de Novembro de 1720, nasceu em Braga, na rua do Souto, filho do mercador João Soares da Silva, natural de Parada de Barbudo ( Vila Verde ) e de sua mulher, Isabel Ribeiro, de Braga, um dos maiores vultos da arte e arquitectura bracarense - Andre Soares Ribeiro da Silva - que ficou na história de Braga apenas com o nome de ANDRÉ SOARES, vai, portanto, comemorar-se dentro de dias 276 anos.

 

      Curiosamente é também neste mês de Novembro, que se assinala, o dia do seu passamento. De facto André Soares, morreu solteiro, não muito longe daquele arruado bracarense, na rua de São Miguel-o-Anjo ( hoje Visconde Pindela ), com apenas 49 anos de idade, no dia 26 de Novembro de 1769 - há 227 anos.

 

      Robert C. Smith, o infausto investigador americano, que dedicou a sua vida ao estudo do estilo barroco, não só em Portugal como no Brasil, e que teve o mérito de descobrir, de entre o  meio do pó do esquecimento onde se encontrava, o nome de André Soares, apelidou êste notável aritsta bracarense que encheu não só a cidade como outros pontos do Norte do País de extraordinárias obras de arte e arquitectura como o ARQUITECTO DO MINHO.

 

      De facto, ao percorrermos o Norte do Portugal, rara é a mais pequena ermida ou o mais sumptuoso templo, onde não vemos qualquer coisa que nos chame a atenção para a arte, que pela sua profunda originalidade, não nos traga à mente o nome de André Soares. O seu génio, o seu grau de bom gosto, seguido por outros, até seus discipulos, deu origem ao epíteto de BRAGA,  CIDADE BARROCA POR EXCELENCIA, onde êste modo de construção se acentuou e daqui irradiou pela Minho, e por todas as terras circunvizinhas.

 

      Mas, André Soares, não se limitou a seguir o estilo que tinha surgido no centro da Europa, ou  do seu contemporanio Nasoni, que deixou  no Porto - e o que o exemplo mais faustoso é, possivelmente, a Torre dos Clérigos - a sua marca pessoal.  André Soares, criou o seu estilo próprio, chamado SOARESCO, no qual combinou, criteriorsamente, todos os ramos de que se compõe o baroco, desde as placas, aos motivos ro-có-có, as mitras, enfim todo um novo e seu estilo próprio.

 

      Discipulo e colaborador de Marceliano de Araújo, com quem chegou a trabalhar pelo menos no remate final e tardio dos tres retábulos do altar-mor da Igreja da Misericórdia, em Braga, sofreu por certo a influência do maneirismo barroco joanino, deste seu mestre. Robert Smith diz " que acusa semelhanças positivas na iluminura grisalha do frontespicio dos Estatutos da Irmandade do Bom Jesus e de Santa Ana, a primeira obra conhecida assinada por André Soares " nós acrescentaremos na planta por nós revelada e por ele assinada que é a planta de Braga, dos meados do século  X V I I I .

 

      Surge-nos, André Soares, num perído um tanto obscuro, entre os artistas do periodo do Arcebispo Dom Rodrigo de Moura Telles, como o arquitecto oficial do exército Vililobos e os mestres de arquitectura Manuel Fernandes da Silva e outros, como uma ligação com o mestre de entalha Marceliano de Araújo, dando assim continuidade a uma arte de que hoje Braga se orgulha.

 

      Robert Smit, não se coíbe de encher o seu nome dos mais variados encómios, chegando a apelidá-lo do " GRANDE POETA DO GRANITO, virtuoso do castanho dourado ".   

      Com o seu estilo próprio, estilo a que já acima fizemos referência, depressa alcançou a posição de chefe da sua escola própria, na cidade de Braga, cidade que dada sua fugaz passagem por este mundo, muito teria a lucrar. E neste caso não seria só a Casa da Camara, o palacete do Raio, a Casa do Rolão, a igreja dos Congregados, o sacrário da igreja da Senhora-a-Branca, o templo de Santa Maria Madalena, as numerosas obras de talha que deixou espalhadas por esses templos como o do Convento de Tibães, as sanefas da Igreja de São Vicente, e outras obras que seria fastidioso enumerar, veríamos com orgulho muitas e muitas mais outras obras devidas ao seu extraordinário talento e por certo o seu nome alcançaria ainda uma maior repercussão a nível nacional, não se ficando apenas pelos Arcos, pela Póvoa de Varzim ou por Guimarães que são terras que se honram de possuir, dentro do seu aro, obras do ARQUITECTO DO MINHO. 

 

 

Braga, 10 de Novembro de 1996

 

                                   LUIS COSTA

publicado por Varziano às 14:12

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