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Mai 13

 

 

                       

                        BRAGA E A PRIMEIRA

                                                                                                                     GRANDE GUERRA

 

      Muito embora na Europa, Portugal não tivesse fronteiras com a Alemanha, tinha-as nos territórios ultramarinos, principalmente em Angola, onde confrontava a Sul com o Sudoeste Alemão, ou seja o hoje território da Namíbia, rico em diamantes. Devido ao tratado de Aliança com a Inglaterra, o célebre tratado de Tagilde, estabelecido em 10 de Julho de 1372, entre Portugal e a velha Albion, durante os períodos mais cruciais dessa hecatombe mundial que foi a guerra de 1914-1918, a Grã--Bretanha evocou essa aliança pedindo ao Governo Português que aprisionasse todos os navios mercantes alemães que se encontrassem em portos do Continente, Ilhas e Ultramar. Como Portugal, tinha necessidade de alguns desses navios para o seu comércio internacional, desorganizado devido à Guerra, aproveitou o pedido feito pelos Ingleses em 10 de Dezembro de 1915,e em 24 de Fevereiro e até Julho de 1916, o governo português requisitou SETENTA NAVIOS ALEMÃES e DOIS AUSTRO-HUNGAROS.

 

      Como resultado desta medida foi o do Império Alemão, considerando a quebra de neutralidade, tivesse declarado guerra a Portugal e principiasse por atacar as zonas que se encontravam ao lado das fronteiras das suas colónias de África, como a de Angola onde se fizeram sentir os primeiros embates entre tropas portuguesas e germânicas. Estas acções levaram a que Portugal entrasse directamente no conflito europeu, declarando, por sua vez também guerra à Alemanha, ao lado dos aliados e enviando tropas para a Flandres, o que constituiu o "Corpo Expedicionário Português" que sob o comando do Marechal Gomes da Costa, se cobriu de glória, ficando para todo o sempre lembrada a gloriosa epopeia do 9 de Abril, a batala de La Liz. As unidades de Braga fizeram parte desse Corpo Expedicionário e no qual estavam incluídos, simples soldados, sargentos e oficiais e nomes de oficiais superiores bracarenses como prova um documento que me chegou às mãos.

 

      Não podia a Câmara de Braga ficar indiferente a esta tomada de medida do Governo e assim manifestou o seu completo acordo, como podemos ver pelo Livro de Actas de 1915-1916, que a fol. 49 diz:

      "...Ofícios :...do Presidente da Comissão representante de todos os partidos da República, no Porto, pedindo para que neste concelho se promova uma manifestação patriótica, por motivo da declaração de guerra da Alemanha ; do presidente da Comissão Promotora as manifestações patrióticas em honra ao Governo Nacional, pedindo o concurso da Câmara para levar a efeito esta em patriótico intento.

      O senhor Presidente fez em seguida a apologia da Pátria, dos feitos gloriosos que enriquecem a história de Portugal e da causa patriótica que vibra em todas os corações, o que é penhor seguro de que não pode ser vencido um povo que tão arreigadas tem os sentimentos de Honra, de Liberdade e de Civilização. Refere-se à Bélgica e à Sérvia, povos pequenos mas que tão alto souberam elevar-se no conceito do mundo inteiro, e sendo o Brasil, o povo irmão de além-mar que no momento em que a Alemanha nos declarou guerra, nos deu toda a sua solidariedade. Propôs, por isso, que a Comissão executiva se unisse a todas as manifestações patrióticas e se enviassem telegramas de saudações ao Chefe do Governo e aos Senhores Ministros da Guerra e Marinha, aclamando neles os exércitos de terra e mar. Assim se deliberou...

 

 

      Entretanto a Câmara tomou conhecimento de um feito glorioso das tropas portuguesas nas terras de África e como tal congratulou-se pelo facto exarando na acta de 14 de Abril de 1916, o Excelentíssimo Senhor Presidente referiu-se à tomada de Kiongo (África) pelas nossas tropas, cujo heroísmo e amor pátrio pôs em destaque, propondo que ao venerando Presidente da Republica se telegrama saudando nele o exército português.”

 

      E assim viu a Câmara de Braga, a entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra, na qual, o exército português não desmereceu, contribuindo com o seu sangue, para a vitória dos aliados.

Braga- Setembro de 1994

publicado por Varziano às 14:07

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