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Jul 10
UMA NOTA DE CINCO PAUS Estava-se na Semana Santa e ele, o pequeno rapazinho, sete ou oito anitos, tinha cumprido como mandava a Santa Igreja, pois tendo feito já a primeira Comunhão era sua obrigação ir à desobriga, mesmo teria que o fazer, para isso a tia, católica muito convicta e praticante lá, estaria para que o “rapazelo” não descurasse a obrigação. Era zeladora do altar da Senhora da Senhora das Dores, e sempre o obrigava a acompanhá-la quando ia tratar de alindar o templo da Senhora. Como era e é de tradição, na Quinta e Sexta Feira Santa, como representação das Estações de Roma, já não sei se são cinco ou sete, normalmente em cada terra, eram as igrejas estão desnudadas, dos altares desaparecem todas as representações e as imagens encobertas, igrejas que os devotos percorriam numa quase Via Sacra. Mas a meio da igreja, eram depositados o esquife do Senhor, e no caso da Capela das Dores, era a imagem da Mãe de Deus, com o seu melhor vestido e rico manto de veludo que ali era posta. Já se sabe, ele como rapaz, nesse dia não acompanhava a tia para ver vestir a Senhora, iria lá ter mais tarde. E assim foi. Nessa quinta feira, desabou um tremendo vendaval. Chuva e coriscos riscavam o Céu, mas ele não podia deixar de prestar a devoção. De repente uma rajada de vento mais forte, colocou a seus pés uma nota de cinco escudos - cinco mil reis ou cinco paus – escolham a melhor maneira de lhe chamar. Jubiloso, pensou lá para ele : é milagre da Senhora, pelo sacrifício de ir até ao Monte, arrostando com o temporal. Chegado ao templo, mostrou à tia a nota e como a tinha arranjado. A tia pressurosa, diz-lhe: - Menino a nota não é tua. Achaste-a, não sabes de quem é. Portanto, tens de metê-la na Caixa das Esmolas. Vai lá. O miúdo, não gostou do conselho e principiou a remoer. Então a nota veio do Céu e agora tenha que a meter na Caixa das Esmolas? Então, minha Nossa Senhora, mais valia não ma dares. Cinco paus um dinheirão para ele que lhe daria para comprar um data de rebuçados dos bichos, e fazer uma data de colecções, comprar uns carramilos de açúcar, uma zocha nova, porque a que tinha estava estragada com as nicas que tinha levado, quando lhe racharam o “pião das nicas” ! “Nã”, tinha de arranjar uma solução. Matutou, matutou e de repente a luz surgiu. Já sei, meto a nota na frincha da caixa até meio, tiro-a e viro-a ao contrário e meto a outra metade e assim a nota entra na Caixa das Esmolas, mas não fica lá e fica satisfeita a recomendação. Luís Costa
publicado por Varziano às 19:03

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