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Jul 10
PARA O BAÚ DO LEAL Os escritos do amigo Luís Leal, trouxeram-me à recordação alguns acontecimentos relacionados com a história da Póvoa e que ele, por ser bastante mais novo que eu ( já quase estou a atingir os dois carros ), não poderia mencionar. Estou a referir-me ao velho Estádio Gomes de Amorim, que foi então, na época em que foi construído, como um dos melhores recintos desportivos do País. No Porto, não sei se existia já o Estádio do Lima, estádio que serviu para jogos internacionais de futebol ( e também foi utilizado no filme "Trevo de Quatro Folhas, no qual ficou celebrizada a canção " Se a selecção trabalha como eu quero. agora é que não falha NOVE A ZERO " ), mas que quanto a mim muito ficava a dever ao estádio poveiro. Ora do Gomes de Amorim, veio-me à "alembrança" episódios que marcaram a minha mente e para sempre serão recordados enquanto Deus consentir em que "ande por êste vale de lágrimas". Mas vamos lá à descrição dessas recordações. Por volta da última década de Vinte, encheram-se parte da bancada e camarotes do estádio com uma animada mole de gente, disposta a ver um fenómeno extraordinário, Nada mais nada menos do que um forte e colossal "homenzarrão" que era capaz de enfrentar duas juntas de bois. puxando uma grossa corrente amarrada aos seus braços, um para cada lado e ele no meio, sustendo os bois que não foram capazes de o demover. Isto foi uma manifestação de força muscular que fez levantar o público numa estrondosa salva de palmas. No entanto não se ficou por aqui, o fenómeno, No recinto onde foi feita esta prova descomunal de força, abriu-se uma grande cova, onde dentro de uma urna foi depositado o ultra-fenómeno. Colocada na fundo da cova. foi enterrado vivo o artista, com o caixão recoberto de areia, do qual saiu passadas algumas horas, creio que duas, de completa saúde a respirando por todos os poros as suas aventuras. De novo as gentes lhe retribuíram a sua ousadia, com nova e barulhenta salva de palmas. Não sei se entre uma e outra façanha houve algum entretêm. Outra recordação que o amigo Leal me fez avivar. foi a vinda à Póvoa do Clube de Regatas Vasco da Gama, associação desportiva brasileira julgo que fundada por um poveiro - Raúl Campos . Acompanhava essa embaixada desportiva a sua equipa de futebol, da qual recordo o nome do guarda redes ,e penso que o seu nome era o de JACARÉ. Defrontou no velho estádio poveiro uma selecção, julgo que poveira, ou até apenas do Sporting Clube da Póvoa. Recordo que defendia a baliza poveira o João Laranja. E digo que possivelmente seria uma selecção da Póvoa, porque o Varzim. o velho rival do Sporting, praticava o futebol, num campo para os lados da Igreja do Coração da Jesus, mais ou menos onde hoje se encontra uma bomba de gasolina e a Fábrica Quintas ( quem se recorda do Faísca entre os paus das balizas ? ), e os póveiros quando se trata de honrar o nome da sua terra não tem rivalidades. Não posso recordar qual o resultado desse embate futebolístico ( foi-o nos princípios da década de 30, já lá vão uns bons pares de anos ) e portanto o computador da cabeça já não dá para tanto. Foi neste campo desportivo a que assisti, pelos princípios dos anos de 30 a um desafio-apresentação do Basquete e lembro que um dos jogadores era um irmão do João Laranja, que mais tarde teve uma alfaiataria na rua do Almada, creio que hoje é a rua Paulo Barreto., e o seu nome parece-me que era José. Mas ainda recordo outro facto e que amigo Leal também recordou. Foi a utilização do Estádio Gomes de Amorim como recinto de tourada e quanto a mim posso precisar uma data - 1934 . Estava então no Porto, no recinto do velho Palácio de Cristal, a Exposição Colonial Portuguesa. As gentes da Póvoa também quiseram assinalar êste evento e para tal, organizaram uma tourada no Velódromo. como por vezes era conhecido o estádio, como de resto o Luís Leal o assinalou. Tinha sido construído no topo norte do estádio, e da parte sul e poente do recinto uma bancada de madeira e o respectivo redondel. Utilizou-se a parte nascente e norte a parte do meio da bancada e camarotes que existiam e construídos em cimento. Para ali se anunciou, como de resto era o local da tourada na Póvoa, a tourada de homenagem à Exposição do Porto. Possivelmente foi no mês de Agosto, num domingo ( que por sinal se apresentou chuvoso ) ,e atracção principal não era como habitual o cartel dos cavaleiros, dos bandarilheiros ou dos forcados. Era, ( imagem o quê ? ) , uma formosa pretinha de pele acetinada e brilhante que tinha por nome ROSALITA. Tod'à minha gente queria ver essa peça humana de ébano e quem não foi à Exposição tinha, na Póvoa à " mão de semear " a possibilidade de ver esse encanto africano da natureza. Pena foi que o " São Pedro " não tivesse colaborado, mas enfim sempre houve a possibilidade de alguns admirarem a peça de ébano. E para terminar. lembro que a pele da ROSITA era tão brilhante que o seu nome foi aproveitado para uma marca de pomada preta para engraxar os sapatos. E aqui tem, amigo Luís Leal, mais uma série de recordações para " BOTAR NO SEU BAÚ " Braga, Setembro de 1999 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 16:59

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