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Jul 10
Q U A T R O P É S Ele, um borrachão incorrigível e ela, não desfazendo, uma interessante e solicitada fêmea. Todas as noites, lá chegava ele pela madrugada, sempre como um cacho, um odre autêntico, a rodar, a rodar, sem se aguentar de pé. Enrodilhava-se no cobertor, e ressonava, ressonava, ressonava e ela lá ia pensando que aquilo não era vida, não atava nem desatava, até que um dia a roda desandou e vai daí, o que tinha de dar-se, deu. Um homem não é de ferro, e a mulher, bem a mulher, é uma mulher, sem tirar nem pôr, e o bichinho, lá fez das suas. Bem a necessidade a isso obriga, e o culpado foi ele e, as tentações aparecem e ele, como dizem, é sempre o último a saber. Certo dia, o bom “verdial” não tinha brotado tanto da torneira ou os cobres eram menos, foram menos as canecadas e nesse dia, estava bem mais sóbrio, julgava ele, e foi mais cedo para casa. Acertou facilmente com o buraco da fechadura, coisa que não era normal. Chegou ao quarto nupcial e conseguiu aninhar-se no vale de lençóis, devagarinho para não acordar a mulher mas, repara e ao fundo da cama, conta UM, DOIS, TRES, QUATRO, CINCO, SEIS PÉS. Como é isto ? Com um safanão acorda a mulher : - Zefa, como é isto SEIS PÉS NO FUNDO DA CAMA? - Ó “Home”, és sempre o mesmo, estás borracho. Levanta-te e vai contar!... ele cumpriu com o que a mulher disse e conta : - UM, DOIS, TRES, QUATRO !. Tens razão, mulher minha, SÃO OS NOSSOS QUATRO PÉS ! e voltando-se para o outro lado, entregou-se às asas de Morfeu, e adormeceu NA PAZ DOS ANJOS ! …
publicado por Varziano às 16:58

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