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MOSTEIRO DE SANTA CLARA Vila do Conde Há dias li uma noticia sobre o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde que me deixou arrepiado não de frio, mas porque vim a saber que aquela mole imensa de pedraria, ex-libris de Vila do Conde, e monumento de grande valia estava, vai para quatro anos, completamente ao abandono, servindo actualmente para guarida de marginais e drogados que sem respeito pelo seu passado ali abusivamente se instalaram, sem os cuidados e respeito por aquelas venerandas pedras e só por acaso não foi danificado por incêndio. O Mosteiro de Santa Clara, desde a sua fundação nos recuados anos de 1318 serviu, como o seu nome indica, de refúgio e local de oração a monjas, até 1893, data da morte da última professa, em que passou definitivamente para a posse do Estado conforme o decreto da extinção das Ordens Religiosas de 1834. Depois durante alguns anos julgo que esteve encerrado até que em 1902, passou a ser utilizado pelo Estado, como Casa de Correcção de rapazes do Porto. Mais tarde foi Reformatório de Vila do Conde e Escola Profissional de Santa Clara acabando como Centro de Educação e tutela de menores, até quase aos nossos dias. Ali foram recolhidos muitos menores que precisavam de proteção e educação, menores, julgo principalmente da Região Nortenha. Conheci um pobre homem de Braga, de São Vicente – o Arantes – que por lá estagiou durante alguns anos. Já neste século XXI, em 2002, pensaram em aproveitar este grande monumento para uma pousada, tendo chegado a haver negociações, mas não passou da intenção. De novo, em 2008 firmou-se um contrato entre o Estado e Turismo de Portugal, para finalmente ser transformado numa moderna pousada, no sentido que norteou a utilização do Convento da Costa, em Guimarães mas, até ver nada ainda se concretizou. Ora os seus fundadores em 1318, - Dom Afonso Sanches e Dona Teresa Martins - jamais poderiam pensar que a sua obra que com carinho obraram, estaria hoje, decorridos quase setecentos anos, em risco para desaparecer, como a noticia que originou este meu desabafo originou, que nos deu a conhecer, um principio de incêndio provocado pelos marginais que ali se instalam. E não há ninguém que ponha cobro a isto, e depois da tragédia se “ponham a chorar pelo leite derramado” ? Olhar pelo que os antepassados nos deixaram, não é uma reminiscência das glórias do passado, mas sim uma obrigação de todos. Braga, 23 de Fevereiro de 2011 LUIS COSTA
publicado por Varziano às 16:35

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