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Jul 10
HOR(A) OSCOPO (S) Ele andava mesmo em baixo de todo. Constantemente estava deprimido, aborrecido, era uma companhia indesejável e não era para menos, sempre a queixar--se da sua falta de sorte. Em tudo que se metia “ia por água abaixo”. Quando se via mais apertado, comprava uma cautela na esperança de um chorudo prémio. Jogava no totobola, no totoloto, e até no Euro-Milhões. Mas que raio, nunca acertava ou quando muito lá vinha o último prémio, dois três Euros ou na cautela a terminação. Se isso acontecia, raras vezes, podia considerar-se dia de festa. Dizia esta semana é que vai ser, vou jogar de borla, e assim se contentava. Certa vez a sorte quase o rondou. Viu o número da suada massa que tinha dispendido ser devolvido, com ganho e pensou a “mala pata” finalmente foi arredada. Jubiloso correu a ver a sua sorte e, na tabela lá estava o seu número, só que era mais pequenino, era o último. Remédio santo, na lotaria jamais jogou pensando que afinal a ter sorte, seria sempre uma pequenina e “ora bolas” para “pequeno remédio”, mais vale estar parado. Os amigos concordavam que era afinal um “gajo”, com pouca sorte. Poderia a tabela estar ter virado para cima e assim teria embolsado um chorudo dinheirinho. Um amigo de “Peniche”, aconselhou-o a consultar um vidente, cartomante e ele conhecia um que era infalível, tanto nas cartas, nas conchas ou na bola de cristal. Se quisesse arranjava-lhe uma consulta e com umas rezas e umas “mézinhas” a “mala pata” desaparecia, era certo, certíssimo, tão certo, como “dois e dois serem quatro”. Ele, apesar de queixa de má sorte, não era atreito a tais remédios, não acreditava, mas amigo tanto o cansou, tanto o insistiu com o conselho, que só para que não ficasse mal visto e mal agradecido, lá resolveu aceitar o jeito do amigo aceitando a recomendação, julgando que com ela, a consulta seria de borla. Lá foi procurar o feiticeiro, vidente e escamoteador de males de inveja e má sorte. Num primeiro andar de uma bela moradia, com o luxo de um consultório onde não faltavam estantes repletas de feitiços afastadores de “maus olhares” e quejandos males, como a falta de dinheiro, de amores mal compreendidos, e toda a caterva que doenças que afligem os habituais clientes que sustentam com os seus desembolsos, aquele “luxo a rico e à francesa”. Depois de uma desesperante espera, os lorpas eram muitos, e a sua vez chegou finalmente. Esperava-o uma intrigante figura de turbante, tipo oriental, e na mesa que se interponha entre o infeliz e o sortudo e bem inchado vidente e conselheiro, bem afanado e com uma proeminente barriga, comodamente instalado num sofá de boa pele de tigre, principiou com a sua lengalenga, estudada previamente, sobre o desventurado cliente. Escabichou a vida do infeliz que lhe caiu do céu, e pensou em o esfolar, até à medula, tendo em mente que teria de compensar o comissionista que o tinha indicado para dar a felicidade no amor, a riqueza e o bem estar daquele pobre diabo. Primeiro lançou as cartas sobre o tampo da mesa, delicadamente ilustrado com figuras mitológicas e arabescos. Alinhadas, mostrando a primeira ao cliente, afirmou, com o palavriado costumeiro, de que a sua vida estava de facto a correr mal, mas logo na seguinte, já vaticinava, dizia ele, a melhoraria. E a lengalenga ia correndo ao sabor das cartas, lengalenga que cada carta ia profetizando mudança na sua vida. Julgando ingenuidade do cliente, pergunta e mais pergunta, para se inteirar, por ele mesmo o que queria saber para depois desembuchar como, se de facto, por poderes mágicos o soubesse. Lança as conchas, reluzentes de madre pérola, e a magia iam seguindo. A coisa estava a melhorar, mas para isso era necessário que se concentrasse, respondendo mais sucintamente as suas perguntas. Sabendo já tudo, ou quase tudo, deixou a última pergunta: :- Qual o mês do seu nascimento ? :- Agosto ! :- Há! Muito bem ! É um mês propício à felicidade ! Você é VIRGEM ! :- Eu, VIRGEM? Pode lá ser ? TENHO QUINZE FILHOS ! Mais valia ter ido beber uns copos ao Zé das Letras!!!... Ficava mais animado e confortado!!!...
publicado por Varziano às 19:53

Á GOMES DE SÁ Nos meus tempos de estudante, tive um professor de português e francês, espirituoso, de piada pronta, oportuna, que deixou várias operetas que ficaram assinaladas como um grande comediógrafo. Certa vez, numa aula de francês, em que o tema do exercício seria a tradução de um texto para português, eu como os mais, não estando muito preparado, à cautela levei para a sala, escondido, um pequeno dicionário de bolso, pois o diabo podia tecê-las e esbarrar com termos que me deixariam à rasca. Cuidadosamente coloquei-o, discretamente ao meu lado no assento da carteira, uma daquelas que foram agora arredadas das salas e, que para os madraços era “ouro sobre azul”, pensando que assim levaria o professor. Mas ele, que certamente conhecia as manigâncias, talvez por experiência própria dos seus tempos escolares, desconfiou e veio espreitar e deu conta da minha esperteza saloia. Pega no dicionário e eu esperando um raspanete, ouvi apenas : :- Olha lá. Julgavas que comias com a burla. Certamente esqueceste-te, que eu sou GOMES DE SÁ, mas não sou BACALHAU !
publicado por Varziano às 19:46

. LENDA DOS NOMES DAS TERRAS E RIOS “…e chamou Deus ao elemento árido Terra e ao agregado das águas Mares” (Génesis – 10) …e depois viu que isto era bom e pensou em percorrer a terra e dar-lhes nomes. Acompanhado do querubim escriba, pôs-se a caminho. Atravessou continentes e chegou a este canto onde principiou a sua tarefa. Mencionava um nome e logo o escriba o assentava. Os passos seguiam--se e os nomes, surgiam ao gosto de Deus e o querubim ia assentando. Os relevos que eram parte integrante para a escolha e, assim, foram escolhidos os das localidades por onde iam passando. A azafama era grande, e o cansaço se fazia sentir nos caminhantes, mas teria que se aprontar e o esforço valia a pena – era bom ! Chegados a uma monte, onde a vista se alongava, o escriba queixou-se – Meu Deus, sinto uma grande dor na cabeça ! Que nome para esta terra ? Deus, preocupado com a dor do querubim, disse-lhe : - É dor de ouvidos ?! - “ÓBIDOS”, senhor ? e assentou “ Óbidos”. E caminhada continuava. Chegados a um ponto, Deus exclamou : - Daqui via todos os que criarei ! Sem mais, lá ficou o assento VIATODOS ! Passos andados, chegaram a um rio, que corria por entre gargantas cavadas. Qual o escolhido ? E Senhor disse, ele segue por lugar cavado e anjo escreveu Cávado. Já um pouco à frente, o escriba perguntou : - A este rio que nome se dará ? O senhor admirado respondeu : - Outro, homem ? o anjo escreveu “HOMEM”. Continuando na sua tarefa, o Senhor chegou perto do mar e, cansado descansou e adormeceu. Ao acordar disse ao querubim : -Em sonhos vi Ana! E logo ele assentou “VIANA”. E a missão ia-se cumprindo, os nome iam sendo assentes pelo escriba. -Qual Escolheis ? Senhor estou tão cansado ! -Não desfaleças, vai andando que estamos, por hoje a acabar. Depois descansarás. Caminha sempre! E o escriba, zás, assentou CAMINHA. Deixando o estuário do rio, passaram a outros lugares, Deparou-se-lhes um monte. Subindo-o com esforço, regalaram-se com o horizonte que dali se desfrutava. Num socalco descansaram e a pergunta sacramental : - Senhor, que nome dais ? E a resposta foi : - Dá-lhe lá um dos que já demos a outros . E anjo assentou “LAUNDOS”. Cansados pela dia tão afadigado o Senhor resolveu descansar por aquele dia e deixar para o seguinte a continuação da tarefa. E o querubim para acabar, pergunta : - E Senhor, por hoje o que faremos mais ? - Por hoje paramos, e amanhã recomeçaremos . E o escriba anotou “PARAMOS”. E assim terminou o dia
publicado por Varziano às 19:39

O B I S P O “Pelo São Martinho, abre a adega e prova o teu vinho” Mas como nós não tínhamos adega, e queríamos provar o da nova colheita, outro remédio não tínhamos do que o de recorrer ao “ZÉ DA MATA”, e porque não pode haver “São Martinho sem castanhas nem vinho”, lá nos preparamos para cumprir o ritual. E assim principia a história de hoje, mas para princípio temos de recorrer ao habitual início : Naquele tempo, ou melhor naquele ano ( há tantos que já nem sei quantos !... ), um grupo de “pagodeiros”, resolveu, como nos anos anteriores, festejar o dia das castanhas e vinho. Apesar de um sudoeste rijo ( o tal que esfola as redes e rasga as velas ) e uma chuva miudinha que encharcava os ossos ( a morrinha ), o temporal não nos desencorajou de o enfrentar e, pela avenida dos Banhos fora, lá fomos procurar o portão do Zé da Mata, onde iríamos encontrar um acolhedor, quentinho lugar, para saborear, por entre umas “canecadas” de um tinto de São Torcato, do que “pinta a malga”, umas estaladiças castanhas transmontanas, assadas no fogareiro e adubadas por uma camada de manteiga, quase de sabor caseiro e de lamber os beiços. Mas perguntarão, porque optávamos arrostar com o desabrido caminho da beira-mar, e não pela rua interior, mais abrigada do temporal ? Bem, nesse tempo a “bófia”, representada pelo polícia o Carcereiro, andava sempre de olho no horário do fecho dos “tascos” ou das vendas e, como o Zé da Mata era um dos locais preferidos pelos bons amantes da boa “pinga”, era um dos que da zona era vigiado. Como para enfrentar um temporal, numa noite de borrasca, a “bófia” não arriscava uma constipação a fazer vigilância por onde se ouvia o bramir do mar, e sentia os salpicos de salitre que o vento atirava para cima dos “canastros”, o caminho seguro, para a entrada do Zé, era o lado da praia. Construído o cenário do primeiro acto, vamos ao segundo. Entre a “malta”, malta no bom sentido, dos “pagodeiros”, encontrava-se um alegre companheiro, um pouco mais velho que os restantes, de seu nome Napoleão, que morava ali para a rua Almirante Reis. Dizia-se, e várias vezes, confidenciou entre risota, um facto que, constantemente, repetia. Trabalhava num escritório no Porto e todos os dias fazia o trajecto de comboio da Póvoa até à Boavista, estação onde terminava a linha da Póvoa. A casa do amigo Napoleão, era do lado nascente da referida rua e por conseguinte as traseiras com portão, davam para a linha do caminho de ferro. Prático, o Napoleão, não precisava de apanhar o comboio na estação. O maquinista fazia-lhe o favor de moderar a marcha e quase que parava para ele se meter na carruagem ! … Ora, Napoleão, era um dos comparsas da aventura das castanhas e do vinho na memorável véspera do dia de São Martinho. Lá nos encontramos todos no Zé da Mata. Nesta venda havia dois lugares distintos, um, frequentado pelos velhos e importantes e, o outro, pela rapaziada nova. Em banco corrido, tipo preguiceiro, era onde se sentavam os irreverentes moços aguardando a travessa das quentes e boas castanhas besuntadas da indispensável manteiga. E as canecas ou malgas (para saber bem o bom “verdasco” deve ser servido nestes recipientes), sempre cheias, iam afogando as castanhas. Um armário, impondo a sua presença à rapaziada, tinha numa das prateleiras e mesmo à mão de semear, uma e mais apetitosas malgas de marmelada e os olhinhos e a cobiça começaram a dardejar em toda malta. E se o desejo era grande, maior foi o arrojo. Um deles, num rápido ataque à fortaleza “armaria”, rapina uma malga e vai daí logo se pensou acabar aquela farra noutro sítio que não no Zé da Mata. E foram parar a outro da Mata, mas o Leonardo, então já no Largo do Castelo. Já bem bastantes “regados”, ali acabaram com o rico e doce pitéu. Assentaram, como “fim de festa”, já ultrapassada a meia noite, ser eleito o Bispo da noitada. Para isso todos os comparsas teriam que fazer um quatro, cruzando de pé as pernas e aquele que não aguentasse e mais depressa o desfizesse era então entronizado como BISPO. Todos se prontificaram a fazer a prova e o primeiro a quebrar o quatro foi precisamente o amigo Napoleão e assim, em resultado e por unanimidade, foi nomeado o BISPO DAQUELA NOITADA DE FESTA.
publicado por Varziano às 19:33

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