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Ago 08
RECEITA PARA CURAR PAIXÕES MUITAS SÃO ELAS, MAS UNIVERSALMENTE UMA É PREDOMINANTE Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, a palavra Paixão tem o significado de : “ tendência dominante, ou mesmo dominadora e geralmente exclusiva, que exerce, de modo mais ou menos constante, uma acção directora sobre a conduta e o pensamento, orientando os juízos de valor e impedindo e uma lógica imparcial”. Assim sendo, verificamos que há diversas paixões, podendo cada um de nós optar por uma, duas, três, quatro, ou mais. Há-as benéficas, altruístas, bairristas, desportivas, convenientes, simpatizantes, “lambe-botas”, que sei eu da sua infinidade. Temos que algumas delas, não sendo muito sentidas, são apenas para dar nas vistas, para agradar, para obter com a sua manifestação favores, paixões que logo de seguida são postas de parte. São as chamadas “paixões de ocasião” tão disseminadas por toda a parte. Algumas dão para o “torto”, com causas muitas das vezes prejudiciais, resultando em pancadaria, que chega até aos extremos. Aquelas que são bairristas, que disputam o valor das suas terras, de nascimento ou de morada : “esta é que é boa, tem tudo para fazer a gente feliz !”, contrapondo logo outro : “ a minha é que é boa”. No caso desportivo : “o meu clube é o melhor do mundo”: “não vale nada. O meu é que é bom” , e mais uma infinidade de paixões que seria inoportuno mencionar mais, mas não podemos esquecer que até, certamente, para albergar todas elas até já se pensou em arranjar um estádio para as juntar todas – o Estádio das Paixões. No entanto existe uma que é universal e que se junta a todas elas – a paixão amorosa – umas vezes no seu tempo, outras vezes serôdia. Algumas são bem correspondidas, outra só servem para achincalhar os amorosos. Sabemos que surgem aqui e acolá alguns “PEIXÕES”, que as fazem desencadear ao infeliz do mortal que deles se abeire. Se são correspondidos, tudo bem, mas se pelo contrário não merecem um olhar apenas, tudo mal. E há ainda aínda aqueles e aquelas, que sofrem no silêncio sem coragem para a manifestar e se contentam só no olhar – são as chamadas paixões “platónicas”. Mas por agora já chega, e para não aborrecer mais os possíveis leitores, vamos ao que interessa e deu título a este artiguelho. Entre as páginas um velho livro, encontrei há dias, um papelucho amarelecido pelo tempo, com caligrafia quase esvaecida, no qual estava descrita uma receita para curar paixões amorosas, e deve ser remédio santo para quem necessitar dele. Não posso atribuir a sua paternidade, nem tampouco a idade, pois nem está datada nem assinada : “Dr. Coração sofredor. Rua dos Amores – Paraíso Receita para curar paixões Tomam-se duas gramas de desprezo, uma libra de resolução, vinte e sete gramas de pó de experiência, uma dose de tempo, uma libra de água de consideração. Mistura-se tudo com o fogo do amor e junta-se tudo com o açúcar do esquecimento. Mexe-se com a colher da melancolia, despeja-se um garrafão tapado com a rolha da inocência. Toma-se uma colher de hora a hora, marcada pelo relógio do desengano. Os doentes que necessitam desta receita é dirigirem-se a este consultório.” Não sei do resultado da cura, mas não há nada como experimentar, se estiver alguém dela necessitado. Braga, l de Setembro de 2005 LUIS COSTA B.I. nº 1507748 ( Luís Dias da Costa) Tel. 253 216602 Assinante do Diário do Minho Res. Rua Dr. Elísio Moura, 141 r/c Braga www:Bragamonumental.blogs.sapo.pt Email . luisdiasdacosta@clix.pt www:Bragamonumental2.blogs.sapo.pt www:varziano.blogs.sapo.pt
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RUA EÇA DE QUEIRÓZ E JARDIM DE SANTA BÁRBARA Com início na rua Dr. Justino Cruz e final na Praça do Município a rua Eça de Queiroz foi aberta no final dos anos quarenta do século findo tendo, na altura recebido, em 27 de Abril de 1950, o nome do então Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Frederico Ulrich, em consideração pelo interesse e facilidades concedidas para a conclusão da obra. Decalca esta rua parte da cerca do antigo Paço dos Arcebispos, e para sua abertura teve de se derribar a capela de Santo António da Praça, um pequeno templo que se situava à ilharga do edifício do antigo Paço de Dom José de Bragança. Desmontado peça por peça, este templo tinha então sido destinado a ir ocupar um lugar no Bairro da Misericórdia mas ficou pela intenção e as pedras acabaram por se perder bem como a memória do Santo Taumaturgo que era oficial do exército português. Cabe aqui dizer que Santo António de Lisboa, assentou praça, figurando, como soldado recruta, fez a sua instrução militar e acabou como oficial do exército recebendo a princípio o pré e, depois o ordenado que a patente lhe atribuía. Nos dias do pagamento um mesário ia ao quartel onde lhe era entregue o quantia que lhe era devida. No dia da sua festa, integrava sempre a procissão uma força do então Regimento de Infantaria 8, aquartelado no Pópulo, prestando-lhe as honras militares. Como curiosidade, apontamos que os soldados ao passar defronte Capela, tinham, obrigatoriamente, de saudar o seu superior hierárquico, fazendo a continência. Depois do 25 de Abril foi, em 5 de Junho de 1964,foi substituída a sua primitiva denominação pelo nome do escritor poveiro Eça de Queiroz, conforme reza a acta camarária desse dia : “ a rua Engenheiro Frederico Ulrich passará a denominar-se rua Eça de Queiroz…”. Nasceu Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim, em 25 de Novembro de 1845 e faleceu em Paris em 1900. A questão da naturalidade do escritor poveiro tem dado azo a imensas disputas entre a Póvoa que reivindica, baseada em testemunhos irrefutáveis como a própria declaração da mãe e, como ele mesmo declara, numa disputa jornalística com Pinheiro Chagas: “Você (Pinheiro Chagas), bem sei, acha isto risível. Mas que diabo! Você é um poeta, um orador, um lutador – e eu sou apenas um pobre homem da Póvoa de Varzim.”, e, Vila do Conde que, como único testemunho se baseia no assento de baptismo, efectuado na Igreja Matriz, dias depois do seu nascimento. Ora o facto de Eça ter sido baptizado naquela igreja, já está devidamente esclarecido por vários autores, como, entre outros, por exemplo, o Monsenhor Manuel Amorim in “Separata do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim – Vol. XXXII, nos 1 / 2 – 1955 – O nascimento e o Baptismo de Eça de Queiroz”. Eça de Queiroz, formado em Direito na Universidade de Coimbra, tentou a advocacia, tornou-se jornalista e, finalmente, ingressou na via diplomática, tendo servido em Havana, Newcastle, Bristol e Paris, onde veio a falecer. Em Portugal, ocupou o cargo de Administrador do concelho de Leiria, onde escreveu um dos mais conhecidos dos seus romances, “O Crime do Padre Amaro”. Pertenceu ao grupo “Os vencidos da Vida” e foi um dos intervenientes das célebres “Questão Coimbrã” e “Conferências do Casino”. Introdutor do romance realista em Portugal, ninguém o excedeu na plasticidade da linguagem, onde por outro lado a clareza, elegância e musicalidade da sua obra o colocam como um dos principais estilistas do idioma português. Possivelmente a ironia caustica com que retratou a sociedade do seu tempo, esteja na origem do seu obscuro nascimento. Caso raro, e talvez único em todos os tempos, no assento do seu baptismo consta como filho de mãe incógnita. Deixou-nos uma valiosa obra, constituída por livros editados em sua vida, como outros de edição póstuma. É difícil destacar quais os melhores, mas sem dúvida, não podemos esquecer “Os Maias”, “A Cidade e as Serras”( póstuma ), “ A Ilustre Casa de Ramires”, “O Primo Basílio”, isto só para mencionar alguns da sua obra. À esquerda da rua Eça de Queiroz, situa-se o belo jardim de Santa Bárbara, um ex-libris da cidade e um dos mais bonitos recantos da cidade. O nome deste jardim não foi de escolha camarária, da sua Comissão de Toponímia, mas sim ele foi baptizado pelos bracarenses que aproveitando o motivo que se encontra ao centro, um fontanário que tem a encimá-lo a estátua da Santa protectora das populações contra as trovoadas, baptismo logo apoiado pela Toponímia e Câmara. Sobressaí este fontanário de um plano elevado por degraus estrategicamente dividido pelos quatro lados de um patamar que suporta o tanque onde ao centro uma coluna interrompida por uma taça do qual jorra a água e que, por sua vez, é continuada por um tronco realçado por quatro elementos, separados por argolas, sendo que o terceiro tem esculpidos motivos decorativos, servindo este conjunto de suporte à imagem da Santa que deu o nome ao jardim. Este motivo arquitectónico pertenceu ao jardim-cerca do antigo Convento dos Remédios e esteve por largos anos no Parque da Ponte, vindo a embelezar este local quando o jardineiro paisagista de seu nome Cardoso, funcionário camarário, delineou, ao tempo do Presidente Santos da Cunha, o belo recanto de que estamos a tratar, traçando os seus canteiros num conjunto admirável. A Câmara, premiando o seu extraordinário bom gosto em todo o aspecto, homenageou-o colocando uma lápide com o seu nome num lugar destacado do jardim. Hoje essa lápide está escondida, num recanto quase obscuro e, poucas pessoas tem dela conhecimento. Foi retirada do seu primitivo destacado lugar quando, há anos, em Braga, com a presença do então Presidente da República, Mário Soares, se comemorou o 10 de Junho, o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, e a Câmara resolveu homenagear o Dr. José Ferreira Salgado, atribuindo o seu nome ao novo largo que fica fronteiro ao jardim de Santa Bárbara e colocando no sítio anteriormente ocupado pela lápide do jardineiro Cardoso, o busto de Ferreira Salgado. Este busto, colocado naquele lugar tem dado lugar a confusões, pois que alguns quase esquecem o nome do político bracarense e, não sabem tampouco que o topónimo do Dr. Ferreira Salgado é o do largo fronteiro ao jardim, separado pela rua Dr. Justino Cruz, onde está colocado um espelho de água com repuxo, largo onde deveria figurar o busto e não no lugar onde o colocaram. Verdadeiro tapete persa de flores naturais, constantemente renovadas, conforme as espécies relacionadas com as estações do ano – amores perfeitos, rosas, cenerárias, camélias, bem-me-queres, etc. - que dão um colorido especial a este belo recanto, um dos mais bonitos, senão um dos mais belos da Bracara Augusta. É de notar que as árvores estão ausentes deste espaço, porque ele foi delineado mais para o encanto da vista, razão de ser constantemente fixado nas objectivas das máquinas dos turistas, do que lugar de lazer e recreio, pela sua exposição durante o dia aos raios solares e, só nas noites cálidas de verão, se pode aproveitar para um pequeno descanso nos poucos bancos de pedra ali existentes. No entanto, tem algumas árvores, mas apenas as que foram colocadas à face da rua Eça de Queiroz, como uma cortina arbórea para não chocar o bonito jardim com as construções modernas da rua, uma vez que todo o conjunto que pertenceu à cerca do antigo Paço Arquiepiscopal, hoje um nexo da Biblioteca Pública, é um verdadeiro museu pétreo ao ar livre, onde se encontra muito da parte histórica da velha Bracara. Assim, num plano inferior ao do jardim, depare-se-nos o Paço Medieval de dom Gonçalo Pereira, que foi Arcebispo de Braga (1625/1358), constituída por uma torre ameada, acrescentado por Dom Fernando Guerra, também Arcebispo (1416/1467) e ainda a obra do mesmo, o Salão Medieval. Na torre, notam-se pedras almofadadas, românicas, aproveitadas de alguma construção desse tempo e pedras sigladas do período medieval. Uns arcos góticos dão realce a este conjunto e foram ali colocados quando ao tempo do director da Biblioteca, Dr. Alberto Feio, cerca dos finais dos anos vinte e princípio de trinta do século ido, foi restaurado o edifício do Paço de Dom José, que meados do século XIX, tinha sido quase destruído por um incêndio. Serviam eles para sustentar o piso do hoje salão do Arquivo. Muitos elementos se encontram no local e que pertenceram a construções demolidas, principalmente durante os séculos dezanove e seguinte, como os anjos e grinaldas da fachada do Convento dos Remédios, brasões de fé e de armas, a Cruz de Dom Diogo de Sousa que deu origem à Irmandade de Santa Cruz, entre outros restos que seria fastidioso enumerar. Mas há ali uma pedra que não podemos deixar de assinalar, pois só conhecemos três exemplares. Trata-se do antigo brasão de Braga. Os dois restantes encontram-se, um, no Parque de São João da Ponte, no portão de entrada do que foi um Jardim Infantil, e que apara ali foi quando destruíram no Campo do Salvador (Mercado Municipal) o antigo mercado do Peixe e que serviu durante anos de quartel aos Bombeiros Municipais e, o outro, está nos claustros do Convento do Pópulo (hoje dependências da Câmara Municipal) e que pertenceu ao portão de entrada do antigo matadouro, nas Carvalheiras. Ainda se pode observar, na parte sul do plano inferior, a traseira do Paço, que dom Rodrigo de Moura Telles (1704/1728) mandou edificar. Braga, 29 de Fevereiro de 2008 LUÍS COSTA
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POSTAIS DO TEMPO QUE PASSA A TORRE DE SÃO ROQUE ( Em jeito de carta ) Ao receber hoje segunda feira, o sempre esperado velhinho, mas com espírito sempre jóvem, “COMÉRCIO DA PÓVOA DE VARZIM” e ainda antes de ler os jornais locais, que relego para depois de saborear, com prazer e deleite, as notícias da nossa póvinha do mar, infelizmente nem sempre boas, um dos assuntos ao qual presto cuidadosa atenção é a secção que me serve de título. E isto se deve porque a mor parte das vezes vem-me recordar os tempos de menino e juventude que passei na Princesa das Praias de Portugal. Aspectos de pelo menos mais de setenta anos que, agora que com a idade de 83 anos, vivi e recordo com saudade. É Avenida Mousinho com o seu túnel de árvores até lá ao cimo já pertinho da Igreja da Misericórdia, é o fontanário do menino a fazer “chi-chi”, e os trambulhões a que foi sujeito, até acabar no jardim traseiro da Capela das Dores, é o monumento ao mortos da Grande Guerra, desde os diversos locais a partir do cimo da Praça do Almada, e mais tarde ao meio e depois na Praça Marquês de Pombal e agora frente ao que resta do Mercado David Alves, com os seus talhos no interior, como o do “priminho” Barbosa e as hortaliceiras rodeando os arruados que ali existiam, é a feira dos porcos e da lenha no Largo das Dores, é a igreja de São José, de risco de Moura Coutinho, demolida par dar lugar à actual, é a Casa do Galo, é o velho guarda-sol desmontável no Inverno, é o Chinês, lugar ideal para passar umas noites, vendo Maravilhas e perdendo lá a “massinha”, é o Café da Libania, com o seu gostinho “a rabo de bacalhau”,… que sei eu de mais recordações. Seriam infindáveis e ocupariam todo a espaço do nosso centenário e os outros colaboradores ficariam a ver “navios” e isto não pode ser. Portanto regresso ao titulo deste artiguelho. Sugere a modos de pergunta o apreciado colaborador G. S. que não tenho o prazer de conhecer mas que aprecio a sua preciosa colaboração, fazendo-me recordar tempos que não voltam mais. Que pena não sermos como diz a quadra “…Primavera rainha das flores… vai e volta sempre”. Ora diz ou pergunta, volto a dizê-lo : “surge curiosamente com uma torre sineira que creio nunca ter existido” e continua “Estou certo ou errado ?.” Está errado, meu amigo, deixe-me tratá-lo assim, pois no Comércio, pudemos dizê-lo somos quase uma família que se vem transmitindo de pais para filhos. Contava a minha avó e também a minha tia, que uma furiosa tempestade, chuva e vento, por alturas do Inverno de 1922, uma fortíssima rajada fez desabar a torre sineira da Capela de São Roque e até situavam o dia, 21 de Março, e isto porque essa data ficou gravada nas suas memórias, pois esse temporal se fez sentir em Coimbra, e na Republica dos Grilos, republica de estudante minhotos e poveiros e da qual fazia parte o meu pai Jerónimo Luís da Costa. Quem, pode dizer-se, era a ecónoma ( para usar os termos de hoje ) era a minha mãe. À luz da vela ou do candeeiro estavam a preparar o jantar, nesse dia 21 de Março, na velha cozinha conventual, com uma avantajada chaminé, de grossos e pesados esteios de pedra. Eu estava ( tinha então 7 meses ) embrulhado numa manta ao colo da minha mãe. A cozinheira uma robusta poveira preparava “comezaina” para os esfomeados repúblicos e nisto um ruído como de um trovão, fez estremecer o velho casarão, os enormes pedregulhos desabam sobre a dependência e por um enorme buraco levam tudo à sua frente até à cave. A desgraçada cozinheira, dependurada pelo saiote é partida pela coluna, com morte imediata. A minha mãe cai no buracão e com fractura de crânio fica como morta e eu, confirmando o aforismo AO MENINO E AO BORRACHO PÕE-LHE DEUS A MÃO POR BAIXO, fui encontrado debaixo de um montão de entulho e tijolos sem uma beliscadura. Isto foi-me relatado, pois com sete meses, não podia ter qualquer “recuerdo”, e assim aliavam este vendaval de Coimbra ao do derrube da Torre de São Roque. Esclarecido o meu amigo, creia-me sempre Luís Costa Braga. Natal de 2003.
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A FARMOCOPEIA NA IDADE MÉDIA E NO SÉCULO XVIII PELOS CAMINHOS DE SANTIAGO ABUNDAVAM AS PLANTAS SALUTÍFERAS. NO SÉCULO XVIII UM TRATADO DE MEDICINA DÁ-NOS OUTROS REMÉDIOS Muito antigo é o conhecimento do valor de certas plantas na cura ou alívio de doenças que desde os primórdios, afligem a humanidade. Sabemos, já para não recuar aos tempos pré-históricos, que o conhecimento dessas plantas possivelmente anterior à alquimia, resultou provavelmente de uma “observação casual e seu raciocínio, está já nos papiros egípcios, nos escritos ideográficos do Imperador Chinês Cho-Chim-Kei, na Índia do Caraca…na Assíria e Babilónia, na Bíblia. ( 1 ) A divulgação dessas plantas curativas e ou alívio dos pacientes, muito devem às várias boticas conventuais espalhadas ao longo dos caminhos de Santiago, sejam os caminhos portugueses ou os jacobeus. As caminhadas eram longas, cansativas, sujeitas às inclemência do tempo, as doenças surgiam, o cansaço e por vezes até uma deficiente alimentação eram propícios até que o peregrino não chegasse a alcançar a meta da visita ao sepulcro do Apóstolo. Restava a esses romeiros a hospitalidade dos frades, que aos poucos foram conhecendo o valor curativo de diversas plantas, aplicando-as aos que a essas albergarias recorriam não só para tratamentos como também para desfrutar uns breves momentos de descanso nas suas infindáveis caminhadas. Ficaram famosas as boticas fradescas e ainda hoje, podemos ver as suas instalações da que foi do Mosteiro de Tibães, que ficava um pouco desviada por certo do caminho português, mas uma que ficava no caminho era a de São Salvador de Montélios. Muitas outras deviam figurar nesse roteiro, mas por agora vamos é falar das ervas curativas que então se usavam com plena satisfação dos peregrinos medievais. Esses remédios naturais, primeiro, a sua experimentação e aplicação principiou a fazer-se nas boticas dos conventos e só mais tarde eles passaram a ter uso nos incipientes hospitais daquela, até certo ponto, obscura Idade. Assim temos que desde nevralgias a calosidades e chagas nos pés, doenças dos olhos, provocadas muitas vezes pelo pó, vento ou frio, dificuldades na respiração, disenterias, vómitos, e um infindável rol de mil doenças, as ervas, as plantas, aplicadas por chás, por maceração ou emplastro tudo curavam. Por vezes o processo de cura era acompanhado de benzeduras, principalmente quando o doente recorria a curandeiros. Disso é exemplo a lenga-lenga que abaixo se reproduz : “ERESIPELA QUE VIESTES NUM DIA DE LUA CHEIA, TENS QUE MORRER SEM IR DAR A OUTRA PESSOA NA TERRA. A VIRGEM MAIS ME AJUDE E TAMBÉM O NAZARENO, OS DOIS ME DEEM PODER PARA SALVAR ESTE ENFERMO”. ( 2 ) Nem só os medicamentos eram compostos apenas por produtos vegetais, também era vulgar recorrer-se a outros de origem animal ou mineral. No entanto para o que estamos a tratar, interessam-nos apenas os de origem vegetal e usados, como dissemos na Idade média. Utilizavam-se as raízes, as folhas, os bolbos e até as flores, como a seguir veremos. O acónito ( planta venenosa ), era servido para calmante e regulador do coração e pulmões ; a angélica ( planta medicinal ), tinha propriedades estomacais; a argentina ( planta rosácea ), o cozimento das suas raízes e folhas, era remédio santo para acabar com a diarreia e hemorragia, enquanto que a arnica, em tintura, era usada para curar feridas e, por via oral se empregava contra o paludismo. A chicória tinha qualidades laxantes; aproveitando a água do cozimento do teixo, faziam-se excelentes xaropes, e era remédio estomacal. Também servia para combater a icterícia e ainda como tónico cardíaco e bem diurético. Havia ervas contra todos os males, desde a vulgar dor de dentes, até à retenção de urina ou espasmos nervosos. Remédio notável contra os escaldões do sol ou do frio, nada melhor do que esfregar o corpo, como o Senhor o deu ao mundo, num monte de urtigas. Deixando o medievo, vamos entrar agora, num novo período, a idade Moderna, ou seja no século XVIII. Para isso socorremo-nos do velho livro, datado de l726, cujo título é PORTUGAL MÉDICO – MONARCHIA MEDICO—LUSITANA, que a páginas 37, acrescenta, sem desaconselhar os remédios medievais, ou pelo menos a eles não faz referência, receitas de origem animal, das quais resumidamente, vamos descrever umas poucas, deixando outras pois que podem não as suportar os estômagos mais sensíveis. Respeitando a grafia para lhe dar mais sabor, eis, então, algumas : “Os cabbelos, destilados, & misturados com mel e óleo que shair hé este linimento hum grande remédio, para a produção dos cabellos. Reduzidos a cinza servem para o lethargo, e mais affectos supurosos pulverizando a cabeça. O mesmo pó bebido cura a icterecía. A mesma cinza misturada com cebo de ovelha corrobora os membros dislocados, & acode ao fluxo de sangue das feridas. Os cabellos da cabeça & do corpo enfermo introduzidos em um ovo, & dando-o a comer a qualquer ave depois de cozido, curaõ perfeitamente quartãas. Posto nos narizes fazem parar a hemorragia & applicados sobre a Erysipela applacaõ a ebuliçaõ do sangue. As unhas, tomadas ou em pó, ou em infusaõ provocaõ a vótimo: cortadas dos pées, & das mãos, & aplicadas ao embigo, expurgaõ os foros lympháticos os hydrópicos. Alguns para curar qualquer febre, intruduzé as unhas dos pees, & mãos do enfermo em um ovo, e daõ a comer a qualquer ave. Outros as envolvem & encorporam em cera, & de manhã, antes de nascer o Sol pregaõ a cera na pedra da janella. Outros as prendem a um caranguejo vivo & o tornaõ a lançar na agoa. Para recuperar as forças prostradas daõ um golpe na raiz de uma ceregeira, & aí introduzem as unhas, & cabbelos do doente, & tornaõ com esterco aglutinar o golpe. A saliva do homem em jejum tem virtudes contra as mordeduras venenosas das serpentes, & caõ damnando, cura as chagas, & as empingens. A cera dos ouvidos, tem-se por admirável remédio contra a cólica se se tomar em agoa appropriada. Exteriormente applicada hé contra a mordedura dos Escorpiões; conglutina as feridas, & fissuras da pelle; provoca a vómito posta no cachimbo com o tabaco, & tomando o fumo. O suor tem bom uso nas alporcas, se sobre ellas se puzer quente com a folha & raiz de verbasco. O sangue, hé decantado remédio para a Epilepsia, se se lançar nos beiços do enfermo em quanto está no actual acidente, também aproveita muito da lepra. Cura qualquer fluxo de sangue, ou bebido fresco ou reduzido a pó. O mesmo sangue que sahe pelos narizes, se se untar com ele a testa até que seque, faz parar a mesma hemorragia … As lombrigas, secas, & reduzidas a pó expelem as que ficam no corpo. Os piolhos tem virtude contra a Icterícia. A Urina, é calefaciente, exsiccante, resolvente, abstergente & mundificante…( 3 ) E por hoje não é preciso dar mais exemplos, a não ser que apareça alguém, se ainda não tiver o estômago revoltado, e que queira mais, então deve procurar o livro PORTUGAL MÉDICO – ou Monarquia Medico-Lusitano, e por ele saberá de muitas e mais novidades, misturadas com algumas poesias de vários poetas, de entre os quais se destaca Sá de Miranda. Muito mudou, e ainda bem, a ciência médica. Braga, 10 de Agosto de 2005 LUIS COSTA ( 1 ) Faro de Vigo, fas. 31 -1993 ( 2) -Ibidem ( 3 )-Portugal Médico – 1726, pag. 37 e segs.
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O CAMPO DE TÉNIS De novo os POSTAIS DO TEMPO QUE PASSA, a apreciada colaboração de G.G. no nosso centenário Comércio, me trouxe à lembrança, tempos que PASSAM E NÃO VOLTAM MAIS. O trazer aos póveiros de hoje o postal nº 156, veio recordar--me que no local onde está implantado e desde 1933, o Casino, foi em tempos da minha meninice, até ao último lustro dos anos 20 do século passado o Campo de Ténis da Póvoa. Lá ao fundo do postal entre o edifício da capitania e, o outro lado, onde existia uma estação dos famosos banhos quentes, vê-se um arvoredo. Era nesse local que se achava instalado o Campo de Ténis, espaço destinado aos banhistas, e não só, mas a todos os que se dedicavam então a esse sadio desporto, muito em voga, principalmente entre os banhistas mais endinheirados. Mas este pequeno apontamento não tem por origem o desporto então praticado naquele recinto. Serve apenas para lembrar que devido à carolice de alguns póveiros, banhistas e principalmente graças ao dinamismo de um senhor que de agora não recordo o nome ( os anos não perdoam e a mente também não ), apaixonado e ligado à Póvoa do qual não recordando o nome mas sei que era o Presidente do Comité Olímpico Português, alma mater de muitas festividades que nessa época se faziam para gáudio de banhistas e indígenas – estou a recordar umas festas marítimas, aí por volta de 1927, que ficaram tragicamente assinaladas – se realizavam nessa recinto recreios-concursos para diversão dos miúdos banhistas enquanto os seus pais se deliciavam com um havano e as suas ilustres mães se entretinham em conversa amena ou iam passando pelos dedos o tricot. As crianças de então entre as quais me incluía, passavam ali a tarde, abrigados da nortada pelo arvoredo, ventania que muitas vezes ainda é o pão nosso das nossas praias do norte. Eram as corridas de saco, a do ovo na colher, as velocidades nos triciclos ou nas trotinetas, e que mais sei eu (?) com prémios para os melhores, para os piores, enfim para todos os das brincadeiras. Os prémios eram dignos de bem saborear, pois eram rebuçados ou doces. Com a cedência daquele terreno para se edificar o Casino, o que foi um desgosto para a miudagem, o entretenimento passou para o Passeio Alegre, também um pouco abrigado pela vedação do murete em cimento e algum arvoredo do lado do mar e do norte pela casa do Dr. Caetano de Oliveira, cujos filhos, o meu amigo Zeca Caetano e a Lurdes deviam também entrar nos concursos, e ainda o edifício do Café Ribeiro, mas conhecido da “Libânia”, onde era servido um saboroso café, dizem, cujo segredo era o tal rabo de bacalhau. A passagem dos concursos, foi sol de pouca. Uma ou duas vezes serviu o velho coreto, de tribuna para a classificação. Os tempos e os costumes idem. Agora desses velhos tempos só ficou a recordação dos velhos rabugentos como eu. Braga, 8 de Fevereiro ( dia de Entrudo ) de 2005 Luís Costa
publicado por Varziano às 17:44

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