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Ago 08

SOBRE OS JOGOS PÓVEIROS

 

         Ao ler o nosso jornal “O Comércio da Póvoa”, o honroso avô dos semanários poveiros, uma notícia chamou-me a atenção e fez-me recordar o que mais de dois carros de anos que pesam nos meus ombros e na minha mente tinha olvidado.

Recordei o tempo da Escola Conde Ferreira, no Largo da Senhora das Dores, as brincadeiras e os jogos que nos intervalos das aulas praticávamos e de entre eles lá vinha o mencionado na notícia – o carolo.  De facto, o campo do jogo tinha de ser liso e terra batida mas, para fazer as covinhas, o terreno tinha que ter uma certa maleabilidade, isto é, tinha que dar a possibilidade de com o calcanhar, ou melhor, com o tacão do calçado, rodando o corpo, abrir o tal buraco. Posto isto vamos dar agora a mão à palmatória. De facto no Colóquio Santos Graça, cometi um erro ao apresentar o esquema indiquei cinco covas,  tantas eram a do jogo, No entanto, por distracção, no inicio do texto falei em seis, o que não está certo e isto se deve apenas a um lapso que me escapou na revisão. Ora isto sucede. Ao fazer-se uma revisão de textos lê-se o que temos na cabeça e não o que lá está escrito. São falhas indesculpáveis, mas que acontecem.

Mas passemos agora a outro assunto. Num dos últimos número de “O Comércio “  a noticia mencionou o jogo da “ Zocha”, conhecido em quase toda a parte como o jogo do PIÃO,  nanja na Póvoa que sempre foi e há-de ser sempre, enquanto estiver na memória da nossa mais velha gente, “ ZOCHA”.

Dava como o local do principal fabricante, ou pelo menos era para mim, um torneiro, cujo nome não recordo, que as trabalhava na sua oficina lá para os lados do conhecido ferro de engomar, o conjunto de edifícios que faz gaveto com a rua da Junqueira, Largo Dr. David Alves, a ligação com o gaveto de Santos Minho – fronteiro ao Garett e um – podemos dizer – prolongamento da rua da José Malgueiro ( rua da Senra ) até de novo entroncar na Junqueira. Pois era precisamente, nesta pequena travessa que tinha oficina o torneiro, onde muitas vezes fui ver tornear as zochas. Mas não no ferro de engomar, mas sim, para precisar melhor o local, nas traseiras, mais ou menos a meio da travessa que liga com a Junqueira,  rua principal da Póvoa onde tinha o seu estabelecimento o Baldomero ao lado do Pretinho, casa de café e outras miudezas. Portanto do lado esquerdo quem vai da Senra para a Junqueira. Houve na oficina do torneiro um grande incêndio e agora já não recordo se depois recuperou e continuou a trabalhar ou acabou.

Já agora e porque para muitos não sabem o que era o estabelecimento do Baldomero, devo esclarecer que uma casa comercial que, entre coisas vendia bombinhas do Carnaval, bichas de rabiar. serpentinas, bisnagas com perfume  ( entretanto proibidas ) e outro artigos usados tanto no Entrudo como nas festas dos santos populares e o “ Pretinho “ não porque o proprietário fosse ESCURINHO, como diziam as nativas quando estive em Cabo Verde, mas sim porque, de anuncio ao café vindo do Brasil ou das Colónias Portuguesas, tinha em lugar de destaque a figura de um Pretinho. Ainda há poucos anos vim a encontrar essa figura, num “quiosque”, em Braga, junto à Sé.

            E por hoje, mais nada felicitando a lembrança da Agenda, creio que edição da Câmara Poveira, de recordar os velhos e tradicionais Jogos Poveiros.

  Braga, 24 de Maio de 2004

                                                                                  LUIS COSTA

Emai:luisdiasdacosta@clix.pt   ----  http://varziano.blogs.sapo.pt

 

 

publicado por Varziano às 18:08

AS PELAS E OUTRAS

     OBRIGAÇÕES NA PROCISSÃO

                                        “CORPUS CRISTY”

 

Certo tempo antes da chegada do dia da festa do CORPUS  CRISTY, que, como já o dissemos, incluía uma das Procissões das quais a organização era da responsabilidade  camarária, reunia esta para acordar a ordenação do cortejo religioso. Em 1581 na assembleia que reuniu em 22 de Abril , foram discutidas e aprovadas as obrigações que várias entidades tinham de cumprir para o luzimento, brilho e esplendor dessa grande manifestação de fé.

Baseando-nos no que pacientemente A. do Rosário O.P. transcreveu do Livro de Vereações da Câmara de Braga, e relativo aos dois últimos anos do Senhorio de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires ( 1580 – 1582 ), para a Revista Cultural “Bracara Augusta”, vol. XXIV de 1970, ficamos a saber como, então nesses recuados tempos, em Braga se fazia a procissão, as obrigações, a constituição, enfim, aqueles que contribuíam para a sua realização.

Assim nessa reunião os vereadores, destinavam que as tochas, que iriam diante do Santíssimo Sacramento, seis de cada lado seriam transportadas pelos regedores que tinham sido da Câmara dos dois últimos anos. A Bandeira de Nossa Senhora, que é da cidade, seria levada pelos Juízes, logo seguida da do Anjo, que “levará Antº Sobrinho… e haverá de pitança como…(os) que levam as tochas”. A bandeira de São Tiago, cabia ao Juiz da Confraria. Quanto à de São João, também estaria a cargo do Juiz da respectiva Confraria. Para São Cristóvão e a bandeira, destinavam “ oito homens ( da freguesia de Ferreiros) bem vestidos no dito dia pela manhã para levarem o dito Santo, e o procurador dará a cada um vinte reis para beberem”, pagando ainda sete reis para almoçarem a “Manuel Lopes, e Jmº glz e António glz  carpinteiros e (para) o menino (que levará o mundo) que há-de levar luvas e cem para botas”.

Os gigantes (10) “logo diante sempre dançando e dará o procurador aos dois homens que os levarem a cada um cem reis, e ao pai deles outros cem reis e setenta reis para sapatos e umas luvas e dará ao tamborileiro que (os) tanger oitenta reis”, e os pagamentos se sucedem a todos os intervenientes, para almoçarem e beberem.

Acordaram que a serpe e cavalinhos irão sempre “diante da procissão” e que os espingardeiros com as suas armas, atirando ao ar (estrondos) “irão logo diante da clerezia.” Também aqui entravam os quadrilheiros, sob pena do que faltasse seria multado em cem reis. Resolveram que carro das ervas cheirosas “que levarão os hortelões da cidade e dentro deles moços com esguichos de água”. Acordaram de que o procurador no dia ( da festa) pela manhã, mandaria um carro de junco e muitas ervas cheirosas para se lançarem no terreiro, junto da pedra onde havia estar o Santíssimo Sacramento.

As freguesias de São Jerónimo, Dume, Froços e Semelhe, ficavam encarregadas de trazer à cidade carros de junco e espadanada, já que às de Navarra e Crespos cabia o cargo da limpeza dos terreiros, os muros e portas da cidade, pelo que viriam munidos de enxadas, vassouras, foices e varas compridas para varrerem e limparem.

Uma outra transcrição, que não a de 1581, faz referência que os proprietários das casas das ruas por onde passaria a procissão eram obrigados a varrerem e limparem as testeiras que enfrentavam as suas moradas.

E as resoluções se vão seguindo – pagamentos, para almoços, luvas, varas, calças, barretes, sapatos, e mais despesas – pois a procissão não poderia ser prejudicada com alguma falta.

Não podiam esquecer os dignos edis, as suas comodidades, e assim determinaram que “o porteiro no dito dia pela manhã cedo, leve o escabelo e o lambel a São Sebastião para nele se assentarem os Regedores, e assim terá cuidado de na véspera do dito dia de assento na Sé para eles Regedores se assentarem”. No dia da festa, era dia de Festa Grande, e como tal havia necessidade de fardeta nova e então acordaram que a despesa ficaria a cargo da Câmara: “mais que de ele procurador a eles a ele procurador e escrivão da Câmara a cada um dois mil reis para calças e barrete que levarão na Procissão. Também o escrivão da imposição, mil e quinhentos reis para o mesmo.”

Contemplado era também o porteiro da Câmara, com “quatrocentos reis para barrete e sapatos e trinta reis para luvas”.

Os que eram portadores das bandeiras, das tochas, e todas as pessoas que interviessem directamente na procissão, como o, já se sabe, procurador e escrivão, o almoço como era costume que era metade de carneiro, três pães alvos, duas canadas de vinho de fora da terra, uma de branco e outra de tinto, e a cada um seu queijo e tudo muito perfeito. Já para o porteiro, a ração era mais reduzida, um quarto de carneiro, um par de pães alvos e uma canada de vinho.

Pelo vistos no século dezasseis, a Festa do Corpo de Deus, era de facto uma festa, talvez, mais pagã que religiosa. Nesse tempo o Concílio de Trento, possivelmente, não tinha atingido os seus efeitos e, em parte, o paganismo estivesse, de certa maneira, ainda muito impregnado no espírito das gentes. E assim vemos que nas manifestações religiosas das procissões nos aparece sempre qualquer coisa que nos recordará referências a Festas Pagãs. Está neste caso, por exemplo no São João e noutras festividades,  a “Mourisca”, e no caso de que hoje nos ocupamos, as danças à frente do cortejo religioso, “Os gigantes”, o já há dias falado “O Boi Bento”, a “Dança das Espadas”, a “Serpe e os Cavalinhos”,  a “Dança das Pélas”, a “Coca” de Monção e na Espanha, em Redondela, e a nossa bem conhecida romaria de “São João”, a cristianização, e bem, da festa pagã do Solstício de Verão.

Sabemos que em toda a Península Ibérica, a festividade do Corpus Christi, é uma daquelas que com mais respeito se assiste. Acontece sempre numa quinta-feira, nos fins de Maio ou princípios de Junho e segundo um dito popular, esse dia é “um dos três que no ano reluz mais que o Sol, com os da Ascensão e da Semana Santa, os que na distância conveniente, sucedem no calendário”. (1)

 De todos os quadros que integravam a frente do cortejo, um dos que mais atraiu a nossa atenção era o da “Dança das Pélas”, pois, julgávamos nós que se tratava mais de um jogo ( péla =  bola ) do que propriamente uma dança. Assim procuramos esclarecermo-nos e então deparamos no it. 37, da transcrição da reunião de 22 de Abril de 1581, com o título “PÉLAS” , que diz “acordaram mais que hajam duas pellas muito galantes e irão muito bem vestidas e ricas de jóias à véspera e ao dia e as farão as padeiras, segundo seu costume”. Esta citação veio confundir-nos ainda mais. Lembramo-nos que em tempos tínhamos lido num fascículo do “Faro de Vigo” uma alusão às “Pellas”, nas festividades de que vimos tratando.(1)

Ora, nesse fascículo encontramos, até certo ponto, a explicação das várias danças, como a das espadas e das pelas pélas. Tinham uma relação com uma lenda, que deu origem a um quadro que ainda hoje se comemora, tanto em Portugal como na Espanha, “A Coca”. Uma bicha monstruosa, que ceifava com as suas garras, as pessoas, e que acabou por ser derrotada por um valoroso cavaleiro.

As mulheres então, sabendo da derrota e morte do monstro, colocaram as suas pequenas filhas sobre os ombros e, exultantes de alegria, dançaram num ritmo improvisado. Assim nasceu “A Coca”, número agora representada em Caminha e em Redondel, na Galiza. Mas a explicação não estava completa. Porque razão eram as padeiras que tinham a seu cargo o quadro das “Pelas”? E a resposta lá estava.

“As penlas ( pélas ), tradicionalmente, são meninas de pouca idade, ricamente vestidas. A sua denominação pode proceder, ou talvez proceda, do termo latino “puellla” ou por certo de “penulla” ou pena, porque o seu corpo é leve quase etéreo ao colocar-se sobre os ombros da “burra” ou transportadora, sempre uma mulher robusta…”.(1), vestidas de branco, simbolizavam a inocência, a pureza. “As penlas expressam a ingenuidade dos seus obsequiosos ritmos em torno ao Sacramento, representado na Custódia…”.

E assim soubemos, pela referida crónica de “O Faro de Vigo”, que às padeiras estava entregue a cerimónia, “talvez porque no seu trabalho manejavam a farinha com que se confeccionam as hóstias que a consagração transforma em Corpo de Cristo.” (1)

 

 

Braga, 7 de Junho de 2007       

 

                                                             LUÍS  COSTA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 – FARO DE VIGO-

Mitos e lendas da Galiza -

Fas. 29 - 1993

            

  

 

 

publicado por Varziano às 17:03

                    A FESTA DE CORPUS CHRISTI

 

Tendo sido a procissão do Corpo de Deus, como há duas crónicas me venho referindo, de obrigação Camarária, resta-me agora saber como é que ela entrou nessa obrigação e quando esta festa foi introduzida no Breviário. Tarefa para mim bastaste difícil, pois não sendo letrado nesse assunto, mas sim um simples curioso é, com auxílio de consultas aos livros que à mesma faz referência, que posso achar algo que satisfaça a minha curiosidade.

Sem pretender dar uma lição, pois para isso me falta “o engenho e arte”, depois de uma leitura, um tanto ou quanto apressada, apenas me pude referir, como início das minhas pobres crónicas, ao período do senhorio do Arcebispo Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, conforme a descrição feita pelas transcrições, como disse anteriormente, da Bracara Augusta – Revista Cultural da Câmara de Braga . Mas  agora pela Revista “Opus Dei”, editada pela década de vinte do século passado e também pelo livro de Cândido Landolt, “Póvoa Linda”, que viu a “letra de forma”, em 1914, posso dizer que satisfiz a minha curiosidade.

Apesar de todas as vicissitudes, de todas as perseguições porque a igreja  católico-romana sofreu, principalmente em alguns períodos dos dois últimos séculos, podemos afirmar, sem rebuço, que a maioria incontestável da população portuguesa professa a religião que recebeu dos seus ancestrais. Assim podemos dizer, sem dúvida alguma, que Portugal é um Pais Católico, como o provam as grandes manifestações religiosas que ao longo do ano se processam por todo o País, e uma das quais é a Festa do Corpo de Deus, a que nos temos referido. Portanto esta festa, dado a sua importância, não podia deixar de se incluir e ter o realce devido nas manifestações de grande religiosidade que, tanto a igreja como os crentes, lhe dão.

É pelos livros, que a minha pouca informação passa, e como disse, era a partir de 1580/1582, já vão decorridos mais de 400 anos, que fiquei a saber  que, desde essa data, pelo menos em Braga, era assinalada a Festa do Corpo de Deus, umas das maiores, senão a maior festividade religiosa de sempre. Será que ela se comemoraria antes e quando teria principado esta devoção ? E desde quando passou a ser encargo camarário ? Não tinha elementos para o saber.

Melhor elucidado, graças ao que Monsenhor Ferreira nos diz na revista “Opus Dei”, publicada em Abril de 1929, fiquei a saber que a festa do Corpo de Deus foi instituída pela Papa Urbano IV :

“Diz-se geralmente, e é verdade, que Sua Santidade Urbano IV instituíra em toda a Igreja a festa do Corpus Christi pela Constituição Transiturus de hoc mundo ad Patren, expedida em 11 de Agosto de 1264, e encarregara Santo Tomás de Aquino, o maior teólogo do seu tempo, de compor o Ofício da nova festa, para ser apenso ao Breviário, o qual, de facto, entre os Opúsculos, daquele Santo, tem o número 57”.(1)

Informa ainda Monsenhor Ferreira, no artigo citado que há autores que, sem fundamento afirmam que, logo no ano imediato de 1265, “com uma pontualidade britânica” a festa fora introduzida em Évora e Lisboa. A sua dúvida resulta do facto de não citarem documentos que o provem.

Relata que a “Festa do Corpus Christi” tinha tido o seu começo na diocese de Liége, em 1246. Afirma ainda que Urbano IV, anos depois, em 1264, a tinha estendido a toda a Igreja Universal, sem no entanto o decreto pontifical ter sido observado por todas as igrejas, o qual só se generalizou depois do Concílio de Viena do Delfinado (1311/1312) em que “Clemente V impôs, rigorosamente, a observância da referida Constituição de Urbano IV”, como se pode ver no Bulário e até no Breviário de Dom Rodrigo de Moura Telles (1724).

Pela revista mencionado se fica também a saber que a introdução em Braga da Festa do Corpo de Deus, se ficou a dever ao Arcebispo Dom Lourenço Vicente, apesar de na Constituição que no seu tempo foi redigida (1374) na qual se fazem alusão às várias festas religiosas, esta como a da Santissima Trindade, estarem omissas. No entanto, em 7 de Fevereiro de 1397, num inventário dos móveis e alfaias da Capela Gótica que ele tinha mandado edificar (a capela dos Reis, da Senhora do Livramento ou de Dom Lourenço Vicente, na Sé, conhecida por qualquer destas nomes), foi arrolado um Caderno do Ofício da Festa do Corpus Christi, “fora do Breviário o que demonstra tratar-se de uma festa recentemente introduzida”. Diz também que é considerada nova “no Breviário do Cónego Soeiro” (1)

Esclarecido este ponto, vamos agora a outro assunto que é o da obrigação camarária de arcar com a despesa e organização da festa. Para isso recorro ao que Cândido Landolt, nos diz no seu trabalho “A Póvoa Linda”.(2)

Não só para ele como para muita gente, achava esquisito serem as Câmaras, por obrigação, a contribuírem para as Solenidades, tanto da Semana Santa como a da Festa de Corpus Christi.

Como o vulgar cidadão ( as Câmaras são constituídas por “vulgares cidadãos” ), também algumas delas achavam “esquisita” essa obrigação e, como tal, nos últimos tempos da monarquia, considerando uma despesa facultativa a contribuição para a procissão do Corpus Christi, e outras, resolveram deixar de figurar nos seus orçamentos verba para esses actos litúrgicos.(2)

Não se conformam algumas confrarias com esta decisão e fizeram accionar os meios necessários para o esclarecimento do que achavam ser obrigação, consultando um advogado distintíssimo, o dr. Pinto de Mesquita, ao tempo exercendo as funções de Presidente da Junta Geral do Distrito do Porto. Depois de uma intensa pesquisa ordenou, dadas as suas atribuições, que essa despesa fosse obrigatoriamente incluída nos orçamentos camarários, esclarecendo que “a festividade do Corpus Christi é obrigatória das Câmaras Municipais, porque foi estabelecida por providências antiquíssimas da Igreja e decretada como permanente pelo Concílio Tridentino, sessão 18, Capitulo 5º, e posta no nosso País a cargo das Câmaras Municipais, segundo a disposição da Ordenação L. 1º Tit. 66, § artigo 48: e considerando como oficial pelas Cartas Régias de 18 de Maio de 1608, Alvará de 15 de Julho de 1621, Cartas Régias de 17 de Abril de 1625 e 25 de Junho de 1630”.(2)

Como em Braga temos a referência de que a Câmara, já promovia essa festividade, pelo menos a partir do senhorio de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, julgamos que deve ter havido antes das disposições em Cartas Régias acima descritas, alguma imposição que escapou ao dr. Pinto de Mesquita.

Ora, como se prova, pelo menos a partir das datas acima temos, oficialmente, a obrigatoriedade das Câmaras considerarem como sua a despesa com a referida festa. Isto se manteve até à instauração do Regime Republicano. Portugal que até aí tinha sido um País Católico, passou pelo Constituição a ser um País Laico, deixando, portanto de haver obrigações dos serviços públicos para com as manifestações religiosas.

  Pela lei de Abril de 1911, o estado tomou, num esbulho extraordinário, posse de todos os bens da igreja – edifícios, alfaias, esculturas, livros, paços, em resumo, tudo que fosse pertença da igreja, muito embora, logo após, o estado devolveu, pelo menos para efectuação dos serviços religiosos, as igrejas, confiando-as às respectivas Assembleias Paroquiais.

Esta situação manteve-se até à Concordata de 1940, quando se determinou que todos os edifícios e mais pertenças que eram da igreja e tomados pela referida lei de 1911, desde que não fossem considerados monumentos nacionais ou não estivessem ocupados por serviços estatais, regressariam ao seu primitivo possuidor. Em Braga, temos o caso do Seminário Conciliar, no Campo de Santiago, que tendo deixado de ser ocupado pelo exército, regressou de novo à igreja.

Creio, com o exposto ter esclarecido, em parte, qual a razão porque a festa do Corpo de Deus, era da responsabilidade camarária, se o consegui considero-

            -me satisfeito.

 

Braga, 17 de Junho de 2007.    

 

                                                  LUÍS COSTA

 

1 – OPUS DEI – Revista Litúrgica Mensal

ano III, nº 6 – 1928/29 -  Abril de 1929,pag.171/175

2 – A Póvoa Linda – Landolt Cândido – pg.76 - 1914

 

Telf. 253 216 602

 Rua Dr. Elísio de Moura, l4l r/c  

4710 – 422  Braga

 

      

 

publicado por Varziano às 16:56

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