02
Ago 08

              MARAVILHAS  POVEIRAS

 

                               A S   T  R  I  C  A  N  A  S

 

Nestes dias de verão, que nos convida a gozar as férias, procurando a fresca à sombra das telhas caseiras, já que as fabulosas pensões sociais dos “jubilados”, como nos chamam os nossos amigos galegos, porque para eles o termo de reformados não lhes soa bem, mas sim como de uma coisa já gasta, que se arruma para o canto como inútil, imprestáveis, um dos meus entretenimentos, além da “maravilha” do século vinte, o computador que faz cansar e extenuar o cérebro, é passar uma vista de olhos pela colecção de postais, alguns dos quais me fazem sonhar com paradisíacos locais, temperadas águas, sombras de coqueiros, fresca das alturas, nortadas inclementes e belos corpos torrando ao Sol na trabalheira, como costuma dizer-se, para o “bronze”.

            De entre essa caterva de postais que ao longo da minha acumulação de dilatados anos tenho reunido, surgem alguns que me fazem lembrar os meus anos de juventude e mocidade passados na Rainha das Praias Portuguesas, classificação que me não canso de atribuir e lançar aos quatro ventos à já velhinha, Varazim de Jusão, ou se quiserem Poboa Noua de Varazim ou ainda como no foral do Rei Dom Diniz, Reguengo de Varazim de Jusaão.

  A Póvoa, hoje uma nova cidade, cosmopolita e movimentada, onde, por vezes, é difícil distinguir os meses calmosos, de canícula ou, por mal dos nossos pecados, de Nortada, com os dias de Inverno, quando o mar brama ameaçador, tentando ultrapassar as barreiras naturais, mas mesmo assim espectáculo formidável da fúria dos elementos, é hoje cidade onde a onde a mistura de gentes dos vários quadrantes da Rosa dos Ventos é notória, desde os confins de Portugal, e agora de emigrantes, de primeira e segunda geração e até de estrangeiros, tendo, a par com condições de boa hospitalidade, a sua esmerada cozinha,  um dos mais belos encantos que bem representa esta terra de heróicos pescadores,  a bela tricana poveira.

Pela sua gentileza, pelo seu porte donairoso, pelo amável sorriso, pela sua graciosa compostura a tricana poveira distingue-se entre todas as moças deste ridente “País à beira mar plantado”. Não sei se é do clima, se é própria das gentes poveiras, já que a fama de raparigas bonitas se estende pelo concelho. Beiriz, é considerada como uma das freguesias da Póvoa, onde se encontram as mais belas moças, competindo em formosura e deleite com as poveiras.

Mas a tricana poveira, com o seu trajar peculiar, o xaile de merino, traçado sobre os ombros, a sua saia de fina cambraia, o seu avental e blusa de seda, profusamente coloridos, as suas meias de seda, que escondem uma perna bem esculturada, rematada por um chinelo de verniz, que encerra um elegante e pequeno pé, o seu cabelo bem penteado e enrolado num picho, aninhado sobre o pescoço, as suas arrecadas, por vezes brincos de rainha, um fio de ouro ao pescoço, normalmente enriquecido por uma medalha, encastoada pelo precioso metal e encerrando um esmalte representando a imagem da Mãe de Jesus e nossa Mãe – sua devoção peculiar - o seu andar num saltitar brincalhão, o seu olhar de encanto por vezes maroto que mais não é do que setas atractivas enviadas,  que apaixonam o mais empedernido e sisudo solteirão. Elas são uma verdadeira maravilha, e agora que está em moda a eleição das maravilhas, posso dizer que a tricana poveira é uma das maiores, senão a maior maravilha que nos deu a mãe natureza. E a vê-las nas marchas de São Pedro, nas festas e romarias, no São Bento de Vairão, na Senhora da Saúde, em Laúndos, nas festas de Nossa Senhora da Assunção ou nas de Nossa Senhora das Dores.

Sempre dignas, dão um ar festivo a estas manifestações. E eu,  felicito as que foram tricanas do meu tempo - há que belas recordações, os bailaricos do Sidral e as fogueiras, e a tasca do Barroso que servia, para refrescar as gargantas ressequidas pelo cantar da “Sarrasquinha ‘assacode’ a saia” - , as de hoje e aquelas que no futuro virão, para continuar a dar a esta terra de encanto a fama e a chama, que o mar às vezes ingrato mas sempre generoso beija, com carinho, quando o procuram para descanso e bem estar.  

Não ponho dúvidas, se houvesse uma eleição não só para coisas estáticas, mas com plena vida que o honroso lugar da melhor maravilha de Portugal e do Mundo inteiro seria

 

                  A TRICANA  POVEIRA

 

Obs. Talvez pelo meu fraco conhecimento os tecidos

usados pela tricanas sejam outros.

 

Braga, 30 de Julho de 2007

 

                                                                              LUIS COSTA

 

Se for possível peço me devolvam o postal.              

 

publicado por Varziano às 15:50
música: a

    ENERGIAS  ALTERNATIVAS

 

Com a escalada dos preços do petróleo, a subir, sempre a subir sem nunca mais parar, constantemente somos martelados com a frase “Energias alternativas” uma panaceia que se espera que o urgente remédio para a doença das nossas finanças, não tarde e muito a chegar, porque quando tarde chegar, por certo o doente já deu o que tinha a dar, com a morte súbita da falência.

 

É o aproveitamento da electricidade para mover os transportes rodoviários. É o gás natural, butano, propano ou outro “…ANO” qualquer. É o bio-disel, com aproveitamento dos óleos domésticos ou industriais. É o aproveitamento do vento, da energia solar, da energia das marés. É a solução do “empurra”, quando a massa não dá nem para o litro salvador, e a força braçal e “ombral”, é a solução para pôr a viatura, descansadinha e a bom recato na garagem, se a houver, ou na garagem estrela, a gosto do amigo do alheio.

 

Também uma solução talvez económica, é dar que fazer aos cavalos, não os que se encontram dentro do motor, êste só “comem líquido mal cheiroso e poluente” mas os das antigas cavalariças, meio usado desde os longínquos humanóides, pelo menos desde que o nosso pré-histórico primata, num rasgo de uma inteligência em formação, descobriu e pôs em movimento a roda, adaptando-a a um meio de transporte que revolucionou o mundo. Eram já finos, e com um cavalo, puxando uma carroça, transportavam uma data deles, muito mais do que até então, só um ou dois o faziam no dorso da cavalgadura. Eram de facto selvagens finos, muito mais do que nós, os civilizados, que para o transporte, muitas vezes só de um, são necessários uma data de cavalos, agora baptizados de “CAVALOS VAPOR”.

 

E ainda tinham uma vantagem sobre nós, os ditos civilizados, contribuíam para as hortas ecológicas e de certa maneira, pode dizer-se, não prejudicavam o ambiente  com um natural adubo.

 

Ora, com o andar da carruagem, com os preços dos combustíveis a subirem assim e depressa a atingirem o píncaro de que só alguns conseguem arranjar “pingues” para atestar os depósitos e com as carteiras a esvaziarem-se para encher os ditos, qualquer dia temos que regressar aos tempos dos anos quarenta do século vinte.

 

E para fazer andar os “mobilles” , recorreremos de novo ao “GASOGÉNIOS”, solução então encontrada, não pelo exorbitante preço, mas sim pela falta do produto, arma vital da guerra.

 

E pelas estradas fora veremos os actuais postos de venda de combustível, transformados em vulgares carvoarias a vender arrobas de lenha, para alimentar as caldeiras de produção de gás que fará movimentar os “bólides”.

 

Será uma solução e até barata, não eficiente, mas de vagar se vai ao longe e sempre se economizarão uns cobres, como compensação dos atrasos que o remedeio provocará, e até, no inverno, servirá para aquecimento, e isto enquanto o estado não se lembre de lançar um imposto por esta “Energia alternativa”.

 

E no caso das carvoarias não estarem à mão, será sempre bom carregar na mala uma boa dose de canhotas, como reserva, e como prevenção um bom e cortante machado para numa das bouças que se encontrarão pelo caminho ir fazendo um novo aprovisionamento.

 

 “Boa viagem” e não desanimem, “DE VAGAR SE VAI AO LONGE” !...

 

Braga,1 de Julho de 2008    

 

                                                                LUÍS COSTA

 

publicado por Varziano às 15:46

F O L G U E D O   D O   A N J O

 

                PÁSCOA  DE  1946

 

Meus Deus, como o tempo passa!!! Parece que foi ontem e já lá vão sessenta anos!!! Ainda me estou a ver naquela na última vez que fui de alongada até a Argivai, na segunda-feira de Páscoa do já longínquo ano de 1946, à nossa festa do Anjo, sim nossa, popular, sem música, apenas a voz esganiçada dos foliões cantando, afinados ou desafinados, não importava, as canções para a dança, sem foguetes, ornamentação e sem sequer Comissão Festeira, mas com uma animação e frequência sem paralelo, autêntica romaria, sem procissão, nem andores, numa manifestação que quase se poderia de classificar de pagã, que enchia as bouças daquela ridente freguesia, com destaque para a do Geraldes e que julgo que foi onde se iniciou, com a Festa da Hera, promovida, pelos princípios dos anos de 20, pela Banda dos Passarinhos, esta tradição que os tempos modernos parece destruíram. 

 De tal maneira que como ajuntamento de pessoas, numa alegre tarde, passada entre o jogo da péla ( esguina, esguina para a banda da Caxina ), bailaricos populares, conversa descansada acompanhada do merendeiro onde não faltavam os cambitos de raia, um traço de “chouro”, rosca de pão de trigo, ingredientes para ser, regados com a bela “pinga”, verdasco de “pinta a maugra”, deixava a Póvoa “às moscas”, podendo dizermos que movimentava a Póvoa inteira, só ficando em casa quase que apenas aqueles ou aquelas que por doença não podiam “agantar” a pequena caminhada a pé de poucos mais de três quilómetros.

    Há pouco regressado do serviço militar em Cabo Verde, nos anteriores anos estive privado dessa grande “festarola” poveira, de maneira que as saudades de uma tarde de folgança entre amigos ou simples conhecidos, o jogo, as danças e a merenda eram tamanhas, e muito lembradas, durante as SEGUNDAS FEIRAS DE PÁSCOA em que estive ausente e, portanto, folgazão como era, e para mais ainda não me tinha enforcado, não poderia faltar, mal sabendo que seria a última vez que saltaria, e alegre entoaria a :

                                            SARRASQUINHA, “ASSACODE” A SAIA.

                                            Ó MATILDE “ALEVANTA” O BRAÇO.

                                            JÁ QUE NÃO ME DÁS UM BEIJO,

DÁ-ME SEQUER UM ABRAÇO, UM ABRACINHO

que era a quadra de que mais gostava, pois para remate lá vinha :

                                                     ORA APERTA AMOR, APERTA,

                                                     APERTA, MAS COM JEITINHO!

 

      Outras quadras, saltam agora à minha já gasta mente e de entre as que mal recordo, veio :

                                                     ISTO É QUE SÃO AS SAIAS,

                                                     SÃO CALÇAS Á BRASILEIRA!

                                                     SÃO CANTARES, SÃO BAILARES,

                                                     É AMOR DE TODA A MANEIRA !

     

Bons tempos o da mocidade, agora só o posso recordar, com um mero saudosismo, pois é certo e muito certo o que diz a quadra ;

                                                     PRIMAVERA RAINHA DAS FLORES

                                                     COMO TU NÃO HÁ IGUAIS.

                                                     A PRIMAVERA VAI E VOLTA SEMPRE,

                                                     A MOCIDADE VAI E NÃO VOLTA MAIS !

 

Nem todos se lançavam logo aos bailaricos, para alguns a primeira coisa, e para abrir o apetite, nada melhor que umas jogadas da péla. Escolhidos dois rivais  ( por vezes a rivalidade estabelecia--se entre um casal, já recebido, ou ainda em namorico, assim tinha mais sabor a peleja) e, pé ante pé para ver a quem caberia o primeiro escolhido, que normalmente era aquele que julgassem ter melhor mira para acertar com a bola na “cachola”, e depois de formadas as equipas, principiava o ritual para saber qual dos grupos ficava em cima ( junto da “cachola) ou ia para baixo, apanhar a péla. Era mesmo um ritual : VAI COM UM ( para baixo) e a resposta do representante do outro grupo : VAI COM DOIS, e assim as propostas seguiam até chegar a um consenso.

 Logo principiavam os de cima : PRIMEIRO OLHO, e zás a bola lá ia pelo ar, (a princípio era feita de pano, até de restos de vela, e depois com o rodar dos tempos passou modernamente a borracha), então os de baixo tentavam agarrá-la no ar, perdendo assim o lançador a mão e outro passará ao lanço SEGUNDO OLHO, se não for apanhada no ar, de onde ele caísse, tinha que o tal bom mirador tentar acertar, atirando-a em direcção à “cachola”,( aqui outro ritual se processava, os de cima passavam as pernas por cima dela, para a enguiçar, não faltando o dito “Esguina, para o lado da Caxina).

O jogo terminava quando qualquer do grupo contendor chegasse ao final, cujo número já não me recordo, mas sei que terminava com a frase SEIS A CAVALO QUARENTA EIS, que nunca cheguei a compreender o que era, mas também não fazia mal.

Ora agora, resta ao velho rabugento de mais de oitenta, anos ( onde eles já vão! ), recordar e para isso nada melhor do que rebuscar nas velhas fotografias, algumas como a que acompanham este escrito e foi fotografada há sessenta anos, numa última para mim festa do ANJO. Nela, entre outros convivas ( eu não precisei de levar merendeiro, elas as minhas amigas não me deixaram passar fome) reconheço a Natália, a Branca, filha do falecido Dr. Cardoso, que com as irmãs fizeram parte desse numeroso grupo que estão a dançar, certamente o ABRACINHO.

Saudade, palavra bonita que como dizem :

                                                           QUEM A INVENTOU, CERTAMENTE CHOROU !

 

 

Braga, Páscoa de 2007     

     

                                                                 LUÍS COSTA

 

 

 

 

Obs: Se for possível, agradeço me devolvam a foto, sempre

é uma recordação dos meus tempos de jóvem.                 

 

publicado por Varziano às 11:50

             AVENIDA  DOS  BANHOS

                                                                     

 

                             Um projecto do principio do século XX

 

Ao escogitar nos escaninhos de uma velha secretária para onde costumo arrecadar papéis antigos muitos dos quais já nem me lembrava, fui dar de caras com umas publicações que me tinham em tempo merecido certo interesse e que hoje, de novo, me veio ressuscitar, para mim, uma novidade já esquecida.

 Entre essa papelada fui encontrar uns exemplares da Revista “Arquitectura Portuguesa”, editada nos princípios do século passado e entre elas uma cópia de um projecto sobre a avenida dos Banhos, na Póvoa de Varzim, e num número original outros a realizar também na Póvoa, “Um concurso interessante para projectos de construções económicas aberto pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim”.

 Assinados pelo arquitecto Moura Coutinho, com residência e escritórios em Braga, esta publicação em outro número refere ainda um pedido de um particular para um necessário empreendimento que muito valorizaria a Póvoa, não só nos meses de verão, como em pleno inverno.

  Melhoramento que chegou a concretizar-se, muito embora passados anos, talvez cinquenta, tivesse sido inteiramente modificado e, julgo, que do inicial se tenha apenas aproveitado algumas paredes.

Passemos então a interessar-nos pela perspectiva ou “boneco” que ilustra este escrito. Deve ter sido pela segunda dezena do século passado que a Câmara poveira pensou em dar um novo aspecto a avenida fronteira ao mar – a Avenida dos Banhos. Para isso contratou com o arquitecto Moura Coutinho, artista já consagrado em alguns projectos, dos quais o maior se pode dizer foi o Teatro Circo de Braga, a resolução desse empreendimento, confiando que no seu saber arquitectónico para dar um novo visual à frente marítima da Póvoa, na parte que dia a dia se iam tornando o local, principalmente no verão, mais intensamente movimentado e frequentado pelos “turistas” de então, nem admira, pois era por ali que se encontrava o mar e a praia para as “cachafundas”, receituadas pelos facultativos de então para curas das mazelas acumuladas durante o inverno, bem como os balneários dos banhos quentes, remédio salutar para os reumáticos.

A propósito de mazelas, foi por também por ali que nas tardes soalheiras e nos toldos de zinco, abrigados por vezes das inclementes nortadas que se principiaram a curar muitas mazelas, mas estas amorosas, que acabaram no altar com o nó sagrado.

Mas estou a fugir, como se costuma a dizer “com o rabo à seringa”, isto é, a sair intempestivamente do assunto a que se refere o título desta “escrevinhação”.

Depois de derrubada a primitiva capela de São José de Riba Mar, aquele local que até então estava ocupado pelos varais da seca de redes, velame e à roda de um barracão pela praça do peixe, a Câmara resolveu transformá-lo num lugar de passeio, de recreio, apesar da oposição da população piscatória, com o beneplácito da Irmandade da Lapa, que exercia “uma soberania sobre os areais desde as circunvizinhanças da sua igreja até ao extremo norte da vila.” (1)

E assim nasceu o Passeio Alegre, que veio a esbarrar, mais tarde com o Café da Libânia, assim mais conhecido e pela casa do Dr. Caetano de Oliveira (hoje edifício da Sopete).

No plano sugerido por Moura Coutinho, o Passeio Alegre, deveria prolongar-se, pelo menos até onde agora se encontra a Esplanada do Carvalhido, e assim apresentou à Câmara Municipal o perspectiva que hoje trago ao conhecimento dos póveiros que gostam de saber coisas da história local.

Se o projecto tivesse ido avante, a Avenida dos Banhos teria um visual completamente diferente do que hoje nos apresenta, melhor, pior ?. Responderá com estiver disposto, e a sua sensibilidade o aconselhar.

Haverá que se notar que estava numa época completamente diferente da actual, ainda se fazia sentir o gosto da “belle èpóque”, á qual Moura Coutinho também aderiu, muito embora estivesse, por vezes e quase sempre, nas suas realizações, sujeito ao classicismo.

Segundo o seu neto, João Rui de Moura Coutinho, há pouco falecido, a célebre “Casa do Galo”, derrubada pelo camartelo do progresso, ali em frente à esplanada, fazendo gaveto com a Avenida dos Banhos, tinha sido projectada pelo seu avô. Não sei se a versão apresentada, tem foros de verdadeira. No entanto, quanto a mim, foi uma pena a sua destruição, sempre era uma marca de um período e de uma época que influenciou muita construção.

Se a paciência dos amáveis leitores, não se tiver esgotado, terei a prazer, em nova crónica,  de lhes mostrar outras sugestões e obras do arquitecto que deixou a sua marca no Norte do País, e nesta nossa ( é abuso da minha parte dizer nossa, uma vez que não sou poveiro de nascença, mas sim e apenas poveiro de coração) Povinha do Mar.

 

Braga, 21 de Novembro de 2007.

 

(1)  BARBOSA               - Viriato – A PÓVOA DE VARZIM, pag. 128

 

                                                                            LUÍS COSTA

 

www: bragamonumental.blogs.sapo.pt

email: luisdiasdacosta@clix.pt

email: luisdiascosta@sapo.pt

         

      

 

 

 

publicado por Varziano às 11:41

           A S    C É D U L A S

 

                          DINHEIRO  QUE  CORRIA

SUPRINDO A FALTA DE COBRE

  

Nos anos subsequentes à primeira Grande Guerra, com esforço de guerra,  a utilização dos metais tinha sido desviada para a produção de armas e munições, e, por conseguinte, o cobre então como sempre utilizado nas moedas, nesse tempo de menor valor, tinha desaparecido do mercado. Destinado a maiores valores, sempre ou quase sempre com a cobertura pelo Banco Emissor (estou a recordar-me do célebre caso do Angola e Metrópole, com Alves Reis a aproveitar-se do facto de que nem sempre assim sucedia), de determinada reserva em Ouro, era o papel moeda que corria.

Essa nova moeda, que veio substituir a então em uso moeda de cobre, prata e ouro, não entrou, facilmente nos hábitos da população e até foi necessária a publicação de uma ordenação para que o pagamento aos funcionalismo se fizesse, obrigatoriamente, em estipuladas partes de moeda metálica e outra no moderno papel moeda.

A moeda de metal, tinha os seus inconvenientes, o principal dos quais seria certamente, quanto a elevadas quantias. O seu transporte e arrecadação representavam um extraordinário peso. Já viram o que seria, já nos nossos tempos, carregar com mil escudos em moedas de dez tostões ( um escudo ) ? ou agora mil euros em moedas de dois ?

Assim podemos dizer que a introdução do papel moeda, sem menosprezar o velho cobre e outras ligas que continuam a circular para quantias menores, foi uma grande novidade que veio facilitar a vida, e até mais uma grande vantagem para os falsários. Torna-se mais fácil fazer falsa moeda papel do que em metal.

A razão, talvez, a não substituição da moeda metálica, de baixo, ou melhor, de mais baixo valor, por papel, deve estar no seu uso, o papel é facilmente deteriorado e as quantias menores tem mais uso. Todos usamos cêntimos para comprar pão e se não tivermos moeda mais a jeito, o troco virá sempre em moedas metálicas,

   Ainda me lembro bem das notas de dois escudos e cinquenta centavos, das de cinco escudos e das dez escudos. Mas nesse tempo, talvez há setenta/oitenta anos, cinco coroas (2$50) era dinheiro, para muita gente essa quantia representava um dia de trabalho e portanto o que mais circulava nos bolsos, eram os centavos, um ou dois, os meios tostões (5 centavos), os tostões (10 centavos), a coroa ($50 centavos) e as duas coroas (1$00), dado que um quilo de broa, por exemplo, às vezes nem chegava a duas coroas e um pão de trigo, andava por 2 tostões. As moedas de 2$50, 5$00, 10$00, e 20$00, foi uma novidade que apareceu com o Estado Novo, moedas que foram a princípio em prata, mas que depressa passaram para níquel, certamente por RAZÃO DE ESTADO!!!.

Mas vamos à razão do título desta croniqueta. Com a falta de cobre, as pessoas viam-se e desejavam-se com os pagamentos e, quanto a trocos, o problema acentuava-se. Por mais voltas que se dessem tanto os clientes como os vendedores encontravam-se num beco sem saída. Mas o problema tinha de resolver-se. Só o Estado tinha poderes para isso. Lançou então um decreto que autorizava as Câmaras Municipais a emitirem cédulas, de pouco valor, que circulando livremente, supririam dessa maneira a falta de moedas de cobre.

Pelas cédulas que ilustram êste “artiguelho” ficamos a saber que a Câmara da Póvoa, como a de outras localidades, como Braga, se serviram deste disposição governamental para a resolução dos problemas que a guerra tinha causado, na circulação de pequeno dinheiro.

Segundo me disseram, muitos dos tempos de folga, eram utilizados pelos marçanos a colar as pequenas notas que pelo uso estavam rasgadas. Ainda sou do tempo em que elas circulavam. Lembro-me, vagamente, do meu pai que estava a atender ou um amigo e cliente, no seu escritório de advogado, na rua de São Bento da Victória, no Porto, perto do Tribunal de São João Novo, me dar uma dessas cédulas para comprar um carramilo ( pau de açúcar ), no Largo das Taipas, ( nesse tempo nas rua, automóvel, nem vê-lo ), maneira de o deixar sossegado no seu trabalho.

A moda pegou e então das Câmaras passou para o comércio. Várias lojistas aproveitaram o ensejo e vai de fabricar cédulas, quase a esmo. Seria isto uma inspiração para as notas de quinhentos do Angola e Metrópole ?

No Arquivo do falecido amigo Dr. Manuel Braga da Cruz, cheguei a ver uma boa colecção de cédulas e de entre elas umas mandadas imprimir pelo Café Viana, de Braga, e para surpresa minha, estava assinada por um dos concessionários, meu familiar, o meu tio Zé Costa ( José Luís da Costa).

Eis, uma história verídica que para muitos será, talvez, uma novidade.

 

Braga, 5 de Agosto de 2007      

                                                 

                                                             LUÍS  COSTA

 

www. bragamonumental.blogs.sapo.pt

Email: luisdiasdacosta@clix.pt

Email: luisdiascosta@sapo.pt

 

 

Anexo: uma cédula de 2 centavos, da Câmara Poveira

             Uma fotocópia de uma cédula da Câmara de Braga,

             Uma reprodução da nota de quinhentos (não sei de é de

              se publicar, pois é aproveitada do “Público”)

Agradeço me sejam devolvidas.

Cumprimentos

 

publicado por Varziano às 11:38

Agosto 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
18
19
20
21
22
23

24
29
30

31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
arquivos
2013

2012

2011

2010

2009

2008

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO