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PELA VELHA JUNQUEIRA - 2 – Continuando o nosso passeio pela Junqueira fora vamos deparar, logo no começo, com a entrada para a sacristia e lateral templo de São Tiago, também conhecido, outrora por São Roque. A construção da sacristia não é da mesma época da igreja. Vários foram os motivos que atrasaram a sua edificação, devendo destacar-se o último, talvez pelos finais do século dezanove ou princípios de vinte que foi devido a que o proprietário do terreno, feroz anti-religioso, não esteve pelos ajustes de o ceder. Só depois do seu falecimento é que foi resolvido, pela sua viúva, o imbróglio. Em frente, a seguir à barbearia Costa, a casa que em tempos foi a residência do cenógrafo Rebelo Júnior, que deu a sua valiosa colaboração durante as festas de verão na concepção de vários elementos decorativos e muito principalmente aos cortejos das “Marchas Luminosas”, cujo estaleiro era na cerca dos Bombeiros Voluntários, no quartel da rua Santos Minho. Foi em tempos a morada do conhecido Amorim, reputado mação, conhecido por “Miroma”. Aqui foi o consultório do médico poveiro, Dr. Agra Amorim. Fronteira a este prédio habitava outro conhecido poveiro, Ângelo Ferreira Barbosa, comerciante estabelecido no mercado Dr. David Alves, com um talho. Mas este chorado bom amigo era também industrial, a fazer fé num anúncio publicado neste nosso velhinho Comércio da Póvoa, quando ainda um jóvem de 23 anos, em 26 de Fevereiro de 1926, no número oitavo publicava : “Sociedade Industrial de Produtos Químicos ‘IRS’ Ldª FÁBRICA DE SABÃO Peçam em todas as mercearias o nosso sabão É O MELHOR FABRICADO E ISENTO DE MATERIAIS PREJUDICIAIS Pedidos por junto ao administrador-gerente ÂNGELO FERREIRA BARBOSA Um pouco a seguir encontra-se o edifício onde morou o insigne poveiro Santos Graça e que durante algum tempo também serviu de residência a Leonardo Coimbra. Nos baixos encontrava-se um estabelecimento comercial de venda de fazendas. No seguimento, estava a casa também de venda de fazendas, “O Leão de Ouro”, cujo proprietário era o pai de sempre lembrado Quim Martins. Mais tarde e depois do falecimento do comerciante, foi esta casa ocupada pela Casa Espanhola, de capelista, onde pontificava Alejandro Flores, vice-consul na Póvoa, da nação espanhola, mantendo na fachada e encimando a porta principal o famoso Leão de Ouro, uma das curiosidades da Junqueira. Quase fronteira a este prédio, estava e está a Padaria e Pastelaria Valonguense, cujo dono, João Dias, introduziu na Póvoa as famosas bolachas ali fabricadas, Maria. Este industrial era o pai dos falecidos amigos Eugénio e Tone Dias ( o Padre Jesuíta Olimpo Dias) e também do Quim Dias, que um dia enfeitiçado pelo amor de uma gentil carioca, abalou até aos “Brasis” e por lá se mantém, pleno no gozo da sua provecta idade ( daqui vai um vigoroso abraço e votos de saúde e mais longa vida). Prosseguindo a nossa excursão, repararemos num prédio quase seguinte onde junto á platibanda, quase escondida, uma placa assinala a casa onde morou Cândido Landolt. Em frente a Farmácia Central, cuja fundação se deve ao amigo familiar Madureira e cujo filho, Dr. Madureira Pires, meu ilustre amigo é actual proprietário. Passos andados, deparava-se então nos anos de 30/40, uma casa de modas e tecidos, “Paris na Póvoa”, que enfrentava a rua, creio que se chama Cândido Landolt, local hoje ocupado pela livraria de outro amigo falecido, o Marcelo. No gaveto sul, estava um dos três cafés que então havia de inverno na Póvoa, o Café Nogueira, onde pontificava o Vicente, que mais tarde, muito mais tarde, fundou o Diana Bar. Era neste café que se reuniam os columbófilos poveiros. Voltando à velha edição do Comércio, já referenciada, vamos encontrar o anúncio da casa de ourivesaria que se situava no gaveto frente ao Nogueira. Vamos por hoje respigar o anúncio nele inserido : == O U R O == e PRATA USADA --- C O M P R A --- Ourivesaria Fontainha & Fontainha Rua Cinco de Outubro PÓVOA DE VARZIM E por agora ficamos por aqui, com a promessa de voltar à velha rua da Junqueira e Largo do Chinês, pois ainda muito há para recordar. Braga, 11 de Agosto de 2008. LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 16:05

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