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O PISPAUTIRA DE COMO UMA MÚSICA POPULAR SE EXPANDIU POR PORTUGAL INTEIRO Graças ao reportório de Tonicha e outros artistas nacionais, está hoje a verem-se ressurgir músicas e canções populares que há anos estiveram em voga e das quais muitos de nós se recordam com saudade. De ente elas uma nos fez despertar do marasmo em que nos encontrávamos relativamente à música popular. Referimo-nos ao “PISPAUTIRA” que agora, tanto a T.V. como a Rádio nos apresentam numa interpretação um tanto ou quanto diferente dos anos 20, quando esta música fez furor. Cerca dos anos escolares entre 1918/21, havia em Coimbra uma República de Estudantes, minhotos e poveiros, quase todos eles. Chamava-se essa república “dos Grilos”, talvez por ocupar uma casa que deveria ter pertencido à Ordem dos Agostinhos Descalços, conhecidos de “Os Grilos”, nome que lhe foi atribuído por a sua Casa Mãe, em Lisboa, estar situada na rua do Grilo, da então freguesia do Beato António, e que hoje julgamos ser a freguesia do Beato e Olivais. Dessa república faziam parte, entre outros, Jerónimo Costa, Manuel João Amorim Alves, o padre Pontes, o portuense Pinto Nunes, julgamos que outro poveiro, Joaquim Torres da Costa Reis, os bracarenses Gaspar Sameiro, Estelita e onde por vezes também acamaradavam Manuel António Braga da Cruz e o seu irmão Domingos Braga da Cruz (dizem que excelente cozinheiro), e outros estudantes nortenhos se reuniam nas patuscadas e bem regadas jantaradas que ali se faziam, principalmente quando, regressados de férias, traziam os seus bornais repletos de bons chouriços, saborosos presuntos e o inseparável verdasco da região. Era então um grupo de jovens – alguns dos quais, felizmente, ainda por cá andam e que o seja por muitos e dilatados anos – que com a sua alegria esfusiante, própria da idade, contagiavam a cidade que lhes servia para completar a sua cultura, muito necessária para a vida que então se lhes apresentava risonha. Ora, sucedeu então que uma música popular – segundo o Cancioneiro mas que outros atribuem a Jerónimo Costa -, principiou a animar as festas estudantis. Surgiu ela depois das férias da Páscoa. Já nessa altura havia o costume de algumas famílias poveiras se deslocarem na segunda feira de Páscoa até aos recantos ridentes de algumas freguesias da Póvoa para, em alegria festejarem, numa reunião de amigos, o fim da Quaresma. Assim principiou a romaria do Anjo. Como director e como um dos principais fundadores do Orfeão Poveiro, via-se o Dr. Josué Trocado, um musicólogo poveiro bem conhecido, ainda hoje pelo menos de nome, de muitos da Póvoa do Mar. Hábil na composição e excelente na letra, adoptou à música de “O Pispautira” umas quadras de sabor poveiro que então se cantaram, não só pelo Orfeão (seria assim amigo Antero Ferreira ?) como pelas gargantas cristalinas das gentis poveirinhas e galantes poveiros. Findas as férias da Páscoa, regressaram os estudantes poveiros aos seus afazeres de Coimbra e com eles levaram “O Pispautira”. E ali, rapidamente, se divulgou essa novidade musical. Alguns faziam parte da Tuna Académica; outros, do Orfeão da Universidade, mas todos, sem excepção, faziam parte de uma turba de alegres folgazões, norma dos então e de agora estudantes de Coimbra. E “O Pispautira”, com quadras improvisadas, no qual entrava o refrão : “Raparigas novas Vamos nós ao vira, Dar a meia volta Ó pispautira, Ó pispautira!” entra de rompante em Coimbra. Chegaram entretanto as Festas dos Santos Populares, e à roda das fogueiras, saltitando sobre as chamas, os rapazes e as raparigas iam entoando “O Pispautira”, assim como nos salões chiques ou nos teatro ou cafés; e toda a gente, improvisando, lá metia o refrão de “O Pispautira” Acabado o período escolar, recolhem os académicos às suas terras e com eles levam “O Pispautira”, assim se encarregando de o divulgar por Portugal inteiro, que é então, pela sua vivacidade, acolhido nos mais recônditos lugares deste país à beira mar plantado, terra de poetas, de música popular e de alegria. Numa época em que a Rádio ensaiava ainda os primeiros passos, e isto na “estranja”, e a T.V. nem sonho era ainda de alguns, assim se explica a rápida expansão de “O Pispautira”. Nisto tiveram quota parte os estudantes poveiros que tendo assistido aos ensaios do Orfeão Poveiro, no restaurante do “Gaspar da Mariquinhas, levaram esta música para Coimbra, que os seus colegas tornaram conhecida do Pais inteiro e que hoje, graças aos meios de que se dispõem, está a tornar-se para uns, numa coqueluche e, para outros, numa saborosa recordação. Braga, 25 de Outubro de 1978 LUÍS COSTA Obs. Esta crónica foi publicada no “Comércio da Póvoa”, em Outubro de 1979. Resolvemos inclui-la no blogs www: varziano.blogs.sapo.pt.
publicado por Varziano às 16:47

Joaquim Torres da Costa Reis é o meu Avô paterno e nasceu acidentalmente numa quinta dos seus pais em Gondifelos, Vila Nova de Famalicão. A sua família era originária de São Miguel de Arcos (Vila do Conde) e de Balazar (Póvoa de Varzim) porém esteve sempre ligado à Póvoa de Varzim onde morreu em 1962.
Tenho algumas fotografias do meu Avô em Coimbra alusivas a este tema que poderei ceder a quem se interessar.
Obrigado

José da Costa Reis
José da Costa Reis a 15 de Outubro de 2009 às 22:32

Boa Tarde,

Estou a fazer uma tese de mestrado sobre Gondifelos. Gostaria de saber se o seu avó Joaquim Torres da Costa Reis era proprietário de uma habitação à face da estrada nacional 206, em pedra, com várias datas (1824,1909,1993).

Muito obrigado.

Pode responder para pauloacscorreia@gmail.com
mhp a 14 de Junho de 2011 às 16:27

Exmo. Senhor
Dr. Paulo Correia
Boa tarde

É muito provável que seja essa que refere. Entrarei em contacto consigo via email.
Com os melhores cumprimentos
José da Costa Reis
José da Costa Reis a 14 de Junho de 2011 às 19:40

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