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Ago 08
UMA ANTIGA CASA POVEIRA DE FOTOGRAFIA Ao rebuscar numa antiga arca onde foram guardados, pelos antepassados da minha mulher, vários documentos, livros antigos, e jornais encontrei por entre um montão de velhas fotografias com mais de um século, uma que despertou a minha curiosidade. Por tradição sei que houve no final do século dezanove um “atelier” fotográfico na Póvoa, propriedade da Família Evaristo, nome creio que tinha a designação de : FOTOGRAFIA EVARISTO, onde trabalhava o já há anos falecido amigo José Neta, e que a tomou, mais tarde, nos princípios das décadas iniciais do século passado até meados desse, com o nome de FOTOGRAFIA JOSÉ NETA e que hoje ainda perdura não sei se com o mesmo nome. Foi aqui que dei os primeiros passos para o mundo do trabalho. Apenas com dez anos, tinha acabado de fazer o exame do segundo grau em Junho ou Julho de 1932, e íeis-me ali a aprender o ofício de fotógrafo, que não resultou. Mas ainda recordo a esposa do Zé Neta, a Dona Laurinda, a ler-lhe, enquanto ele retocava com habilidade, desfazendo as rugas dos fixados nas grandes reproduções fotográficas ( ele apesar de grande artista na arte não sabia ler ), o Jornal de Notícias, de entre as quais muito apreciava a secção “Pelo mundo”, jornal já então muito popular e apreciado muitas vezes pelas notícias “bombásticas” que apresentava. Sei também que existiu uma na Junqueira, cujo nome não tenho a certeza mas que me parece ser o de fotografia MARQUES, e segundo as minhas reminiscências de então, julgo estar ligada ao nosso bem recordado e um dos intérpretes do filme de Leitão de Barros, “ALA ARRIBA”, João Fernandes (?), “baratinha” , cujo nome julgo ser este pois a minha mente já cansada talvez tenha perdido o seu verdadeiro nome. Para além destas duas casas, existia a Fotografia de Avelino Barros, na rua de Santos Minho, ( recordado há dias por uma reprodução neste jornal ), mesmo de frente à casa da minha avó onde passei os meus tempos de juventude e mocidade. Lembro- -me perfeitamente do seu estúdio e parece-me estar a ver a sua galeria na entrada principal, na Santos Minho, onde estavam expostos fotos que tinha tirado ao pescador e sua mulher com os aprestos para ir para a faina do mar, um dos seus trabalhos amplamente divulgados em jornais e revistas da época e os retratos premiados. Recordo ainda e, com saudade, pelas brincadeiras aí efectuadas, o corredor que dava acesso à galeria de exposições na Junqueira, mesmo ao lado da casa daquela desmemoriada, talvez louca, que dava pelo nome de Maria do Sol (?), que sempre ao sair da sua casa a trancava de tal maneira que depois dificilmente entrava nela. Lembro também a impressora tipográfica, com a precisa caixa de caracteres, que serviu para que o filho Armando Barros, precocemente falecido, juntamente com o meu primo José Alfredo Campos Costa, editarem um pequeno jornal, da qual saíram apenas dois ou três números. Ora voltando, como sói dizer-se, á “vaca fria”, isto é à velha fotografia do bracarense Augusto Eduardo Pereira Lobato de Azevedo que, talvez nas suas férias de verão na Póvoa, no último quarteirão do século XIX, se fez fotografar num antigo fotógrafo poveiro, conforme se comprova pela foto que ilustra êste artiguelho, pois na parte posterior indica : ANTÓNIO JOSÉ DE BARROS – PHOTOGRAPHO – PÓVOA DE VARZIM. Ao afirmar que deve ter sido retratado naquela data referida, baseio-me no facto de este bracarense ser avô da minha mulher e o meu sogro, nascido nos finais desse século quase que nem chegou a conhece-lo, pois o seu pai morreu muito novo e ainda dentro do século XIX. Haverá alguma relação entre o fotógrafo António José de Barros e Avelino Barros ? Será que este tenha sido seu familiar ? Dos cinco filhos que conheci de Avelino Barros, a mais velha, que era o braço direito do pai nos seus trabalhos, casou por volta dos anos de trinta e deixou a Póvoa. A Céu, faleceu muito nova bem como o Armando. O Antero, meu companheiro de brincadeiras e escola primária, que foi gerente do banco Pinto Soutto Mayor na Póvoa, faleceu também há dois ou três anos. Resta a Ceiça que se ainda andar por êste vale de lágrimas que é a nossa vida vendo transpor os portais da eternidade os nossos entes e conhecidos queridos será quem me poderá dar uma pista e assim responder à minha pergunta. Se dos descendentes de Avelino Barros já nenhum restar só talvez, através dos assentos paroquiais agora depositados, fazendo parte do Arquivo, na antiga casa do Lima, fronteira ao Museu da Póvoa, se poderá fazer luz sobre o fotógrafo António José de Barros. Dada a minha impossibilidade de me poder esclarecer, deixo esta pergunta a um dos investigadores póveiros, que os há e bons, caso o assunto lhes interesse. Braga, 22 de Março de 2006. LUÍS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt www: bragamonumental.blogs.sapo.pt Incluso : fotocópia da fotografia a que alude o texto.
publicado por Varziano às 16:24

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