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AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO ANTIGO É vulgar, quando alguém quer destacar uma coisa notável, grandiosa, fora do comum, usar a frase “é a oitava maravilha do mundo”, sem muitos dos que a usam não saberem quais sãos as outras sete e só porque são muito citadas, aproveitam para chamar a atenção para o produto ou coisa que querem assim propagandear, pois partem do princípio de assim levam os mais incautos a julgar por eles que deve ser uma, de facto, maravilha, seja produto de higiene pessoal, de qualquer utilidade, de grandiosidade sejam eles estádios ou monumentos. Ora de um “Manual Encyclopedico para uso das Escolas de Instrução Primária”, organizado por Emílio Achilles Monteverde e aprovado pelo Conselho Superior de Instrução Pública, editado em Lisboa pela Imprensa Nacional, em 1850 ( para não haver dúvidas vou escrever por extenso MIL OITOCENTOS E CINQUENTA ), encontrei entre a vária matéria que então era dada, coisas que hoje espantaria meio mundo, como aconteceu comigo, e muito principalmente os pedagogos. Desse interessante manual que inclui matérias, talvez de cultura geral, nas que não ponho dúvidas que para os dias de hoje seria um absurdo ensinar crianças com definições de geometria, de trigonometria, escultura, gravura, arquitectura, história universal e outras disciplinas quejandas o que seria uma obsessão. Talvez certo estaria naquela época, então já que Portugal se tratava de um estado de supremacia católica, como ainda hoje o é, em que o Rei era decisão divina, fossem administradas aulas “Dos nossos deveres para com Deus”, da Religião, História Sagrada, do Velho e o Novo Testamento, mas convínhamos que para catraios com sete, oito, nove ou dez anos, ou até mais, estas aulas não deveriam ser mais que uma passagem ligeira que facilmente não poderiam atingir os fins que os então pedagogos julgavam. Mas há mais, que hoje, se continuasse esse método de estudo, na primária, clamaria aos céus. Ensinar a miúdos escolas de pintura, geografia astronómica, geografia física e política das várias partes do mundo, literatura portuguesa e até mitologia e biografia clássica, deveria ser uma estopada. Agora só algumas delas são ensinadas no secundário e até outras, nem são dos currículos escolares e, quando muito, em cursos superiores ou especializados. Razão tinha um velhinho que conheci muito bem que afirmava que, muito embora não tivesse estudado pelos manuais do meado século XIX, ainda tinha apanhado o método de ensino do final desse século, que “quando se saía, nesse tempo, com a instrução primária bem feita, poderia considerar-se um doutor”. Vem êste proémio a propósito das revelações que nesse manual encontrei e que me parece que agora, só são nomeadas em enciclopédias e nunca como matéria de ensino principalmente para a classe etária a que se dirigia. Menciona esse já velho manual de mais de cento e cinquenta anos, na parte segunda sobre arquitectura como matéria as SETE MARAVILHAS DO MUNDO ANTIGO, e assim principia por as descrever, não sem antes entrar com o preâmbulo: “Os sete monumentos mais célebres da antiguidade, conhecidos pelo nome das Sete maravilhas do Mundo, são as seguintes : ( l ) 1º As Muralhas e Jardins (suspensos) da Babilónia mandados construir por Semiramis, Rainha da Assíria. 2º As Pirâmides do Egipto, ao sueste do Cairo que foram edificadas (não se sabe por quem) há perto de quatro mil anos, segundo se julga, e serviam de sepultura aos Reis do Egipto. Formam dois grupos: As três maiores são chamadas Pirâmides de Giseth; as outras são conhecidas pelo nome de Pirâmides de Mênfis. (2) 3º O Farol de Alexandria, mandado construir por Ptolomeu Philadelpho, no ano do Mundo de 3670 sobre um rochedo, da pequena ilha de Faro ou Faros, situada à entrada do porto de Alexandria. Esta famosa torre tomou pois da ilha em que se achava edificada, o nome de Faro, que se deu a todas as luzes que se acendem de noite para guiar os navegantes, e hoje são mais conhecidos pelo nome de Faróis. 4º - O Mausoléu ou túmulo que a Rainha Artemisia fez levantar a seu marido Mausulo, Rei de Caria: e desde então se ficaram a chamar Mausoléus aos túmulos que se erigem para honrar a memória dos mortos. Esta Rainha, modelo de ternura conjugal, julgou não poder honrar melhor as cinzas do seu marido do que misturando-as com a sua bebida; e para aliviar a sua dor, mandou edificar aquele túmulo, gastando na sua construção, avultadíssimas quantias. 5º- O Templo de Diana, em Epheso, em cuja construção se gastaram 220 anos; tendo toda a Ásia contribuído para essa despesa. 6º- O Colosso de Rodes, que era uma estátua de Apolo, de bronze, colocada à entrada do Porto de Rodes; era de uma grandeza tal, e tinha os pés sobre dois tão elevados rochedos, que os navios lhe passavam à vela por baixo das pernas. Esta estátua era destinada a um fim útil, pois tinha na mão direita um farol que todas as noites se acendia para indicar aos navios a entrada do porto. Um terramoto a derrubou, e os seus destroços carregaram 900 camelos. 7ª A estátua de Júpiter Olímpico no templo de Olímpia, na Elida. Esta estátua assim como o trono em que estava sentada eram de ouro, marfim e pedras preciosas e de um trabalho e uma elegância admiráveis. De todas estas maravilhas do mundo antigo o que hoje ainda existe, são as pirâmides do Egipto, monumentos notáveis que tem sido objecto de vários estudos que tem revelado muito do que hoje se sabe sobre a civilização egípcia, principalmente devidos a trabalhos iniciados a partir dos meados do século dezanove. Com este meu artigo, se é que assim se possa classificar, julgo ter dado a conhecer, não só as “Maravilhas do Mundo Antigo”, mas como era então o ensino primário no já tão longínquo ano de 1850. Braga, 1 de Março de 2006 LUÍS COSTA Email. luisdiasdacosta@clix.pt www :bragamonumental.blogs.sapo.pt (l).- Os autores estão de acordo acerca do número das maravilhas do mundo, mas nem todos citão os memos monumento. É necessário notar que estas informações são colhidas em 1850, estando hoje desactualizadas. (2) – As pirâmides eram o emblema da vida; a base representava o seu principio e a extremidade o fim.
publicado por Varziano às 16:00

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