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Ago 08
POSTAIS DO TEMPO QUE PASSA A TORRE DE SÃO ROQUE ( Em jeito de carta ) Ao receber hoje segunda feira, o sempre esperado velhinho, mas com espírito sempre jóvem, “COMÉRCIO DA PÓVOA DE VARZIM” e ainda antes de ler os jornais locais, que relego para depois de saborear, com prazer e deleite, as notícias da nossa póvinha do mar, infelizmente nem sempre boas, um dos assuntos ao qual presto cuidadosa atenção é a secção que me serve de título. E isto se deve porque a mor parte das vezes vem-me recordar os tempos de menino e juventude que passei na Princesa das Praias de Portugal. Aspectos de pelo menos mais de setenta anos que, agora que com a idade de 83 anos, vivi e recordo com saudade. É Avenida Mousinho com o seu túnel de árvores até lá ao cimo já pertinho da Igreja da Misericórdia, é o fontanário do menino a fazer “chi-chi”, e os trambulhões a que foi sujeito, até acabar no jardim traseiro da Capela das Dores, é o monumento ao mortos da Grande Guerra, desde os diversos locais a partir do cimo da Praça do Almada, e mais tarde ao meio e depois na Praça Marquês de Pombal e agora frente ao que resta do Mercado David Alves, com os seus talhos no interior, como o do “priminho” Barbosa e as hortaliceiras rodeando os arruados que ali existiam, é a feira dos porcos e da lenha no Largo das Dores, é a igreja de São José, de risco de Moura Coutinho, demolida par dar lugar à actual, é a Casa do Galo, é o velho guarda-sol desmontável no Inverno, é o Chinês, lugar ideal para passar umas noites, vendo Maravilhas e perdendo lá a “massinha”, é o Café da Libania, com o seu gostinho “a rabo de bacalhau”,… que sei eu de mais recordações. Seriam infindáveis e ocupariam todo a espaço do nosso centenário e os outros colaboradores ficariam a ver “navios” e isto não pode ser. Portanto regresso ao titulo deste artiguelho. Sugere a modos de pergunta o apreciado colaborador G. S. que não tenho o prazer de conhecer mas que aprecio a sua preciosa colaboração, fazendo-me recordar tempos que não voltam mais. Que pena não sermos como diz a quadra “…Primavera rainha das flores… vai e volta sempre”. Ora diz ou pergunta, volto a dizê-lo : “surge curiosamente com uma torre sineira que creio nunca ter existido” e continua “Estou certo ou errado ?.” Está errado, meu amigo, deixe-me tratá-lo assim, pois no Comércio, pudemos dizê-lo somos quase uma família que se vem transmitindo de pais para filhos. Contava a minha avó e também a minha tia, que uma furiosa tempestade, chuva e vento, por alturas do Inverno de 1922, uma fortíssima rajada fez desabar a torre sineira da Capela de São Roque e até situavam o dia, 21 de Março, e isto porque essa data ficou gravada nas suas memórias, pois esse temporal se fez sentir em Coimbra, e na Republica dos Grilos, republica de estudante minhotos e poveiros e da qual fazia parte o meu pai Jerónimo Luís da Costa. Quem, pode dizer-se, era a ecónoma ( para usar os termos de hoje ) era a minha mãe. À luz da vela ou do candeeiro estavam a preparar o jantar, nesse dia 21 de Março, na velha cozinha conventual, com uma avantajada chaminé, de grossos e pesados esteios de pedra. Eu estava ( tinha então 7 meses ) embrulhado numa manta ao colo da minha mãe. A cozinheira uma robusta poveira preparava “comezaina” para os esfomeados repúblicos e nisto um ruído como de um trovão, fez estremecer o velho casarão, os enormes pedregulhos desabam sobre a dependência e por um enorme buraco levam tudo à sua frente até à cave. A desgraçada cozinheira, dependurada pelo saiote é partida pela coluna, com morte imediata. A minha mãe cai no buracão e com fractura de crânio fica como morta e eu, confirmando o aforismo AO MENINO E AO BORRACHO PÕE-LHE DEUS A MÃO POR BAIXO, fui encontrado debaixo de um montão de entulho e tijolos sem uma beliscadura. Isto foi-me relatado, pois com sete meses, não podia ter qualquer “recuerdo”, e assim aliavam este vendaval de Coimbra ao do derrube da Torre de São Roque. Esclarecido o meu amigo, creia-me sempre Luís Costa Braga. Natal de 2003.
publicado por Varziano às 18:00

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