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FRONTEIRAS ABERTAS É de todos conhecida a vantagem que resultou da abertura das fronteiras ao transito de pessoas e mercadorias. Todos, quase em uníssono, aplaudiram esta medida resultado dos acordos estabelecidos com a CEE. De facto, hoje em dia qualquer um pode passar livremente as fronteiras sem o incómodo de ter de apresentar o passaporte, sem ter de esperar que lhe revistem as malas, passando por todos os países dessa convenção com a maior facilidade e agora com o Euro, nem sequer tem a preocupação de trocar a moeda ao cambio, o que por vezes se tornava numa verdadeira dor de cabeça. Podemos concordar que foi uma vantagem extraordinária que os Europeus da zona da CEE, conquistaram. Mas contudo, não há bela sem senão. Se de facto temos agora em mão todas essas facilidades, hemos de concordar que " nem tudo são rosas ". Sem controlo, qualquer um pode alojar-se num País, seja criminoso ou pessoa de bem, seja viciado da droga ou traficante. É certo que há medidas tomadas para evitar ao máximo todos os inconvenientes. Mas isto é problema de autoridades e quem sou eu para o poder discutir. Este intróito serve apenas para revelar como as autoridades bracarenses do século XVIII reagiram à entrada de determinado produto de origem estrangeira no nosso mercado. Hoje, com a proliferação de super mercados, lojas de " centios ", de comida enlatada e embalada no estrangeiro, com bebidas que de nacional ás vezes nem o nome tem, com vestuário de marca não nacional, com imensos produtos a invadirem os nossos mercados, com prejuízo para as nossas produções, muitas das quais sujeitas a quotas de produção que não podem ser excedidas para que os excedentes estrangeiros possam ter lugar no nosso mercado, como o caso do leite ( que é vendido com marca francesa ), as frutas que por terem excedido o que nos impuseram, é enterrada, mantendo assim os preços elevados que não chegam a muitas bolsas - fruta tão necessária a uma boa alimentação. E quando uma grande parte da população mundial, se não a maior, e até a portuguesa - vejamos a miséria que paira nos bairros de lata - está a morrer à míngua de alimentos, nós não podermos produzir aquilo que o nosso solo, a nossa mão de obra pode fornecer, é um autêntico atentado à humanidade. Isto revolta-nos e não podemos conceber tal estado de coisas. Mas voltamos a repetir "quem sou eu para remediar tão grande mal ". Mas voltando à razão do escrito de hoje, que até certo ponto servirá para homenagear o Centenário de " O COMÉRCIO DA PÓVOA DE VARZIM ", sempre acérrimo defensor dos desprotegidos, da causa Republicana e do bom nome da Póvinha do Mar, vamos, baseando-nos no que está transcrito num Livro de Actas da Camara de Braga, dar a conhecer como o Senado bracarense reagiu à entrada na sua Alfândega - nome então dado à Casa onde se pagava o tributo das vendas na cidade e se conferiam as medidas e pesos - daquilo que já foi o presigo dos pobres . Primeiro vejamos a reclamação das gentes da Vila de Prado, apresentada ao Senado de Braga. Diziam eles que devido aos constante transito de carros vindos da Galiza, com peixe, o piso da Ponte e as suas guardas estavam sempre em péssimo estado, e que portanto pediam providências à Camara de Prado, ao Abade do Convento e Couto de Tibães, e ao senado da Camara de Braga, responsáveis pela boa conservação da Ponte, o seu arranjo urgente. Valha a verdade que não eram só os carros galegos os culpados . Por ali também passavam numerosos carros com material cerâmico - telha e tijolo. O porto de pesca da Galiza, Vigo, estava a lançar em cheio, a " lavoura do mar ", por todo o Norte de Espanha e Portugal. É certo que para o nosso País foi necessário um privilégio de isenção passado por Sua Magestade o Rei Dom José - livro de Vereações da 1774 - 1782, 5/ 9/ 1781, fol173 v- para poder ser posto à venda determinado produto do mar. No entanto, na sessão do Senado da Camara desse dia, tinham o vereadores acordado que todos os galegos que na Alfândega ( de Braga, na Arcada ), vendiam sardinha da Galiza, para poderem gozar do Privilégio Real, tinham que apresentar na Camara ou se a não houvesse ao vereador mais velho, a partir do dia 27 desse mês por diante, guias passadas pelo Juiz de Fora de Valença, pelas quais se provava que haviam entrado no reino, proveniente de fora do Reino. Mas agora aqui principia a concorrência entre o peixe proveniente dos nossos portos e o proveniente do reino vizinho. Para remediar êsse mal, que atingia principalmente a pescaria da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, e outros portos do País, onde a sardinha era " fabricada e salgada ", o Senado de Camara de Braga, na sua sessão de 25 de Novembro de 1788 anos, fol. 103, determinou que dado que os negociantes galegos, para impor o seu produto, estavam a fornecer por cada vintém meia dúzia de sardinhas, o que era manifestamente contrário ao preço dos negociantes portugueses, que estavam a vender, para não terem prejuízo, por um preço mais elevado, determinou, como se diz acima, que a Sardinha Galega, teria que ser dada ao público por um preço superior, isto é dando mais espécies por vintém que seriam, neste caso, 10 sardinhas, acompanhando assim o preço do peixe dos portos portugueses. E assim a " guerra da sardinha " teve o seu desfecho graças à postura da Camara de Braga. Hoje isto não é possível, e os tratados impõem quotas e o mercado português está a ser invadido por produtos estrangeiros com o consequente prejuízo para a produção nacional, que não pode concorrer com aquilo que os países ditos ricos e com mais poder económico nos impõe. É uma nova guerra dos Super e Hipermercados, lojinhas estrangeiras que estão a transformar e a asfixiar o comércio nacional. Braga, Junho de 2002 LUIS COSTA
publicado por Varziano às 11:58

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